Os motivos e o impacto da reeleição de Pazolini em Vitória
Eleições 2024
Os motivos e o impacto da reeleição de Pazolini em Vitória
Prefeito de Vitória foi reeleito no primeiro turno e superou políticos tradicionais da cidade. Ainda impôs uma derrota para o grupo do governador Renato Casagrande (PSB)
Publicado em 07 de Outubro de 2024 às 03:00
Públicado em
07 out 2024 às 03:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Pazolini após resultado das eleições 2024Crédito: Vitor Jubini
Os principais adversários superados por ele foram os ex-prefeitos João Coser (PT) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Coser, que chegou ao segundo turno em 2020, não conseguiu repetir a façanha.
Já Luiz Paulo ganhou certo fôlego na reta final, mas somente nas pesquisas de intenção de voto. Nas urnas, o desempenho dele não foi suficiente para forçar um segundo turno.
Outro fator decisivo para a reeleição de Pazolini foi o tímido desempenho de Assumção (PL). O deputado estadual disputou a prefeitura em 2020, então filiado ao Patriota e, naquele ano, recebeu 12.365 votos, o equivalente a 7,22%.
Agora, saiu-se melhor, mas recebeu apenas 17.946 votos (9,55%).
O candidato do PL é o que, em tese, teria mais condições de tirar votos do atual prefeito. Pazolini é um político de centro-direita que nunca se disse bolsonarista, mas, de acordo com as pesquisas de intenção de voto, desde o início da campanha de 2024 era o preferido dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Assumção, que contou com o apoio declarado de Bolsonaro, poderia prospectar a simpatia desses eleitores. Na Capital, como ocorreu na maioria das cidades capixabas, entretanto, o bolsonarismo não foi uma força decisiva nas eleições municipais.
O lulismo, tampouco. Não à toa, Coser era o candidato mais rejeitado pelos eleitores nas pesquisas de intenção de voto.
A campanha dos adversários do prefeito foi centrada em críticas à gestão municipal, como em relação ao asfaltamento de ruas e às áreas de educação e saúde. Mas, na prática, a administração é bem avaliada pela população, como também mediram os levantamentos.
Pazolini foi acusado de ser "morno". Mas isso não necessariamente é algo ruim. Ele pode até não ser um fenômeno de popularidade, como os prefeitos Arnaldinho Borgo (Podemos), de Vila Velha, e de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), mas também não é odiado, não tem alta rejeição.
Isso leva à observação dos atos da gestão e não ao culto à personalidade.
E não podemos esquecer que Pazolini é um político de centro-direita, a força que se sobressaiu nesta eleição. Ele nunca se disse bolsonarista, foi atacado por isso, mas, no fim das contas, adotou a estratégia correta.
A última vez que a eleição na Capital foi decidida já no primeiro turno foi em 2008, quando Coser, reeleito, superou o segundo colocado Luciano Rezende (PPS).
DERROTA DE CASAGRANDE
O governador Renato Casagrande (PSB) não declarou apoio a nenhum dos candidatos a prefeito de Vitória em 2024, mas forças governistas estavam nos palanques de Coser e Luiz Paulo.
Aliás, grande parte do secretariado estadual ficou ao lado do tucano. O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) também.
A vitória de Pazolini no primeiro turno, indiretamente, é uma derrota para Casagrande e seu grupo.
O objetivo dos casagrandistas era ao menos fazer com que houvesse segundo turno na Capital, para diminuir a força política do atual prefeito.
ELEIÇÕES 2026
Pazolini é um possível candidato ao governo do Espírito Santo em 2026, o que vai de encontro aos planos de Casagrande de eleger o sucessor.
O próprio Pazolini não descarta abandonar o segundo mandato na metade para concorrer ao Palácio Anchieta.
Ele sai fortalecido das urnas para concretizar essa ideia.
O resultado na Capital ainda “dá moral” para o partido do prefeito, o Republicanos, que elegeu, ao todo, oito prefeitos no Espírito Santo e manteve-se no comando da maior vitrine municipal do estado.
No Instagram, o ex-governador Paulo Hartung (sem partido), que até então não havia se manifestado sobre as eleições na Capital, parabenizou Pazolini após o resultado: "Alegria!! Se consolida uma nova liderança no Espírito Santo".
Letícia Gonçalves
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.