Por que o PDT de Weverson quer distância do PT na Serra
Eleições 2024
Por que o PDT de Weverson quer distância do PT na Serra
Pedetista disputa o 2° turno contra Pablo Muribeca (Republicanos) e teme perder votos entre eleitores autodeclarados conservadores
Publicado em 13 de Outubro de 2024 às 03:00
Públicado em
13 out 2024 às 03:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Weverson Meireles comemora a votação recebida no último dia 6Crédito: Fernando Madeira
O PDT do candidato a prefeito da Serra Weverson Meireles quer distância do PT na disputa pelo segundo turno na cidade. O pedetista enfrenta Pablo Muribeca (Republicanos) nesta etapa do pleito.
PT e PDT têm, no país e no estado, um histórico juntos, salvo entreveros pontuais. Em Vitória, por exemplo, este ano mesmo o PDT compôs a coligação de João Coser (PT).
Na nota enviada à imprensa, contudo, o o presidente municipal do PDT, Alessandro Comper, fez questão de ressaltar que, desde 2012, os dois partidos não têm coligado entre si na Serra:
“Em 2012, o PT participava ativamente da administração municipal de Serra, liderando o governo na Câmara durante todo o mandato. Dormimos como aliados e, de repente, acordamos e eles estavam na chapa como vice de Audifax Barcelos, sem terem dado qualquer explicação ou mantido conversas prévias”.
Outro lembrete constante na nota: o atual prefeito, Sérgio Vidigal, principal apoiador de Weverson e presidente estadual do PDT, em 2016, votou a favor do impeachment da então presidente da República, Dilma Rousseff (PT).
Ideologicamente, PT e PDT estão no mesmo campo, o da esquerda ou centro-esquerda.
O Partido dos Trabalhadores, especificamente, é alvo de muita rejeição por parte dos eleitores.
E a candidatura de Roberto Carlos, no primeiro turno, ajudava a afastar a lembrança de que o PDT integra o governo Lula (PT). Mas o Republicanos de Muribeca também faz parte da gestão petista.
Até agora, questões envolvendo espectros políticos não foram determinantes na corrida pela prefeitura.
Tanto que o candidato do PL, maior adversário do PT, teve um desempenho tímido na disputa. Candidato a prefeito do Partido Liberal, Igor Elson recebeu 18.751 votos (7,66%) e ficou em quarto lugar.
Roberto Carlos saiu-se ainda pior, ficou em quinto, com 7.513 votos (3,07%).
Weverson foi o mais votado (97.087 votos ou 39,66%), seguido por Muribeca (61.690 votos ou 25,20%).
O eleitorado na Serra é majoritariamente evangélico, público sobre o qual políticos de direita, que se dizem conservadores, têm prevalência.
Vidigal é evangélico, filiado ao PDT desde sempre, e transita bem entre esse público, assim como o ex-prefeito Audifax Barcelos (PP) transitava quando integrava o PDT, o PSB e a Rede.
Mas reviravoltas acontecem, principalmente quando dois fatores entram em cena: desinformação e preconceito.
Detratores de Weverson têm ressaltado em grupos de WhatsApp que o plano de governo dele "fala de LGBT" e de "ideologia de gênero nas escolas".
Na verdade, o plano, registrado na Justiça Eleitoral desde o primeiro turno, menciona que na Serra há um Fórum LGBT e que, de acordo com o IBGE, 10% da população se reconhece como LGBT.
O plano prevê o "Projeto Cidadania nas Escolas e nas Comunidades", que seria "ampliar, promover e abordar temas como igualdade, diversidade, não discriminação, assédio, respeito mútuo".
Aparentemente, apostando numa homofobia velada, ou não tão velada assim, por parte dos eleitores conservadores, críticos do pedetista estão espalhando que igualdade, diversidade e respeito mútuo são coisas perigosas.
Outro trecho do plano que tem sido compartilhado é o que cita um programa para evitar casos de violência contra as mulheres, apelando à conscientização dos homens.
"Projeto Eles por Elas: implantar e implementar grupos reflexivos com homens proporcionando a eles um espaço de diálogo para que possam repensar as relações de gênero, suas vivências cotidianas, produzindo outros significados sobre a construção das masculinidades".
Fazer um homem refletir que não é "papel de homem" bater em mulher agora virou tabu.
Enfim, é neste contexto que o PDT tenta se afastar do PT, um partido, em tese, progressista, para que esses "argumentos" não calem fundo no eleitorado evangélico.
Cabe ressaltar que nem todo evangélico é retrógrado, homofóbico ou passível de ser manipulado.
Mas a "isca" foi jogada.
Lauriete, Weverson Meireles e Sérgio VidigalCrédito: Instagram/@weversonmeireles
Como contra-ataque, além de o PDT rechaçar o PT publicamente, Weverson publicou um vídeo no qual recebe o apoio da cantora gospel e ex-deputada federal Lauriete.
Mais um aceno ao eleitorado evangélico.
No vídeo, Lauriete diz que Weverson "defende os valores cristãos e é a melhor opção para a Serra".
ERICK MUSSO: "TENTATIVA DE LUDIBRIAR O ELEITOR"
À coluna, o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, afirmou que a nota do PDT negando o apoio do PT é "uma tentativa de ludibriar o eleitor. Todo mundo sabe que PT e PDT são irmãos gêmeos":
"É uma tentativa de dizer que eles (pedetistas) não são esquerda. Um homem público tem que assumir o que é".
PDT E REPUBLICANOS ESTÃO NO GOVERNO LULA
O PDT integra o governo Lula (PT). Carlos Lupi, presidente nacional do partido, é ministro da Previdência Social.
Mas o Republicanos de Muribeca também está no primeiro escalão de Lula.
O deputado federal Silvio Costa Filho, filiado ao partido, comanda a pasta de Portos e Aeroportos.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.