Ex-secretário de Segurança Pública de Casagrande disputou a Prefeitura de Vila Velha e perdeu para Arnaldinho Borgo (Podemos). Agora, virou motivo para Gilson Daniel (Podemos) não se tornar secretário estadual
Publicado em 07 de Fevereiro de 2025 às 12:09
Públicado em
07 fev 2025 às 12:09
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Coronel Alexandre Ramalho, quando candidato a prefeito de Vila Velha, em 2024Crédito: Ricardo Medeiros
O ex-secretário de Segurança Pública Coronel Ramalho (PL) tornou-se um inesperado pivô da decisão do Podemos de não integrar o secretariado do governo Renato Casagrande (PSB). O governador optou por não convidar o deputado federal Gilson Daniel, presidente estadual do Podemos, para integrar o primeiro escalão porque, se isso ocorresse, Ramalho assumiria o mandato de Gilson em Brasília, como suplente.
O coronel foi candidato deputado federal em 2022 pelo Podemos e depois trocou a sigla pelo PL. Mesmo assim, ficaria com o mandato na hipótese de Gilson se licenciar, ainda que temporariamente, até a disputa pela cadeira ser resolvida pelo Judiciário.
Em 2024, o coronel disputou a Prefeitura de Vila Velha e, na campanha, fez críticas ao governo Casagrande e a Arnaldinho Borgo (Podemos), prefeito da cidade que foi reeleito com ampla margem (79,04% dos votos). O fato de ter se voltado rapidamente contra antigos aliados transformou Ramalho em persona non grata no Palácio Anchieta.
Gilson Daniel, pessoalmente, tirou por menos. Em entrevista à coluna, chamou Ramalho de "amigo" e avaliou que, em 2026, o coronel vai ser candidato a deputado estadual, não a federal, o que evitaria conflito eleitoral contra Victor Linhalis, deputado federal do Podemos que também tem base eleitoral em Vila Velha.
Mas, na verdade, nem Ramalho sabe o que vai fazer no ano que vem:
"Posso ser candidato a deputado estadual, a federal e estou até analisando se vale a pena ser candidato a algum cargo"
Coronel Ramalho (PL) - Ex-secretário estadual de Segurança Pública
Políticos de Vila Velha e até de fora da cidade creem que o coronel errou ao escolher se abrigar no PL, partido que se isolou politicamente nas principais cidades em 2024 e que representa "a direita radical".
Ramalho, entretanto, afirmou à coluna que não está insatisfeito no PL:
"A família Malta me deu total apoio na campanha. O PL cumpriu tudo que prometeu". A referência é à família do senador Magno Malta, presidente estadual da sigla.
"A decisão do partido de ficar isolado em Vila Velha trouxe dificuldades no processo eleitoral, sim, mas não tem mágoa nem insatisfação", completou.
Mas Ramalho vai permanecer no PL? Ele dá uma deixa: "O que avalio é se vale a pena disputar e se vale a pena disputar pelo PL (as eleições de 2026)".
"DESCONTENTAMENTO"
Na conversa com a coluna, Ramalho fez questão de manifestar o "descontentamento" com o governo Renato Casagrande, do qual foi secretário de Segurança Pública.
"Meu descontentamento com o governo do estado por não trazer o Gilson como secretário em função da minha pessoa. Fica comprovado que nunca tive apoio desse governo, desde quando tentei disputar o Senado (em 2022)", afirmou.
"A decisão de disputar em Vila Velha foi considerada uma afronta. Fui secretario do governo e por isso tenho que estar sempre no caminho do governo? Não é uma democracia verdadeira. Fica a minha decepção com o atual governo", acrescentou Ramalho.
De certa forma, porém, o coronel confirma a desconfiança palaciana de que uma vez "empoderado" no exercício do mandato de deputado federal pelo oposicionista PL, o ex-secretário dispararia contra o governo e tentaria fortalecer o grupo político adversário.
CAPITAL POLÍTICO
Gilson Daniel, como presidente estadual do Podemos, revelou à coluna que o partido tentou convencer o coronel a disputar a Prefeitura de Vitória em 2024, "sem conflitar com Arnaldinho e com o governador", mas Ramalho preferiu migrar para o PL e concorrer em Vila Velha.
Diante da vitória acachapante de Arnaldinho, Ramalho recebeu 17,20% dos votos, ou 42.096.
É um número competitivo o suficiente para que ele dispute uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados em 2026, mas na eleição para o parlamento o desempenho individual não resolve tudo.
O candidato precisa integrar uma boa chapa, aliar-se às pessoas certas, ter um grupo político. É isso que Ramalho nunca teve e o fato de ter "brigado" com os governistas pouco tempo depois de deixar a administração estadual não lhe confere uma marca muito agregadora.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.