Pazolini, discretamente, apresenta suas armas na busca pela reeleição
Eleições 2024
Pazolini, discretamente, apresenta suas armas na busca pela reeleição
Prefeito de Vitória elencou, na sexta-feira (2), ações da gestão municipal e rebateu mais fortemente apenas uma crítica: "O 'isolamento' não existe"
Publicado em 04 de Agosto de 2024 às 03:15
Públicado em
04 ago 2024 às 03:15
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Lorenzo Pazolini, prefeito de Vitória, em entrevista após a convenção municipal do Republicanos, na sede do partidoCrédito: Fernando Madeira
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), é candidato à reeleição e, como tal, tornou-se o principal alvo dos adversários. Estrategicamente, o chefe do Executivo municipal evitou falar abertamente sobre a disputa até a última sexta-feira (2), quando foi oficializado pelo partido em convenção como aspirante a um segundo mandato.
Os ataques dos adversários a quem está no poder são previsíveis. Por parte do prefeito, o script esperado é que defenda o próprio legado, os feitos da atual gestão.
Pazolini seguiu o roteiro, na sexta-feira. Ele tem na ponta da língua números, cifras e percentuais relativos à administração municipal (os que ele escolhe destacar, evidentemente) e, ao menos por enquanto, evita rebater adversários na mesma intensidade com que é criticado.
Mas também não joga parado.
O prefeito mostra discretamente suas armas na corrida pela reeleição. Ele é delegado licenciado da Polícia Civil, mas estamos falando aqui de armas em sentido figurado, não literal, que fique claro.
Em uma convenção pouco convencional, com o perdão do trocadilho, Pazolini lançou-se à reeleição em uma sala comercial, na sede do Republicanos. Normalmente, isso ocorreria em um amplo espaço, abarrotado de aliados e servidores comissionados.
O discurso do prefeito durou cerca de sete minutos, foi bem curto.
"A cidade tinha capacidade de investimento próxima a zero, R$ 6,5 milhões, em 2021 (...) É a capital mais transparente do país; a saúde pública mais bem avaliada desse país; a melhor educação pública entre todas as capitais", elencou Pazolini.
"Em três anos e meio, saímos do abismo e chegamos quase ao ápice", acrescentou.
Apenas em um momento o prefeito mencionou adversários, ainda que indiretamente:
"Não podemos tergiversar, não podemos flertar com o atraso, não podemos flertar com quem é contra a Lei de Responsabilidade Fiscal".
"Nosso compromisso com a vida permanece mais forte. Nosso compromisso com a responsabilidade fiscal permanece inabalável, mas com sensibilidade para cuidar das pessoas que mais precisam."
"Atraso" pode ser interpretado como menção a alguém que já administrou Vitória. Dois ex-prefeitos estão na disputa pelo comando do Executivo municipal em 2024: Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e João Coser (PT).
Mas "responsabilidade fiscal" é um termo muito utilizado, recentemente, para falar sobre o presidente Lula (PT). O chefe do Executivo federal frequentemente é questionado sobre o compromisso com o equilíbrio fiscal e dá respostas dúbias.
Adversários muito diferentes entre si, como Capitão Assumção (PL) e Coser, afirmam que o prefeito não se articula com os governos federal e estadual e que isso priva a cidade de investimentos e oportunidades.
Pazolini, nos dois primeiros anos de mandato, chegou a fazer oposição ao governador Renato Casagrande (PSB). Depois, arrefeceu, mas não se pode dizer que tenha alguma proximidade com o socialista.
Coser também avaliou, por diversas vezes que, na atual gestão, a Capital está isolada até do debate metropolitano, sem integração com os demais prefeitos da Grande Vitória.
O prefeito e candidato à reeleição, porém, negou veementemente tudo relacionado a "isolamento" e exemplificou que, na área da Segurança Pública, há, corriqueiramente, ações integradas entre a Guarda Municipal e as polícias estaduais.
"A política é separada da vida das pessoas", garantiu. Quis dizer que o fato de não ser, politicamente, próximo ao governador e seus aliados não afeta a prestação de serviços à população.
"Dialogo diretamente com o doutor Eugênio (Ricas, secretário estadual de Segurança Pública), inclusive, que é delegado da Polícia Federal, e eu sou delegado da Polícia Civil."
"A principal unidade da Polícia Civil na nossa capital, que é a primeira delegacia regional, funciona em um imóvel que nós cedemos ao estado. A integração existe, não tem dificuldade nenhuma".
"O 'isolamento' não existe (...) A velha política ficou para trás, mas alguns ainda insistem em tentar ressuscitá-la
"
Lorenzo Pazolini (Republicanos) - Prefeito de Vitória
"Vitória está isolada da corrupção. Isso, está", provocou.
Quando o assunto é mais voltado ao campo ideológico, o prefeito desconversa.
Questionado na entrevista coletiva, o prefeito nem se deu ao trabalho de rebater. "Quem responde isso (a temas relativos à política nacional) é a sociedade, o povo que vai avaliar (...) Temos que ter maturidade para cuidar da cidade, fomos eleitos para cuidar do povo e é isso que estou fazendo. Se (esse assunto) surgir lá na frente (num debate, por exemplo), vamos, estrategicamente, ter uma resposta".
TODOS CONTRA UM
O fato é que Pazolini, naturalmente, vai ser o alvo preferencial dos demais candidatos a prefeito de Vitória.
O Palácio Anchieta, leia-se Casagrande e aliados, trabalha, nos bastidores para fortalecer as campanhas de Coser e Luiz Paulo. Também tem simpatia por Camila Valadão (PSOL), embora ela não seja tão próxima ao governador quanto os outros dois.
Os casagrandistas, embora não ajudem, torcem até por um bom desempenho, desde que limitado, de Capitão Assumção. Como o deputado estadual, politicamente, está mais à direita que Pazolini, esperam que ele tire alguns votos do atual prefeito.
Não é à toa, portanto, o fato de Pazolini estar mais comedido. Durante a campanha eleitoral, ele vai ter que se esquivar e, por vezes, repelir, muitas investidas. Por enquanto, guarda energias e evita se expor mais que o necessário.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.