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Projeto aprovado

Para afagar militares, oposição segue orientação do governo Casagrande

Projeto que acelera aposentadorias e promoções na PM e no Corpo de Bombeiros foi aprovado à unanimidade. A sessão desta segunda-feira (27) foi bem diferente da anterior

Publicado em 27 de Fevereiro de 2023 às 19:23

Públicado em 

27 fev 2023 às 19:23
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo nesta segunda-feira (27) Crédito: Ana Salles/Ales
Não chegou a ser surpresa, mas a sessão da Assembleia Legislativa do Espírito Santo desta segunda-feira (27) foi bem diferente da realizada no último dia 15, quando o governo Renato Casagrande (PSB) sofreu a primeira derrota de 2023. Um projeto enviado pelo Executivo, naquela ocasião, foi modificado, contrariando a orientação governista.
Nesta segunda, outra proposta de autoria de Casagrande foi a votação.
A aprovação, desta vez, foi unânime. O presidente da Assembleia, Marcelo Santos (Podemos), destacou, em tom elogioso, que o plenário agiu "em velocidade acelerada". A tramitação ocorreu em regime de urgência e contou com uma sessão extraordinária.
Trata-se do Projeto de Lei Complementar 6/2023, que altera as regras de aposentadoria de PMs e bombeiros. Na prática, os militares estaduais vão se aposentar mais cedo, com normas adequadas à legislação federal em vigor.
Como consequência, vão surgir vagas para promover policiais e bombeiros que permanecerem na ativa.
Pelos cálculos do governo constantes no texto enviado à Assembleia, de 2023 a 2025, 3.584 PMs devem ser promovidos. No Corpo de Bombeiros, a projeção é de 522 promoções.
Nenhum deputado estadual foi contra. Dos 30 parlamentares, apenas Hudson Leal (Republicanos) estava ausente. Vinte e oito votaram a favor do projeto. Marcelo Santos, por ser o presidente, absteve-se.
Casagrandista, ele fez questão, contudo, de louvar a gestão estadual. "Agora, o governo Casagrande corrige em definitivo a questão do pedágio (o tempo a mais que os militares têm que trabalhar para se aposentar), que será adequado à lei federal (...) Acabamos com uma condição esdrúxula. As aposentadorias estão garantidas e equiparadas ao resto do pais", discursou Marcelo.
"Mais uma distorção está sendo corrigida pelo governador Renato Casagrande", complementou. 
Denninho Silva (União Brasil), que integra a base aliada ao governo, também exortou a administração estadual. "Em três anos, serão ofertadas mais de 3,5 mil promoções. Vai entrar para a história do Espírito Santo. Há quem se incomode com essa fala", cutucou o deputado. 
A oposição ao governo é minoritária na Casa, mas maior e mais barulhenta do que foi na legislatura passada.
Ainda assim, como o placar da votação comprova, todos seguiram a orientação do Palácio Anchieta e votaram favoravelmente ao projeto, sem modificar a proposta inicial.
É menos mérito do governo e mais devido à sensibilidade do tema. Os parlamentares não estariam dispostos a fustigar toda uma categoria somente para atingir Casagrande.
"FIZEMOS JUSTIÇA"
Na sessão desta terça-feira (28), o presidente da Assembleia agradeceu novamente os deputados por terem votado favoravelmente ao projeto sobre os militares e ressaltou a união dos parlamentares, independentemente da posição política:
"Quando se trata de promover o bem social e ajudar categorias, como os militares, não se tem posição de direita ou esquerda, base aliada ou oposição"
Marcelo Santos (Podemos) - Presdente da Assembleia Legislativa do ES
"Fizemos justiça e aprovamos na velocidade que os policiais e bombeiros militares estavam aguardando", complementou Marcelo.
Capitão Assumção (PL) corroborou as declarações do presidente da Casa e criticou o comentário de "um jornalista da CBN" que, segundo ele, ressaltou que "até a oposição" votou a favor do projeto. 
"Esquecem que, durante todo o tempo, os deputados, antes de serem de tendência à esquerda ou à direita, votam projetos a favor do povo capixaba", afirmou Assumção, no plenário da Assembleia.
"Mesmo sendo direita, sempre votarei a favor do trabalhador e do funcionário público. Grande parte deles não vota em mim, mas sou funcionário público, sei como eles se sentem, e voto a favor deles"
Capitão Assumção (PL) - Deputado estadual
BOLSA-ESTUDANTE
O pomo da discórdia da sessão do dia 15 foi o projeto de lei que cria a Bolsa-Estudante.
A ideia do governo era pagar R$ 400 para jovens que cursassem o 4º ano do ensino médio, uma forma de estimular alunos afetados pela pandemia de Covid-19 – período em que as aulas presencias foram suspensas.
O deputado Fabrício Gandini (Cidadania) apresentou uma emenda que aumenta o valor para R$ 800. Até então, Gandini era, ao menos publicamente, da base aliada.
Por uma série de descontentamentos, entretanto, ele se posicionou contra a orientação palaciana, foi seguido pela oposição e por alguns outros aliados de Casagrande, também pontualmente descontentes.
Faltava a aprovação do texto final do projeto. Isso ocorreu nesta segunda.
Como a emenda já estava sacramentada, o governo tinha três opções: retirar a proposta de tramitação, orientar que os deputados votassem contra o projeto do próprio governo ou pedir para que votassem a favor, apesar da alteração no valor da bolsa.
Escolheu a terceira. O vice-líder governista, Tyago Hoffmann, orientou o voto a favor do projeto. A aprovação foi unânime. Isso não quer dizer que a bolsa, a ser paga a 120 alunos, vai ser mesmo de R$ 800.
A Procuradoria-Geral do Estado vai analisar o texto e, se considerar que há inconstitucionalidade – por entender que a alteração não poderia ter partido da Assembleia, um vício de iniciativa, por exemplo – pode sugerir que o governador vete esse trecho do projeto.
Nessa hipótese, a bolsa seria criada sem valor estipulado e, depois, o governador mandaria outro projeto especificando a cifra.
Gandini, depois da apresentação da emenda, anunciou que saiu da base governista. Ele rechaça o rótulo de oposição, diz-se independente.
Nesta segunda, coincidentemente, o primeiro item da Ordem do Dia, a pauta da Assembleia, foi o veto de Casagrande a um projeto de Gandini, o que "obriga o Poder Executivo, no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias, a regulamentar a utilização e a circulação dos cicloelétricos com motor de propulsão elétrica".
Dezoito deputados votaram para manter o veto; dez, para derrubá-lo e houve uma abstenção, do presidente da Casa.
O veredito foi de que em matéria de trânsito, somente o Congresso Nacional pode legislar.
ENQUANTO ISSO, NAS GALERIAS...
Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Ao fundo, cartazes nas galerias da Assembleia diziam "Direitos dos manos não", "sim a família" e "Assumção e Polese estamos com vocês" Crédito: Ana Salles/Ales
As galerias da Assembleia, espaço destinado ao público que quiser acompanhar as sessões presencialmente, foi tomado por apoiadores dos deputados Capitão Assumção e Lucas Polese, ambos do PL, nesta segunda. 
Os dois integram a Comissão de Direitos Humanos da Casa e, embora não tenham afinidade com o tema, trabalhavam para emplacar Assumção na presidência do colegiado. 
A eleição deve ocorrer apenas nesta terça-feira (28). Camila Valadão (PSOL) está virtualmente eleita, conta com a maioria dos votos do grupo, formado por cinco parlamentares.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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