Pesquisa Ipec: o real tamanho da vantagem de Renato Casagrande
Eleições 2022
Pesquisa Ipec: o real tamanho da vantagem de Renato Casagrande
Governador do ES seria reeleito em primeiro turno, se as eleições fossem hoje. O percentual de votos válidos destinados a ele chega a 68%, mas a campanha mal começou
Publicado em 17 de Agosto de 2022 às 19:54
Públicado em
17 ago 2022 às 19:54
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O governador Renato Casagrande lidera a corrida pelo Palácio Anchieta em todos os recortes feitos pelo IpecCrédito: Divulgação/Arte Geraldo Neto
Ele alcançou 52% das intenções estimuladas de voto. Quando se considera apenas os votos válidos – excluídos brancos, nulos e indecisos – o percentual vai a 68%.
O Ipec também fez esse recorte. É como a Justiça Eleitoral contabiliza o resultado.
Agora, frise-se: Casagrande venceria em primeiro turno, com margem confortável, se as eleições fossem hoje. A votação, entretanto, ocorre no dia 2 de outubro.
É inegável, claro, a ampla vantagem do socialista. Tem, considerando os votos totais, 42 pontos a mais em relação ao segundo colocado mais imediato, o ex-deputado federal Carlos Manato (PL).
Nos votos válidos, a distância é ainda maior: 55 pontos.
Não se pode comparar este levantamento com o anterior, publicado em maio, em que Casagrande aparecia com 42% das intenções estimuladas (votos totais), no sentido de que não é possível dizer que ele cresceu 10 pontos de lá pra cá.
Isso porque, em maio, o cenário era outro. A pesquisa incluía candidatos que já não estão na disputa e não registrava nomes que entraram no páreo depois.
Ouso apostar, entretanto, que a saída do senador Fabiano Contarato (PT) favoreceu Casagrande, como, certamente, foi o objetivo da aliança local entre petistas e socialistas.
O senador, assim como o governador, é um representante da centro-esquerda. A candidatura dele dividiria os votos dos eleitores simpáticos a esse segmento.
Manato é um candidato de direita, ligado ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), este de extrema direita.
Contarato, por sua vez, já disse que "sempre foi petista", e é um apoiador do ex-presidente Lula (PT). Dificilmente os eleitores que optariam por Contarato migrariam para o ex-deputado federal.
Outros candidatos de direita, o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), e o deputado federal Felipe Rigoni (União Brasil), que desistiram de concorrer ao Palácio Anchieta, não tinham muitas intenções de voto a transferir. Um aparecia com 3% e outro com 2%, respectivamente, no primeiro levantamento.
O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede), embora tenha ressaltado não querer "nacionalizar" a eleição, fez diversos acenos ao eleitor conservador na pré-campanha. Por enquanto, isso não se refletiu em entusiasmo eleitoral.
O mesmo se pode dizer do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD).
Audifax tem 7% no novo Ipec; Guerino, 5%.
Em maio, a coluna registrou que o ex-prefeito da Serra era competitivo. Vai precisar de mais fôlego.
*O cálculo dos votos válidos exclui as menções aos votos brancos, nulos e indecisos, considerando para a base de cálculo do percentual somente os votos atribuídos aos candidatos
A campanha começou em 16 de agosto, no último dia de entrevistas da pesquisa. Somente a partir daí os candidatos puderam passar a pedir votos diretamente.
O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV vai ao ar somente no dia 26.
Obviamente, os postulantes ao Palácio Anchieta estavam em polvorosa nas redes sociais há tempos. Isso sem contar o noticiário sobre a pré-campanha.
O eleitor, por sua vez, muitas vezes passa ao largo disso tudo e deixa para pensar na eleição mais perto da data em que deve se dirigir ao local de votação.
A eleição para a Presidência da República é uma exceção. As toalhas de Bolsonaro e Lula são prova disso.
Os adversários, que veem Casagrande em confortável dianteira, têm pouco mais de 40 dias para tentar levar a disputa para o segundo turno.
O governador, como a coluna mostrou, tem a maior aliança partidária, apoio da maioria dos prefeitos e dos deputados. E a máquina pública nas mãos. É um páreo duro de bater.
Mas a campanha está aí para fazer efeito. Uma mostra disso é que, na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são previamente apresentados aos entrevistados, Casagrande ainda tem vantagem, com 23%. O segundo lugar, Manato, tem 5%. Na espontânea, estamos falando de votos totais, incluindo brancos, nulos e indecisos.
Aí 54% responderam que não sabem ou que preferem não opinar quanto à eleição para o governo do estado.
"(Casagrande) tem vantagem competitiva folgada, mas não está garantida uma vitória no primeiro turno", afirma a CEO do Ipec, Márcia Cavalllari.
"Ele tem uma rejeição que não é alta (...) Se a eleição fosse hoje ele ganharia em primeiro turno, mas não podemos projetar o resultado de hoje para o dia 2 de outubro", ressaltou. "Temos que acompanhar durante a campanha", complementou.
Os concorrentes já apresentaram algumas armas, figurativamente falando. Manato aposta, além da associação ao presidente da República, em um plano de governo com foco nas áreas da saúde e na redução da pobreza.
Guerino, que ficou isolado no quesito alianças, apela à radicalização do discurso para conquistar parte do eleitorado bolsonarista, batendo de frente com Manato. Ele também se mostra como gestor experiente e é um aliado do ex-governador Paulo Hartung.
Capitão Sousa, Aridelmo e Cláudio Paiva seguem com poucas chances.
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa eleitoral Rede Gazeta/Ipec foi realizada entre os dias 14 de agosto e 16 de agosto, com 608 entrevistas em 24 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa.
As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-09385/2022, e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob protocolo BR-07979/2022.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.