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Eleições 2024

PL está em ao menos dez coligações "proibidonas" no ES

Na prática, ofício assinado por Magno Malta não impediu a sigla de dar as mãos ao Republicanos, ao PP — chamados pelo senador de "direitinha" —, e até ao PDT em algumas cidades capixabas

Publicado em 16 de Agosto de 2024 às 03:00

Públicado em 

16 ago 2024 às 03:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Magno Malta durante discurso no plenário do Senado Federal
Magno Malta durante discurso no plenário do Senado Federal Crédito: Pedro França/Agência Senado
Apesar da proibição imposta em ofício assinado pelo senador Magno Malta, presidente estadual do PL, o partido coligou, em ao menos dez cidades do Espírito Santo, com siglas como PP, Republicanos e outras "de espectro político à esquerda".
As coalizões foram formadas para eleger prefeitos em 2024 e estão registradas na Justiça Eleitoral.  Sim, Magno barrou até PP e Republicanos, que congregam, majoritariamente, políticos de direita e centro-direita. Para o senador, eles são a "direitinha".
Em São Gabriel da Palha, única cidade capixaba em que, atualmente, o PL tem um prefeito, entretanto, Tiago Rocha vai em busca da reeleição com o apoio, além do PL, de Republicanos, Podemos, PRD, PRTB, PSDB, Cidadania e Novo.
Ele quase completou uma cartela de bingo de tantas pedras cantadas que representam os partidos proibidos. 
"Fica vedada a participação do Partido Liberal (PL), em coligações para as eleições majoritárias com a Federação Brasil da Esperança (PT, PC do B e PV), Federação PSOL-REDE; PSB, PP, REPUBLICANOS, UNIÃO BRASIL, PSD, PRD, PODEMOS, e demais agremiações partidárias de espectro político à esquerda em todo território estadual nas eleições de 2024", diz o ofício assinado por Magno em 8 de agosto de 2024.
Aliás, nessa data, o período para realização de convenções partidárias havia acabado e a coligação de Tiago Rocha já estava consolidada. 
Na quinta-feira (15), último dia para registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, nada havia mudado. 
Numa interpretação plausível do conceito de "espectro político à esquerda", sob o ponto de vista de Magno Malta, PSDB e Cidadania também entram no Index Proibitorum.
Enquanto isso, em Muqui, o ex-vereador Camarão (PL) é candidato a prefeito tendo como vice na chapa o tucano Zé Marcos. A coligação "Unidos por Muqui" é formada por Republicanos, PP, PL, Agir, PSDB e Cidadania.
Em Alegre, o PL não tem candidato a prefeito, mas trabalha pela reeleição de Nirrô (PP) e integra a coalizão batizada de "Alegre no rumo certo" (Republicanos, PP, PDT,  MDB,  Podemos, PL, PRD, PSDB e Cidadania).
A vice na chapa de Nirrô é Professora Kaydman, do PSDB. E observem que a coligação conta com o PDT, partido inegavelmente de centro-esquerda.
Em Boa Esperança, o Partido Liberal está no palanque de Cláudio Boa Fruta (PRD). A coligação "Gestão, Trabalho e compromisso com o povo" é composta por Republicanos, PP, PL, PRD, Agir, União, PSD, Avante.
O vice de Boa Fruta é o empresário Parrudo, do União Brasil. Parrudo é o nome de urna de Amarildo Teixeira Lage,
RAIO-X
Em quatro cidades do Espírito Santo, o PL está de mãos dadas, ao mesmo tempo, com Republicanos e PP: Alegre, Boa Esperança, Irupi e Muqui.
Em Ibatiba, Iúna e Marechal Floriano, o PL está na mesma coligação que o PP.
Em São Gabriel da Palha, como já mencionado aqui, permanece ao lado do Republicanos.
Em quatro cidades capixabas, o PL apoia formalmente candidatos filiados aos "proibidões" PP ou PRD: Boa Esperança, Alegre, Irupi e Marechal Floriano.
De acordo com a página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que exibe estatísticas de candidaturas em todo o país, até as 19h30 de quinta-feira (15) o PL havia registrado 50 candidatos a prefeito em cidades do Espírito Santo.
Desses, 29 estão isolados (sem coligação), contam apenas com o próprio PL, e 21 têm parcerias com outras siglas.
Ao todo, o PL participa de 25 coligações no estado. Veja a lista no final deste texto.
Dados da candidatura de Tiago Rocha, prefeito de São Gabriel da Palha, em 2024
Dados da candidatura de Tiago Rocha, prefeito de São Gabriel da Palha, em 2024 Crédito: Reprodução/Divulgacand
"Desde o ano passado, tenho sido enfático ao afirmar que não faremos alianças com partidos de esquerda, nem com aqueles que, embora se identifiquem como de direita, possuam vínculos que possam comprometer nossa identidade e nossos princípios (...) não houve alteração na conduta do partido", afirmou Magno Malta, em nota enviada à coluna no dia 9 de agosto.
O senador destacou que a proibição "não deveria causar surpresa" a ninguém. 
A lista de partidos proibidos, porém, irritou até integrantes do próprio PL que, nos bastidores, acusam Magno de "sectarismo" ou de isolar propositalmente o partido para garantir candidaturas de familiares do próprio senador em 2026.
Há ainda quem avalie que a decisão de proibir serve mais como "desculpa" para explicar o isolamento no qual o partido fatalmente cairia ao lançar tantos candidatos a prefeito em 2024 no estado. Não à toa, 29 dos 50 não têm coligação.
Vê-se, entretanto, que, na prática, o ofício "não pegou" em 40% das coligações firmadas pelo Partido Liberal no estado (dez, entre 25).
O PL nacional também barrou algumas alianças. Só que de forma menos abrangente que a adotada por Magno Malta. 
No Espírito Santo, não houve descumprimento a essa regra.
GRANDE VITÓRIA
Nas cidades da Grande Vitória, que têm um eleitorado maior e onde a disputa municipal ganha mais visibilidade, o PL não incorreu em coligações proibidonas e, assim, seguiu tanto a cartilha de Valdemar quanto a de Magno Malta.
Na Capital, por exemplo, o partido lançou o deputado estadual Capitão Assumção, com uma coligação modesta, formada, além do PL, pelos nanicos Agir e Mobiliza.
Em Vila Velha, a parceria do PL é, mais uma vez, só com o PRTB. Coronel Ramalho (PL) disputa a prefeitura canela-verde com chapa puro-sangue. 
Na Serra, o candidato do PL a prefeito é o vereador Igor Elson, que nem tem coligação, está isolado. 
O mesmo ocorre com o deputado estadual Danilo Bahiense (PL), candidato a prefeito de Guarapari. 
Em cidades maiores do interior, como Cachoeiro de Itapemirim, Linhares e Colatina, o PL também seguiu o script imposto por Magno Malta. Nessas cidades, coligou apenas com o PRTB.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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