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Delegado e vereador

Os movimentos políticos de Piquet, novo presidente da Câmara de Vitória

Leandro Piquet, até um tempo atrás, disparava petardos contra o governo Casagrande. Agora, isso mudou

Publicado em 27 de Janeiro de 2023 às 02:10

Públicado em 

27 jan 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Vereador Leandro Piquet durante discurso na Câmara de Vitória em fevereiro de 2022
Vereador Leandro Piquet durante discurso na Câmara de Vitória em fevereiro de 2022 Crédito: Divulgação/Câmara de Vitória
Em 2021, o vereador de Vitória Leandro Piquet (Republicanos), que também é delegado da Polícia Civil, chegou a gravar um vídeo acusando o governo Renato Casagrande (PSB) de perseguição política. Ele afirmava ter sido transferido deliberadamente da Delegacia da Praia do Canto, seu reduto eleitoral, para o plantão do  Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o que o impediria de exercer o mandato, por incompatibilidade de horários.
Vereadores podem acumular funções. Ao contrário do prefeito. Lorenzo Pazolini (Republicanos) também é delegado, mas tirou licença do cargo para administrar a Capital do Espírito Santo.
O tempo passou e hoje Piquet é presidente da Câmara. Chegou ao posto após uma reviravolta.
O eleito para a presidência era Armandinho Fontoura (Podemos). Este, por sua vez, caiu em desgraça após atacar, verbalmente, ministros do Supremo Tribunal Federal e instituições democráticas. Armandinho foi preso, preventivamente, e virou réu por tentar intimidar uma juíza e um promotor de Justiça. Ele também é acusado de integrar uma milícia digital.
A Câmara realizou outra eleição e alçou Piquet ao comando da Casa.
Melhor para Pazolini, que agora tem um correligionário à frente do Legislativo, em vez de Armandinho, que tinha postura mais distante em relação ao prefeito. 
Mas os movimentos de Piquet indicam mais uma mudança, desta vez na relação com o governo Renato Casagrande (PSB). Nos dias 12 e 13 de janeiro, por exemplo, o presidente da Câmara de Vitória recebeu visitas de dois integrantes do primeiro escalão do governo estadual.
Primeiro, André Garcia, secretário de Justiça, esteve no gabinete do chefe do Legislativo municipal. Piquet postou foto do encontro no Instagram. Na legenda, chamou Garcia de amigo e ex-chefe. Garcia foi secretário estadual de Segurança Pública. 
No dia seguinte, foi a vez do coronel Alexandre Ramalho, atual titular da Sesp, ir ao gabinete de Piquet. "Conversamos sobre possíveis parcerias entre a Secretaria de Segurança e a Câmara de Vitória", anunciou o presidente da Câmara nas redes sociais.
O secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, o presidente da Câmara de Vitória, Leandro Piquet, e o subsecretário da Casa Civil do governo Casagrande, Marcos Delmaestro
O secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, o presidente da Câmara de Vitória, Leandro Piquet, e o subsecretário da Casa Civil do governo Casagrande, Marcos Delmaestro Crédito: Instagram/Delegado Piquet
Piquet continua lotado no plantão do DHPP, e diz que tem que sacrificar a vida pessoal para conseguir dar conta das atividades da Polícia Civil, do mandato e da chefia do Legislativo, mas, à coluna, garantiu que não tratou do assunto com Ramalho.
O delegado, natural do Rio de Janeiro, ingressou na corporação em 2012 e, já em 2014, tornou-se diretor-presidente do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases). Quem o nomeou foi Casagrande, que exercia, na época, o primeiro mandato como governador.
Sob Paulo Hartung, sucessor de Casagrande, Piquet foi diretor de ações estratégicas do instituto; subsecretário de Integridade Governamental e Empresarial na Secretaria de Controle e Transparência e corregedor-geral.
Foi na gestão do adversário do atual chefe do Executivo, portanto, que a carreira do policial civil deslanchou na burocracia estatal. A rivalidade Casagrande-Hartung, entretanto, arrefeceu depois que o ex-governador decidiu parar de concorrer a cargos eletivos.
