Os 42% que o socialista alcança no cenário estimulado (quando os nomes dos pré-candidatos são informados aos eleitores), sinalizam um segundo turno e ainda transformam-se em 23% no recorte espontâneo.
Nesse caso, 60% dos entrevistados responderam que não sabem ou preferem não opinar sobre em quem votar para governador do Espírito Santo.
É muita gente. Faltam cinco meses para o pleito do dia 2 de outubro e muito pode acontecer até lá. O levantamento não tem o condão de prever o resultado das urnas nesta altura do campeonato, apenas mostrar como está a situação hoje.
Casagrande lidera no quesito rejeição. Curiosamente, também foi citado por 23% quando a pergunta foi "em quem você não votaria de jeito nenhum". O ex-deputado federal Carlos Manato (PL) o segue bem de perto no quesito rejeição, com 21%.
O governador tem a máquina na mão e mais visibilidade apenas por comandar o Executivo estadual. Mas já perdeu uma eleição nessas mesmas condições, em 2014, quando foi batido por Paulo Hartung (então filiado ao MDB).
A ausência de Hartung no páreo, desta vez, facilita as coisas, mas não garante nada.
No cenário estimulado Casagrande tem 31 pontos percentuais de vantagem em relação aos segundos colocados, Manato e Fabiano Contarato (PT), que aparecem, cada um, com 11%.
No espontâneo, a vantagem diminui para 21 pontos. Do alto dos 23% de intenções de voto, o socialista vê Manato e Contarato mais uma vez empatados, mas com 2% cada um.
É curioso como o candidato que mais imita o discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL), Manato, e o que mais o rejeita publicamente, Contarato, andem lado a lado no imaginário dos eleitores, ao menos nos percentuais.
O FATOR CONTARATO
A pré-candidatura do senador petista se mostra competitiva e tem potencial para tirar votos do governador, uma vez que os dois são do campo da centro-esquerda.
A retirada de Contarato da jogada, algo que é estudado pelo PT como contrapartida na aliança nacional com o PSB, poderia beneficiar Casagrande, uma vez que dificilmente os votos do parlamentar migrariam para Manato.
Por outro lado, aliados do socialista avaliam que ter o apoio explícito do PT mais teria a atrapalhar do que ajudar, devido ao sentimento antipetista presente na sociedade.
Os percentuais sobre as intenções de voto para presidente da República no Espírito Santo, que também foram medidos pelo Ipec, vão ajudar a avaliar a questão.
Manato disputou o governo do estado em 2018 e ficou em segundo lugar. Não chegou ao segundo turno, mas tem certo recall. Ele já conta com o apoio do PTB na disputa deste ano.
AUDIFAX É COMPETITIVO
A pesquisa joga luz sobre o desempenho do ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos. Num partido pequeno como a Rede e ainda sem declaração de apoio de outros partidos – nem mesmo do PSOL, que vai formar federação com a Rede – ele alcançou 7% das intenções de voto no recorte estimulado do Ipec.
Considerando a margem de erro da pesquisa, que é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, Audifax está tecnicamente empatado com Manato e Contarato em segundo lugar.
Mas na pesquisa espontânea ninguém lembrou do nome dele. Apenas Casagrande, Manato e Contarato foram citados, o que demonstra que largam com mais força.
Por outro lado, Audifax tem menor rejeição: 12% disseram que não votariam nele de jeito nenhum. Manato é rejeitado por 21% e Contarato, por 19%.
GUERINO OU COLNAGO
Como o vice-governador César Colnago tenta se viabilizar na disputa pelo governo do Espírito Santo, a pesquisa simulou como seriam as coisas, hoje, se ele fosse o candidato do PSD no lugar do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, do mesmo partido.
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), tem 3% das intenções de voto no cenário principal (com Guerino entre os pré-candidatos). O próprio Erick já avaliou, quando foi anunciado pré-candidato, que tem o desafio de se tornar mais conhecido.
Apareceu em peças publicitárias que divulgavam o trabalho do Legislativo estadual, tem andado ao lado do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), mas os próprios aliados avaliam que ele pecou ao não percorrer mais o interior do estado.
Chama a atenção também a rejeição de Erick: 18% não votariam nele de jeito nenhum.
Como trunfo, ele tem o fundo eleitoral do Republicanos e o apoio de outras siglas, como o Patriota. Mas falta conquistar o eleitor.
O deputado conta com o suporte do União Brasil nacional na empreitada. Mas, por enquanto, marca apenas 2% das intenções de voto no cenário estimulado.
Tem 15% de rejeição. No mercado político, muita gente aposta que ele não vai ser candidato ao Palácio, no fim das contas. Rigoni evita falar em plano B.
ARIDELMO
Por fim, temos o candidato do Novo, Aridelmo Teixeira, em último lugar e com 1%. Ele é o menos rejeitado, 10% não votariam nele de jeito nenhum.
Aridelmo é ex-secretário da Fazenda da Prefeitura de Vitória na gestão Pazolini. É próximo ao ex-governador Paulo Hartung, assim como Guerino e Audifax.
ENFIM
O fato é que o jogo ainda está sendo jogado. A maioria das pessoas, infelizmente, se mantém alheia ao ano eleitoral, mesmo no ano eleitoral. Alguns despertam para a situação apenas após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.
Casagrande tem que ganhar terreno se não quiser ir para uma nova disputa, no segundo turno. Os demais têm que correr atrás de se mostrar alternativas viáveis e furar a bolha de rejeição.
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa eleitoral Rede Gazeta/Ipec foi realizada entre os dias 28 de abril e 1º de maio, com 608 entrevistas em 26 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-07066/2022, e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob protocolo BR-03442/2022.
Letícia Gonçalves
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.