Após se aproximar do governador Casagrande, prefeito de Vitória quer "pacificar" relação com a vice. Militar da reserva da PM, entretanto, diz que nada mudou
Publicado em 24 de Fevereiro de 2023 às 02:10
Públicado em
24 fev 2023 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Lorenzo Pazolini e Capitã Estéfane, prefeito e vice-prefeita de VitóriaCrédito: Carlos Alberto Silva
O prefeito não aparecia em eventos do governo estadual. Estéfane, sim. Isolada – ela não contou com o endosso do chefe do Executivo municipal ao disputar uma vaga na Câmara dos Deputados – , a vice-prefeita buscou abrigo estratégico no Palácio Anchieta.
A coluna já registrou que até aliados de Pazolini avaliaram, após o pleito de 2022, que ele também tem uma fragilidade, o fato de não ter um grupo político para chamar de seu.
As eleições de 2024 vêm aí. O prefeito afirmou, nesta quinta-feira (23), à coluna que "não há conversa nem construção sobre isso", quando questionado se é pré-candidato à reeleição.
"Temos o compromisso de gerir a cidade. Não tem sentido nenhum falar disso agora", destacou Pazolini.
Seja como for, é melhor para um eventual candidato a prefeito não ter a máquina estadual trabalhando contra de maneira figadal.
Também é melhor para a população de Vitória que a administração da cidade mantenha ao menos um diálogo institucional com o governo do estado.
Politicamente, isso poderia diminuir a visibilidade da Capitã Estéfane que, até então, era o nome da prefeitura em eventos e diálogos palacianos.
Em conversa com a coluna nesta quinta, o prefeito afirmou querer "pacificar" também a relação com Capitã Estéfane. E até disse que as portas do Republicanos, partido pelo qual a vice foi eleita junto com Pazolini, estão abertas caso era queira voltar à legenda.
"O trabalho que eu tenho feito é de distensionamento, de evitar conflitos", contou o prefeito.
"De minha parte, não tem dificuldade em diálogo com ela. É a vice-prefeita eleita, tem nosso respeito e nosso carinho", complementou.
"Nosso sentido é buscar a pacificação. Ela é convidada para todos os eventos da prefeitura. Interage com os secretários e busca demandas. Houve uma eleição e ela se posicionou no tabuleiro, isso é da política", continuou o prefeito, minimizando as rusgas do passado recente.
A vice-prefeita afirmou à A Gazeta, ainda em novembro, que saiu do Republicanos por causa de Pazolini: "Como eu ia ficar em um partido em que eu estava sendo completamente esvaziada? Eu poderia ser impedida de disputar a eleição, porque é o partido que define isso, não sei se ele (Pazolini) iria exigir isso do partido".
Sem apoio do prefeito e com pouca estrutura, a candidatura dela a deputada federal teve desempenho tímido. A capitã recebeu 10.075 votos.
Para se ter uma ideia, o deputado federal eleito com menos votos no Espírito Santo, Messias Donato (Republicanos), foi escolhido por 42.640 eleitores.
"Tenho certeza que as portas do Republicanos estão abertas para ela (Capitã Estéfane) voltar", declarou o prefeito à coluna nesta quinta.
O presidente estadual do partido é o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso.
"NÃO MUDA NADA"
Já Capitã Estéfane avaliou que a aproximação entre Pazolini e Casagrande não deve alterar o relacionamento entre ela e o prefeito.
"Minha relação com o prefeito .... de minha parte, sempre busquei uma cordialidade. Mas permanece muito formal. Estritamente profissional e um pouco distante", revelou.
"É bom para a cidade que o prefeito tenha uma relação diplomática com o governo. Mas acredito que isso não muda nada na minha relação com o prefeito ou na minha relação com o governador", pontuou a vice-prefeita.
"Apoiei Casagrande (na eleição) por acreditar que era o melhor projeto para o Espírito Santo, considerando o outro candidato (Carlos Manato, do PL)", ressaltou.
Assim como Pazolini, ela prefere não falar sobre as eleições do ano que vem: "Minha prioridade é cumprir o meu mandato".
"Ainda não tenho um projeto. Fui muito prejudicada nos últimos dois anos por falta de espaço político", criticou.
"
Só tenho uma pessoa trabalhando comigo, minha secretária.
O prefeito exonerou as demais.
Eram cinco antes
"
Capitã Estéfane (Patriota) - Vice-prefeita de Vitória
A Lei Orgânica de Vitória não prevê mesmo uma estrutura administrativa para a vice-prefeitura. Mas é de praxe que o prefeito da ocasião destine alguns cargos comissionados ao número dois da gestão, alocados, por exemplo, na Secretaria de Governo.
O CASO DO MICROFONE
Pazolini e Capitã Estéfane estavam afastados havia tempos quando, no dia 9 de novembro de 2022, durante a apresentação do projeto do centro de convivência para pessoas idosas em Jardim Camburi, a vice-prefeita tentou discursar.
O prefeito a impediu de pegar o microfone.
A cena foi um tanto constrangedora. A vice apareceu chorando, depois, nas redes sociais e acusou Pazolini de tentar silenciá-la, não somente naquele episódio, mas "desde o início".
A partir daí, ela ganhou certa visibilidade e foi presença ainda mais constante no Palácio Anchieta.
No último dia 6 de fevereiro, Capitã Estéfane conseguiu discursar em um evento da Prefeitura de Vitória:
A vice-prefeita de Vitória, Capitã EstéfaneCrédito: Reprodução/Instagram Capitã Estéfane
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.