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Câmara de Vitória

Piquet X Aridelmo + Pazolini: o que está por trás da treta

Presidente da Câmara de Vitória criticou secretário municipal de Governo publicamente. Depois, os ânimos acalmaram. Parece picuinha, mas, nos bastidores, há outros descontentamentos

Publicado em 06 de Julho de 2023 às 02:10

Públicado em 

06 jul 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Aridelmo Teixeira e Lorenzo Pazolini
Aridelmo Teixeira e Leandro Piquet Crédito: Instagram/@delegadopiquet
Não é de hoje que o presidente da Câmara de Vitória, Leandro Piquet (Republicanos), não morre de amores pelo secretário municipal de Governo, Aridelmo Teixeira (Novo).
No episódio do veto do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao reajuste aos salários dos vereadores Piquet saiu indignado de uma reunião após se sentir chamado de "mentiroso" pelo secretário. E chegou a revelar, em discurso, que o próprio Aridelmo havia participado da articulação para a aprovação do projeto do reajuste. Daí a surpresa dos parlamentares quando o veto chegou à Casa.
Já nesta quarta-feira (5), durante a sessão da Câmara, o presidente criticou o secretário publicamente. Isso porque o ofício que marcou a data da prestação de contas de Pazolini aos vereadores foi assinado por Aridelmo e não pelo próprio prefeito. 
"Quem foi eleito? Aridelmo ou Pazolini? Esta Casa merece respeito!", bradou Piquet.
"O Aridelmo é bom na gestão de empresas. Na política, está ruim!"
Leandro Piquet (Republicanos) - Presidente da Câmara de Vitória
O integrante do Novo é empresário e foi secretário da Fazenda de Pazolini. Desde março, chefia a articulação política da Prefeitura de Vitória.
Pazolini vai à Câmara no próximo dia 12, às 9h30. A Lei Orgânica municipal diz que o prefeito deve "apresentar relatório sobre sua administração e responder a indagações dos vereadores" semestralmente.
Essa prestação de contas está até atrasada, uma vez que já estamos no segundo semestre de 2023, mas este é outro assunto.
No início da noite desta quarta, conforme a coluna apurou, os ânimos entre Piquet e Aridelmo arrefeceram.
O problema, porém, vai além de uma aparente picuinha entre os dois.
Como registrei em janeiro, a eleição de Piquet à presidência da Câmara de Vitória foi melhor para Pazolini do que o cenário anterior, em que Armandinho Fontoura (sem partido) assumiria o comando do Legislativo.
Afinal, o atual presidente e o prefeito são do mesmo partido e têm a mesma profissão: delegado da Polícia Civil.
Mas, de acordo com pessoas próximas a Piquet, a relação entre os chefes dos Poderes municipais não está boa.
O presidente da Câmara não concedeu entrevista. Pazolini e Aridelmo, tampouco.
O fato é que Pazolini não se empenhou na campanha de Piquet em 2022, quando este disputou uma vaga na Assembleia Legislativa e não foi eleito.
Essa é uma queixa comum entre integrantes do Republicanos. O prefeito respondeu à coluna sobre isso, em outra ocasião, e frisou que se dedicou à gestão da cidade e, aos finais de semana, à campanha do correligionário Erick Musso, que disputou o Senado, também sem sucesso.
Hoje, Erick preside o Republicanos estadual e tenta reaproximar Piquet e Pazolini. 
O último compromisso público entre os dois ocorreu em 28 de maio, um dia antes do fatídico veto ao projeto do reajuste salarial, na inauguração de um parque infantil na Praia do Canto, reduto do presidente da Câmara. 
Enquanto isso, Piquet é incensado por vereadores aliados e, mais recentemente, pela oposição ao prefeito. 
Leandro Piquet e Lorenzo Pazolini
Leandro Piquet e Lorenzo Pazolini Crédito: Instagram/@delegadopiquet
O vereador Vinícius Simões (Cidadania), por exemplo, foi ao Instagram, nesta quarta, chamar Piquet de "líder que resolveu enfrentar o autoritarismo do atual prefeito".
É um cenário ruim para Pazolini prestar contas na semana que vem? Poderia ser melhor. Mas o chefe do Executivo tem o apoio da maioria dos parlamentares.
Via de regra, o prefeito, seja qual for o prefeito, consegue passar pela série de perguntas sem maiores percalços.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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