Para onde Gandini e Majeski vão nas eleições de 2024
Em Vitória
Para onde Gandini e Majeski vão nas eleições de 2024
Deputado estadual e ex-deputado desistiram de disputar a Prefeitura de Vitória, mas devem apoiar algum dos pré-candidatos. E isso não tem nada a ver com o PSD e o PDT
Publicado em 17 de Junho de 2024 às 15:38
Públicado em
17 jun 2024 às 15:38
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O deputado estadual Fabrício Gandini e o ex-deputado estadual Sergio MajeskiCrédito: Lucas S. Costa e Ana Salles/Ales
Os deputados estaduais Tyago Hoffmann (PSB) e Fabrício Gandini (PSD) e o ex-deputado estadual Sergio Majeski (de saída do PDT) desistiram de disputar a eleição para prefeito de Vitória em 2024. Hoffmann está ao lado de Luiz Paulo Vellozo Lucas, pré-candidato do PSDB ao cargo.
E Gandini e Majeski, como vão se posicionar?
Gandini tem sido bastante discreto. Mesmo quando ainda era pré-candidato, concedia poucas entrevistas, a pré-campanha dele foi tão tímida que a saída do páreo já era especulada. O deputado não veio a público dizer quem pretende apoiar a corrida pelo Executivo municipal, mas, há meses ele se reúne com o grupo de seis partidos que decidiu apoiar um nome só na Capital. O único pré-candidato restante no chamado G-6 é Luiz Paulo.
De acordo com o presidente municipal do MDB, Sérgio Borges, — o MDB integra o grupo — Gandini está no palanque do tucano.
"Gandini vai apoiar o Luiz Paulo. Inclusive, vai ser um dos coordenadores políticos do Luiz Paulo na campanha. É um deputado conceituado, tem muito prestígio em Vitória, é uma liderança que vai somar muito", afirmou Borges.
O PSD de Gandini, contudo, pode não seguir o mesmo caminho e desfalcar o G-6. O presidente estadual da sigla, Renzo Vasconcelos, esteve recentemente com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. O Republicanos trabalha pela reeleição do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.
Renzo afirmou à coluna que o PSD "está dialogando" com pré-candidatos e "é muito cedo para falar alguma coisa". A prioridade do partido é eleger o próprio Renzo em Colatina.
"A gente espera que o que foi combinado seja cumprido por todos os partidos", comentou Sérgio Borges ao ser questionado pela coluna sobre a manutenção da formação original do G-6. O combinado era que todos continuariam juntos após a escolha do pré-candidato.
O MDB, por exemplo, vai se coligar com o PSDB/Cidadania, que formam uma federação, para reforçar o palanque de Luiz Paulo. Mas os emedebistas candidatos a vereador vão pedir votos para quem acharem melhor. "Decidimos que nossa chapa de vereadores tem livre escolha", contou Sérgio Borges.
Voltando à questão Gandini, o deputado estadual tem base em Jardim Camburi, maior colégio eleitoral de Vitória. Mas o parlamentar perdeu capital político nos últimos anos.
Em 2020, disputou a prefeitura, apoiado pelo então prefeito, Luciano Rezende (Cidadania), mas, após uma campanha errática, com críticas que não "pegaram" em Pazolini, Gandini nem chegou ao segundo turno e viu a vitória do republicano nas urnas.
Em 2022, foi reeleito deputado estadual, mas com 16.948 votos, menos que os 20.170 que recebeu em 2018.
Em 2023, Gandini deu uma guinada à direita. Saiu do Cidadania, um partido de centro-esquerda, e foi para o PSD. Não mudou apenas de sigla, mas de discurso. Até ameaçou deixar a base aliada ao governador Renato Casagrande (PSB) na Assembleia, mas, hoje, segue como parceiro do Palácio Anchieta.
