Partido de Erick Musso, Pazolini e Amaro vive momento decisivo no ES
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Partido de Erick Musso, Pazolini e Amaro vive momento decisivo no ES
Alguns prefeitos do Republicanos ameaçam desfiliação, enquanto presidente da Assembleia tece críticas ao governo Casagrande
Publicado em 21 de Setembro de 2021 às 02:00
Públicado em
21 set 2021 às 02:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Presidente da Assembleia, Erick Musso, e governador Renato Casagrande durante prestação de contas do governador na Assembleia LegislativaCrédito: Leonardo Duarte/Ales
O Partido Municipalista Renovador (PMR) surgiu em 2005, num esforço da Igreja Universal do Reino de Deus. As assinaturas para a criação da sigla foram colhidas nas portas de templos, ao final dos cultos da denominação religiosa.
Desde então, a legenda passou por algumas mudanças, a começar pelo nome. Já foi Partido Republicano Brasileiro (PRB) e, desde 2019, é o Republicanos.
Nacionalmente, o partido integra o Centrão, dá sustentação ao governo Jair Bolsonaro (sem partido). E já fez parte da gestão de Dilma Rousseff (PT). O ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, que é do Republicanos, foi ministro da petista, na pasta da Pesca e Aquicultura.
No Espírito Santo, o Republicanos tem ganhado visibilidade estratégica. Conquistou a Prefeitura de Vitória, comandada por Lorenzo Pazolini. Tem também a chefia do Legislativo estadual, com Erick Musso, e ainda um deputado federal, Amaro Neto.
Isso porque o Republicanos planeja conquistar mais espaço e se afasta do governador Renato Casagrande (PSB). Os prefeitos avaliam que têm mais a ganhar – ou menos a perder – ficando ao lado do Palácio Anchieta.
Broedel e Pingo negaram, à coluna, terem sofrido qualquer pressão por parte de Casagrande ou de integrantes do Palácio Anchieta para abandonar o barco partidário.
Nos bastidores, no entanto, o aceno de convênios com liberação de recursos por parte do governo do estado é visto como um argumento de peso para convencer os chefes de Executivo municipais. Mas "isso não existe", diz um integrante da gestão Casagrande.
A expectativa, até o início da tarde desta segunda-feira (20), era que, dos dez prefeitos, o Republicanos mantenha apenas três: dois no interior e Pazolini, em Vitória.
"Estou trabalhando uma estratégia para reunir os prefeitos, com Roberto Carneiro (presidente estadual da legenda), Amaro, Erick, para pacificar o debate e para que todo mundo permaneça unido, alinhado com o governador Casagrande", contemporizou Luciano Pingo.
Para o prefeito de Sooretama, Alessandro Broedel, a postura do deputado indica que ele quer disputar o governo no ano que vem. Isso Erick Musso nunca disse com todas as letras, mas gosta de deixar a possibilidade no ar em postagens no Instagram.
Pode ser que o presidente da Assembleia esteja apenas tentando se tornar mais conhecido, para se cacifar na disputa por outro cargo, como o de deputado federal. De qualquer forma, ele faz isso de forma bem afastada de Casagrande.
A coluna questionou Pazolini, ainda no último dia 8, sobre a posição do aliado.
"O presidente Erick tem tido muita sabedoria ao separar as coisas. Ele administra um Poder, a Assembleia, com muito zelo, vide que as matérias do governo têm sido aprovadas, mas o parlamento tem o tempo dele", afirmou, na ocasião.
"Os debates têm sido feitos e acho que é importante às vezes a opinião do deputado, do parlamento. Isso engrandece e traz uma participação maior da sociedade", complementou o prefeito de Vitória.
O secretário-geral do Republicanos no Espírito Santo, Devanir Ferreira, que é vereador de Vila Velha, disse desconhecer risco de debandada de prefeitos, considerando que apenas Broedel apresentou carta de desfiliação até agora.
"Internamente, não existe movimento de debandada", frisou. Ele minimizou, ainda, as movimentações de Erick, classificando-as como legítimas e típicas de um ano pré-eleitoral.
Apesar das críticas do presidente da Assembleia ao governo, Devanir considera que o deputado é próximo a Casagrande: "Erick é uma pessoa próxima ao governador, está entregando todas as pautas do governo".
Questionado sobre como é a ligação entre a sigla e a Igreja Universal, Devanir, que também é pastor, garantiu que a denominação religiosa não exerce influência sobre as decisões partidárias. O presidente nacional do Republicanos é o deputado federal Marcos Pereira, bispo licenciado da Universal.
ALMOÇO
Roberto Carneiro, Erick Musso, Lorenzo Pazolini e Amaro NetoCrédito: Instagram/Lorenzo Pazolini
Roberto Carneiro, Lorenzo Pazolini, Erick Musso e Amaro Neto almoçaram juntos, nesta segunda, em um restaurante de Tabuazeiro, em Vitória. O momento foi postado por Pazolini no Instagram. Todos sorridentes.
Podem ter bala na agulha para aguentar os revides do governo Casagrande. Entre abril de 2020 e julho de 2021, o Republicanos aumentou em 42% o número de filiados no Espírito Santo, como mostrou levantamento feito pelo repórter Rafael Silva, em A Gazeta.
Uma das estratégias do partido é mostrar "capacidade de gestão". Além disso, se a postura de Erick Musso é mais incisiva em relação ao governo, o mesmo não se pode dizer de outros integrantes da legenda. Amaro Neto, por exemplo, é bem mais afável.
A coluna entrou em contato com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para saber se há orientação da Executiva nacional para que o partido lance candidatura própria ao governo.
"Todo partido tem interesse em crescer e o Republicanos não é diferente. Os estados têm autonomia na condução da política e eleições locais. O partido confia na direção estadual e nos quadros filiados ao Republicanos do Espírito Santo, portanto apoiará toda e qualquer decisão local", respondeu Pereira.
Não vai ser agora, claro, que o martelo vai ser batido. Mas as costuras e as cicatrizes do que é feito agora devem, sim, ter reflexos para o ano que vem.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.