Partido de Casagrande, PSB sofreu em 2022 e quer dar a volta por cima
Eleições 2024
Partido de Casagrande, PSB sofreu em 2022 e quer dar a volta por cima
Governador do ES avalia que a sigla foi penalizada pela "polarização política" e, por isso, encolheu na Câmara dos Deputados. Em 2024, a expectativa é superar o número de prefeitos eleitos em 2020, de olho em 2026
Publicado em 23 de Agosto de 2024 às 12:04
Públicado em
23 ago 2024 às 12:04
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Renato Casagrande é secretário-geral do PSB nacionalCrédito: Hélio Filho/Secom ES
Em 2020, o PSB, partido do governador Renato Casagrande, teve um bom desempenho nas eleições no Espírito Santo. Elegeu 13 prefeitos dos 39 candidatos lançados. Foi a sigla que mais emplacou em prefeituras capixabas naquele ano. Hoje, esse número está ainda maior. O partido tem 22 chefes de Executivos municipais no estado.
No pleito de 2024, o PSB lançou 36 candidatos a prefeito no Espírito Santo (veja a lista no final deste texto) e a expectativa, de acordo com o presidente estadual da legenda, Alberto Gavini, é que de 16 a 20 sejam vitoriosos. Mas há um problema.
Após as eleições de 2022, o PSB encolheu. Tinha 24 deputados federais e o número caiu para 14. No Espírito Santo, em 2018, o partido elegeu dois deputados federais (Paulo Foletto e Felipe Rigoni). Quatro anos depois, conseguiu apenas uma cadeira na bancada federal capixaba, com a reeleição de Foletto.
Em todo o país, o Partido Socialista Brasileiro fez só um senador em 2022, Flávio Dino, do Maranhão.
"O PSB sofreu pela polarização politica em 2022. O PSB não tem uma posição radicalizada, nem de um lado nem de outro, então sofreu devido à polarização", avaliou Casagrande, em entrevista concedida ao Poder 360, em Brasília. O governador do Espírito Santo é também secretário-geral do PSB nacional.
Além de perder poder dentro do Congresso Nacional, a redução do número de parlamentares faz com que um partido perca algo fundamental: dinheiro.
O Fundo Eleitoral, por exemplo, é dividido entre as siglas de acordo com o número de deputados e senadores eleitos no último pleito, no caso, 2022.
Em 2020, o PSB recebeu R$ 109 milhões do Fundo, para campanhas eleitorais em todo o Brasil. Em 2024, a cifra é de R$ 147 milhões. Sim, aumentou 34, 5%. Mas somente a inflação de outubro de 2020 a julho de 2024 (medida pelo IPCA) foi de 28,15%.
Enquanto isso, o PL, após as eleições de 2022, passou de 76 para 99 deputados federais e de dois para 14 senadores. Em 2020, o Partido Liberal contou com R$ 117, 6 milhões do Fundo Eleitoral para eleger prefeitos. Em 2024, o valor saltou para R$ 887 milhões. Ou seja, aumentou 658%.
"O partido (PSB) se reenergizou, com novas filiações, como a do Cid Gomes. Tem expectativa de crescimento para 2026 e vai ter um bom desempenho em 2024"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
Aliás, a troca de partido azedou a relação entre PDT e PSB, como o próprio Casagrande admitiu.
Havia um movimento para que os dois partidos compusessem uma federação. Se isso se concretizasse, as duas siglas atuariam como uma só nas eleições de 2024 e a união valeria por quatro anos, durante o pleito de 2026, portanto.
"O PSB estava discutindo uma federação com o PDT. A migração do Cid Gomes para o PSB criou um certo afastamento entre PSB e PDT, mas, de novo, estamos nos aproximando", contou o secretário-geral do Partido Socialista Brasileiro.
A FEDERAÇÃO
Outros partidos, como PT, PV e PCdoB, estão federados desde abril de 2022. Isso dá musculatura para enfrentar as eleições nacionais, eleger mais deputados federais e senadores e, consequentemente, aumentar a verba do Fundo Eleitoral.
"Estamos pagando por não ter feito isso, o que prejudicou o Fundo Eleitoral e Fundo Partidário. O recurso é pouco para muita coisa", afirmou o presidente estadual do PSB à coluna.
"PDT e PSB são partidos de centro-esquerda. A gente conversa bem, seria saudável para os dois partidos", estimou Gavini.
"Defendo que a gente faça uma federação com o PDT. Também podemos buscar outros partidos
"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
Em 2022, Casagrande foi contrário ao ingresso do PSB na federação formada pelo PT. O governador temia que os socialistas fossem "engolidos" pelos petistas.
Mas, já em 2023, foi favorável à parceria com o PDT. Como a federação não se concretizou até agora, não valeria para as eleições de 2024, mas seria uma preparação para a de 2026.
De qualquer forma, para muitos partidos, federados ou não, a eleição de 2026 para pela de 2024.
"Com a queda do número de deputados federais, o PSB vai ter um prejuízo muito grande (...) A eleição de 2026 vai ter muito a ver com a de 2024. Temos que caprichar agora", concluiu Alberto Gavini.
O PSB lançou, ao todo, 800 candidatos a prefeito no país. Desses, 174 tentam a reeleição.
A ANÁLISE DA COLUNA
A força do partido no Espírito Santo, especificamente, deve-se mais à figura de Casagrande, por este estar no poder no Palácio Anchieta.
Não foi à toa que o número de prefeitos filiados ao PSB aumentou dos 13 eleitos em 2020 para os 22 contabilizados agora. É que chefes de Executivos municipais eleitos por outros partidos decidiram migrar para a sigla de Casagrande.
"Ficar bem" com o governador é uma premissa da maioria dos prefeitos. Isso pesa a favor do PSB no estado na eleição municipal.
O pleito de 2026, entretanto, "são outros 500". Basta lembrar que Casagrande não vai tentar a reeleição, pois não pode (está no segundo mandato consecutivo).
E eleger prefeitos não é algo tão decisivo assim. Do contrário, após a bem sucedida campanha de 2020, o PSB teria se saído melhor na eleição para deputado federal no estado em 2022.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.