Em 2024, senador proibiu o PL-ES de coligar com partidos de centro-direita, que chamou de "direitinha". Agora, prega "a unidade da base conservadora"
Publicado em 25 de Março de 2025 às 03:05
Públicado em
25 mar 2025 às 03:05
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Reunião entre Da Vitória (de camisa amarela), Magno Malta (de camisa branca) e outros integrantes do PP e do PL em Vila VelhaCrédito: Divulgação
Após se reunir com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, o senador Magno Malta, que comanda o PL no Espírito Santo, sentou-se à mesa com o presidente estadual do Progressistas (PP), Da Vitória. Na última quinta-feira (20), os dois se encontraram no escritório do senador, em Vila Velha.
Eles dialogam corriqueiramente em Brasília, uma vez que Da Vitória, deputado federal, é o líder da bancada do Espírito Santo. Mas PL e PP, em 2024, ficaram afastados, por decisão do senador.
O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro lançou 50 candidatos a prefeito no estado e elegeu apenas cinco, em cidades pequenas. Agora, a estratégia mudou.
De acordo com o senador, o objetivo é "dialogar com outras siglas de direita e centro-direita que compartilham do compromisso de barrar a agenda da esquerda e fortalecer um projeto político sólido para 2026".
"Nossa intenção é a unidade da base conservadora", reforçou Magno, em nota enviada à coluna na segunda-feira (24).
Não quer dizer que PL e PP vão estar juntos na eleição do ano que vem, quando os cargos de governador e senador, por exemplo, estarão em disputa. Mas considerando o "climão" após a disputa do ano passado, a reunião entre Magno e Da Vitória é digna de registro e de análise.
"2026 é outro projeto. Até lá, temos que deixar aberto o espaço de diálogo com todos, pois sempre pode haver composição entre lideranças que um dia estiveram afastadas. O tempo conserta e modifica as coisas", afirmou Da Vitória à coluna.
De diálogo com forças antagônicas o PP entende, já que é aliado também do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), adversário do grupo casagrandista.
"Magno está com um pensamento diferente (do de 2024) para 2026, quer estreitar relacionamentos no estado. A conversa foi muito boa", contou o deputado federal.
"Ele, assim como eu, acredita que é preciso esperar o cronograma da eleição de 2026. Está tudo muito antecipado", avaliou Da Vitória.
O presidente estadual do PL quer emplacar nomes na Câmara dos Deputados e no Senado e preparar o terreno para a vitória de um candidato bolsonarista à Presidência da República.
E não descarta lançar um nome ao Palácio Anchieta.
O PP, que está prestes a formar uma federação com o União Brasil, também sonha alto. O próprio Da Vitória é um possível candidato ao Senado.
FILHA DE MAGNO MALTA PARA O SENADO
Aliás, quanto ao Senado, o PL-ES havia lançado há tempos o deputado federal Gilvan da Federal como pré-candidato ao Senado. Mas, de acordo com integrantes do PL e até de outros partidos de direita, o parlamentar deve ser candidato à reeleição, o que conta com o aval do próprio Jair Bolsonaro.
Questionado pela coluna se pretende disputar o Senado ou a Câmara em 2026, Gilvan respondeu que está "sob o comando do presidente Jair Bolsonaro". "A missão que ele determinar eu irei cumprir".
O presidente estadual do PL, enquanto isso, elenca a própria filha, Magda Santos Malta, a Maguinha Malta, como possível candidata ao Senado.
"Internamente, já surgem discussões sobre nomes que podem representar o projeto no Senado. Entre as possibilidades levantadas, o nome da Maguinha, minha filha, tem sido mencionado", afirmou Magno, em nota.
Pode ser apenas uma forma de cacifar a herdeira para concorrer, na verdade, à Câmara dos Deputados. Veremos.
De acordo com uma fonte da coluna, o plano de Jair Bolsonaro e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é lançar apenas um candidato bolsonarista ao Senado em cada estado, embora sejam duas as vagas em disputa.
E é aí que os caminhos de PL e PP se encontram, ou se chocam.
Sim, Evair é do mesmo partido de Da Vitória. O Progressistas pode lançar somente um candidato ao Senado. Além disso, Evair faz oposição a Casagrande, ao contrário do presidente estadual e da maioria dos integrantes do PP-ES.
Evair se coloca à disposição para disputar "qualquer cargo" e há quem aposte que, no fim das contas, vai concorrer à reeleição mesmo.
São muitas arestas a aparar até 2026.
Em algum momento, o PP, hipertrofiado pelo reforço do União Brasil, vai ter que escolher um lado.
Da Vitória, otimista, acredita até em uma possível aliança entre o Republicanos de Pazolini e o PSB de Renato Casagrande em 2026, o que seria improvável.
Mas uma eventual parceria entre o PL e os casagrandistas pode ser considerada impossível.
A principal estratégia e o combustível do Partido Liberal, afinal, é se apresentar como oposição à esquerda e à centro-esquerda.
Até o ano passado, o PL-ES rechaçava também as siglas de centro-direita que se alinham pontualmente à esquerda, como o PP, que faz parte do governo Casagrande e do governo Lula (PT), embora abrigue parlamentares de oposição.
Pragmaticamente, Magno Malta flexibilizou esse dogma.
CENA POLÍTICA
O deputado federal Gilvan da Federal, ao centro da foto, com a bandeira do Brasil no ombro e a "farda" originalCrédito: Divulgação/PMES
Por falar em Gilvan, a coluna não pôde deixar de notar a nova indumentária do deputado federal. Conhecido por aparecer em público com uma bandeira do Brasil pendurada no ombro, o parlamentar participou de uma solenidade no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, na última sexta-feira (21), com este e outros adereços.
A ocasião foi a entrega de viaturas para a PM, compradas com verba de emenda captada pelo deputado. Gilvan vestiu uma roupa camuflada que imita estampa militar e colou, nos braços, símbolos da corporação, como a logo da antiga Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam).
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.