Os motivos da vitória de Magno Malta no Espírito Santo
Eleições 2022
Os motivos da vitória de Magno Malta no Espírito Santo
Após quatro anos sem mandato, ex-senador vai voltar ao cargo. Ele derrotou outros oito adversários, em especial Rose de Freitas (MDB)
Publicado em 03 de Outubro de 2022 às 11:55
Públicado em
03 out 2022 às 11:55
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Magno Malta em entrevista coletiva após ser eleito senador pelo Espírito SantoCrédito: Gedyson Viana
O ex-senador Magno Malta (PL) foi um dos grandes derrotados nas eleições de 2018 no Espírito Santo. Após 16 anos ininterruptos no cargo, ele perdeu a cadeira. Viu a ascensão de Fabiano Contarato, na época filiado à Rede, o primeiro senador gay da história do estado, que depois passou a integrar as fileiras do PT.
De lá pra cá, Magno ficou na planície, ativo nas redes sociais e fiel ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).
Repetiu durante esse tempo o discurso bolsonarista contra o Supremo Tribunal Federal, entre outros tópicos.
Em 2022, Magno postulou a cadeira no Senado novamente. E o jogo virou.
Com pouco tempo no horário eleitoral, ele optou por uma abordagem, digamos, ousada. Apareceu dando um soco na câmera. No programa de despedida, lançou um olhar ameaçador.
Os adversários do ex-senador, entretanto, na avaliação desta colunista, foram um fator determinante para a vitória do candidato do PL. Houve a divisão do voto útil.
A senadora Rose de Freitas (MDB) tentou a reeleição. Ela aparecia, nas pesquisas de intenção de voto, empatada tecnicamente com Magno. No sábado (1), o Ipec a mostrou na liderança.
Havia, ao todo, nove candidatos ao Senado no estado. O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), era, com exceção de Rose, o único que tinha tempo de TV suficiente para realmente se apresentar ao eleitorado.
E recebeu recursos consideráveis para a campanha: R$ 3,5 milhões.
Muitos eleitores de Rose optaram por ela para evitar a vitória de Magno.
Erick adotou a estratégia do Ele não, Ela não. "Figurinha repetida não completa álbum", entoou a campanha do republicano. Assim, alguns votaram nele para impedir não apenas a volta de Magno, mas a reeleição de Rose, numa tentativa de renovação.
O presidente da Assembleia alcançou 337.642 votos, o que corresponde a 17,25%. O percentual foi acima do previsto pelo Ipec, que era de 11%.
Ainda assim, Erick não chegou nem perto de esboçar chance de vitória. Rose recebeu 747.104 votos (38,17%) e Magno, 821.189 (41,95%).
O resultado alcançado pelo candidato do Republicanos foi suficiente, entretanto, para dividir os votos úteis.
Ironicamente, quem mirou na renovação acertou no Magno Malta.
CONSERVADORISMO
Não menosprezo aqui a força do próprio Magno e dos valores que movem os apoiadores dele.
Em 2018, alguns eleitores desavisados, sem observar ao menos o partido de Contarato, votaram no redista imbuídos do espírito de renovação, mais uma vez, elevando também Marcos do Val (então filiado ao Cidadania) ao Senado.
Contarato, delegado da Polícia Civil e defensor de leis mais duras contra quem comete crimes no trânsito, representava, assim, alguns temas caros à direita. Ele, entretanto, nunca foi desse espectro ideológico.
Em 2022, o episódio foi relembrado lateralmente por Magno, que não citou o nome de Contarato em momento algum. Entre os adeptos do ex-senador, no entanto, era comum ouvir "não podemos errar de novo", num tom de revanche.
É fato que o eleitor capixaba é conservador. As palavras conservador e conservadorismo têm sido usadas à exaustão ultimamente.
Observo apenas que, algumas vezes, na verdade estamos falando não de conservadores, que querem, em linhas gerais, manter as coisas como estão, mas de reacionários, inspirados por um passado turvo.
BOLSONARISMO
Jair Bolsonaro, recém-eleito presidente da República, ao lado do então senador Magno Malta, em 2018Crédito: Reprodução
Logo, a onda bolsonarista certamente ajudou Magno.
"RATAIADA"
No último programa do horário eleitoral, o ex-senador antecipou o que faria, caso voltasse ao Senado:
“Voltando ao Senado, as minhas bandeiras vão continuar: a luta contra as drogas, contra a pedofilia, ideologia de gênero, aborto, defesa da nossa fé, liberdade de expressão. Agora, eu vou dizer: ‘rataiada’, trabalhem muito pra eu não voltar, porque, se eu voltar, os senhores também, que se sentem semideuses, vai ser o tempo ruim o tempo inteiro pros senhores!”
"Não vou chegar lá para ser inimigo de ninguém. Nunca desrespeitei ninguém. As pessoas não entendem uma pessoa que tem posição firme e criam narrativas. Mas quem teve uma vitória retumbante como essa, que Deus me deu, tem que ignorar tudo isso. Eu estarei lá como senador do Espírito Santo, defendendo o Espírito Santo".
Letícia Gonçalves
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.