O socialista, por sua vez, já não pode tentar a reeleição em 2026, uma vez que já está no segundo mandato consecutivo. O próprio Casagrande já lida bem com tal dualidade. Tanto que chamou André Garcia e Enio Bergoli – secretário de Agricultura, também ex-integrante da equipe de Hartung – para compor o atual primeiro escalão.
À coluna, Piquet não admitiu que tenta uma aproximação política com o governador. Usou palavras mais sutis. 
"Preciso ser uma ponte entre os Poderes e ter uma postura de presidente de Poder. É isso que estou fazendo, não posso deixar de abrir diálogo com ninguém", afirmou, nesta quinta-feira (26).
AS ELEIÇÕES DE 2024
"Piquet está fazendo um jogo inteligente, tentando se valorizar. Vai ser próximo de Pazolini, mas não a ponto de ser subserviente, e se aproxima de Renato (Casagrande) para ser lembrado", destaca um observador das movimentações na Câmara de Vitória.
Ser lembrado para quê? O vereador diz que nem está pensando nas eleições do ano que vem, quando vão estar em disputa justamente as cadeiras nas câmaras municipais e as chefias de prefeituras.
"A eleição está muito distante. A Câmara viveu um momento muito difícil (com a prisão de Armandinho e a cassação de Gilvan da Federal). É muita responsabilidade (ser presidente da Casa)", tergiversou o chefe do Legislativo municipal.
"Mas ele está tomando cuidado para não fechar portas", destaca o mesmo observador citado anteriormente.
Piquet foi candidato a deputado estadual em 2022. Recebeu 5.274 votos, não obteve sucesso na empreitada. Para se ter uma ideia, o deputado estadual eleito com menos votos foi Coronel Weliton (PTB), escolha de 12.176 eleitores.
Pazolini não abraçou a candidatura do vereador do Republicanos. No horário eleitoral, apareceu ao lado de outro membro da Câmara, Denninho Silva (União Brasil), que, a partir de 1º de fevereiro, vai estar na Assembleia Legislativa.
Ainda assim, o presidente da Câmara segue próximo ao prefeito. "O Legislativo é independente, mas a Constituição prega harmonia entre os Poderes", destacou, na conversa com a coluna.
"Sou do partido do prefeito. A gente tem a mesma idade, princípios e valores comuns", complementou Piquet.
Aliás, o próprio Denninho é um admirador do novo presidente da Câmara de Vitória. "Ele é um cara que agrega, consegue trazer até quem é inimigo para o lado dele", afirmou o deputado estadual eleito.
 DIRETORA QUE TRABALHOU COM PETISTA
A equipe nomeada por Piquet para auxiliá-lo na gestão da Câmara tem ao menos dois nomes que chamam a atenção.
A diretora do Departamento de Comunicação, Ananda Miranda, foi a responsável pelo marketing das campanhas vencedoras da vereadora de Vitória Karla Coser, em 2020, e do deputado estadual eleito em 2022 João Coser. Ambos do PT.
Karla disse à coluna nesta quinta que tem uma relação profissional e de amizade com Ananda, mas ressaltou que não a indicou ao cargo para o qual Piquet a nomeou. 
A petista tem uma expectativa positiva em relação à gestão do novo presidente: "Ele sempre falou em respeito e democracia".
Piquet lembrou à coluna que Ananda Miranda já trabalhou também em campanhas de Marcus Vicente (PP) e Luzia Toledo (Republicanos) que, ideologicamente, diferem-se dos candidatos do PT. 
"Nossa equipe é formada por pessoas técnicas. Minha gestão será plural. Aliás, a equipe é composta 50% por homens e 50% por mulheres", frisou o presidente.
Outra escolha que merece destaque é a nomeação de Felipe Tavares Nascimento, novo diretor-geral da Câmara de Vitória. Ele é filho de Robson Leite, que já foi secretário no governo Hartung e chefe de gabinete de Piquet.
PROGRESSISTA?
Piquet pode ser descrito como um político de centro-direita. É menos panfletário que o presidente anterior da Câmara, Davi Esmael (PSD).
Mas o fato de ter se encontrado com integrantes do governo Casagrande ou ter nomeado alguém que já prestou serviço para petistas não o inclui na categoria progressista, ou de esquerda, digamos assim.
Até porque o próprio Ramalho, que esteve no gabinete de Piquet, tem o mesmo perfil, embora esteja em um governo capitaneado pelo PSB.
O cálculo de Piquet é menos ideológico e mais pragmático. Nem sempre isso é ruim.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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