A remodelagem para a centro-direita é um projeto de reposicionamento político para recuperar o capital perdido. Atores políticos de Vitória acreditam que o plano de Gandini é para 2026, quando vão estar em jogo cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Gandini não atendeu a coluna para falar sobre como pretende se posicionar no pleito de 2024.
A coluna já apurou, como registrado aqui, porém, que ele está fechado com Luiz Paulo. Embora o PSD flerte com Pazolini, essa não é uma opção para o deputado estadual.
MAJESKI: "APOIAR ALGUÉM SERIA NATURAL"
Sergio Majeski saiu da corrida disparando críticas contra o PDT, partido ao qual se filiou em março justamente para concorrer ao cargo de prefeito de Vitória. O ex-deputado afirmou que os pedetistas não lhe deram a estrutura necessária para tocar a campanha.
Na segunda-feira (17), Majeski pediu para se desfiliar do partido. Logo, a decisão dele sobre apoiar algum dos pré-candidatos vai ser completamente desvinculada da sigla.
O ex-parlamentar, contudo, ainda não definiu quem vai ser esse pré-candidato: "Não é um objetivo apoiar alguém, mas posso apoiar, seria natural. Só não é 'ah, quero muito apoiar fulano', pois não conheço os projetos deles para a cidade".
Majeski está sem mandato desde o início de 2023 e vai continuar assim ao menos pelos próximos dois anos. Ele é diretor da Escola do Legislativo, função comissionada que exerce a convite do presidente da Assembleia, Marcelo Santos (de saída do Podemos).
Em 2022, ainda com mandato no parlamento estadual, Majeski disputou uma vaga de deputado federal pelo PSDB e recebeu 40.124 votos. Não fez feio. Para se ter uma ideia, o deputado federal eleito com menos votos foi Messias Donato (Republicanos), escolhido por 42.640 eleitores.
Os 40 mil que optaram por Majeski, contudo, não foram suficientes para mandá-lo para Brasília. O desempenho da chapa do PSDB também pesou para esse desfecho.
Em 2018, quando foi o deputado estadual mais votado do Espírito Santo, filiado ao PSB, ele recebeu 47.015 votos. Ou seja, em quatro anos, o capital político de Majeski diminuiu.
Entre uma coisa e outra, em 2020, ele tentou disputar a Prefeitura de Vitória, mas o PSB preferiu lançar Sérgio Sá, na ocasião.
Seja no PSB, no PSDB ou no PDT, o ex-deputado sempre saiu das legendas apontando que não obteve apoio suficiente para realizar seus projetos. Ele segue sem uma sigla ou sem um grupo político, mas pretende disputar as eleições de 2026.
"Quem faz grupo é quem manda em algum partido. Quem dá as cartas num partido não precisa mesmo trocar de sigla, mas quem não é próximo dos chefões é obrigado a sair. Há muita gente que se assusta ou não gosta da minha forma de fazer política, vinculada aos interesses da sociedade", afirmou o ex-deputado, ao ser questionado pela coluna sobre as constantes trocas de legenda.
"Na política, é preciso fazer negociação, mas, para mim, todas as negociações têm que passar pelo filtro do republicanismo, do interesse público e da transparência. Não pode ser apenas pelo poder e pelo toma lá, dá cá. Para muitos chefões da política eu acabo não interessando", complementou.
A prioridade do PDT, partido presidido no Espírito Santo pelo prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, é a política serrana. Na cidade, a legenda tem Weverson Meireles como pré-candidato a prefeito.
Em Vitória, o presidente municipal, Junior Fialho, afirmou que fez uma rodada de conversas com Luiz Paulo, João Coser (PT), Camila Valadão (PSOL) e Capitã Estéfane (Podemos) e vai fazer uma segunda rodada.
O PDT, por enquanto, não tem nenhum vereador na Capital. Ideologica e historicamente, faria sentido o partido ficar com Coser. Mas Fialho frisou que os pré-candidatos a vereador do PDT é que vão bater o martelo sobre quem apoiar em Vitória.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.