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Partido de Casagrande

Por que o PSB decidiu lançar Tyago Hoffmann à Prefeitura de Vitória

Martelo foi batido na noite da última segunda-feira (7).  "Falem o que quiser, minha candidatura é para valer", afirmou o deputado à coluna. O esperado era que os socialistas apoiassem João Coser (PT). Veja os motivos da guinada

Publicado em 10 de Agosto de 2023 às 02:10

Públicado em 

10 ago 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Deputado estadual Tyago Hoffmann
Deputado estadual Tyago Hoffmann Crédito: Ellen Campanharo/Ales
Em reunião da Executiva estadual realizada na noite da última segunda-feira (7), o PSB bateu o martelo, sem alarde, sobre os nomes que pretende lançar na disputa por prefeituras de cidades do Espírito Santo em 2024. Entre eles, está o deputado Tyago Hoffmann, que exerce o primeiro mandato na Assembleia Legislativa.
Hoffmann foi titular de três secretarias nos governos de Renato Casagrande (PSB). Quando comandou a pasta de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento, foi uma espécie de supersecretário e um dos homens mais fortes da gestão. No Legislativo, é vice-líder de Casagrande. 
No ano que vem, de acordo com o presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, Hoffmann vai em busca da Prefeitura de Vitória. O movimento mais esperado era que os socialistas apoiassem outro deputado estadual, João Coser, do PT, que é dado como certo na corrida.
Afinal, PT e PSB são parceiros nos governos federal e estadual. E, na Capital, poderiam se juntar contra o atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que não integra o grupo aliado a Casagrande.
Por que o partido do governador prefere lançar um nome próprio? "Time que não joga não ganha jogo. Temos simpatia pela candidatura do Coser, mas a gente quer jogar também", afirmou Gavini.
O jogo, entretanto, envolve várias peças. Obviamente, o governador foi consultado e deu o aval para a decisão da Executiva estadual. 
A coluna avalia, abaixo, os principais motivos para a guinada do partido de Casagrande em Vitória. Mas, antes, faz o registro do que diz o principal personagem desta história:
"Falem o que quiser, minha candidatura é para valer "
Tyago Hoffmann (PSB) - Deputado estadual
O presidente estadual do PSB fala da possibilidade de apoiar Coser apenas no segundo turno. "Se o Coser for para o segundo turno com outro candidato, estaremos ao lado do Coser", cravou. 
Mas, no PT, e até no próprio PSB, há quem aposte que os socialistas vão recuar e fechar uma parceria ainda no primeiro turno. Tendo a pré-candidatura de Hoffmann posta, vão poder retirá-la e, em contrapartida, exigir, por exemplo, espaço de vice na chapa do PT.
É uma estratégia comum dos partidos em geral. Tyago Hoffmann, cabe frisar, rechaça totalmente essa hipótese.
DE OLHO NO FUTURO
Indo ou não à frente, a pré-candidatura de Tyago Hoffmann dá visibilidade ao deputado estadual que, embora tenha anos de estofo político e experiência no Poder Executivo, assumiu o primeiro cargo eletivo em fevereiro de 2023. 
O próprio Gavini deixou escapar que um dos objetivos é "preparar um quadro técnico e político bom como o Tyago para desafios futuros".
O plano do próprio Hoffmann, até então, era se lançar candidato a deputado federal em 2026.
SEGUNDO TURNO
Outra hipótese que a coluna ouviu nos bastidores é de que a entrada do aliado de Casagrande no páreo ajudaria Coser, na medida em que forçaria um segundo turno, garantindo que o petista tivesse mais uma chance contra Pazolini.
Mas, para esse raciocínio fazer sentido, os adversários do prefeito de Vitória teriam que supor que ele, sem Hoffmann na corrida, seria reeleito facilmente no primeiro turno.
Esse, porém, não é um prognóstico consensual.
Primeiro porque o deputado estadual não foi um fenômeno de votos em Vitória, a votação dele foi pulverizada. Hoffmann é de Guarapari. Logo, por que justo ele seria o responsável por garantir o segundo turno? 
Há outros possíveis candidatos a prefeito de Vitória que poderiam exercer essa função, como o atual secretário estadual de Segurança Pública,  coronel Alexandre Ramalho (Podemos), que, pela trajetória profissional na PM, tem mais potencial para tirar votos do delegado Pazolini.
Outro possíveis candidatos a prefeito estão na federação PSDB-Cidadania: Luiz Paulo Vellozo Lucas, Mazinho dos Anjos, Sergio Mageski, Luciano Rezende e Fabrício Gandini. A federação só pode lançar um nome. Gandini já está de saída, negocia com o PSD. 
Camila Valadão é cotada para disputar pelo PSOL.
Assim, suponhamos que no pleito haja Pazolini — que ainda não declarou ser pré-candidato à reeleição, mas certamente é — e ao menos outros quatro candidatos. Já não seria suficiente para haver segundo turno? 
GRANDE VITÓRIA
O PSB já está do lado dos atuais prefeitos das principais cidades da Grande Vitória, Arnaldinho Borgo (Podemos), em Vila Velha; Euclério Sampaio (União Brasil), em Cariacica; e Sérgio Vidigal (PDT), na Serra.
Sobra somente a Capital, portanto, para o partido tentar obter uma vitrine municipal.
"Não sou uma marionete para ser usado em negociação política "
Tyago Hoffmann (PSB) - Deputado estadual
Em entrevista à coluna na noite desta quarta-feira (9), Tyago Hoffmann garantiu que não topou ser lançado como pré-candidato somente para dar ao PSB um lugar privilegiado na negociação político-eleitoral:
"Em nenhuma hipótese eu aceitaria isso. Aceitei porque é para valer. Não serei uma candidatura aventureira".
A dúvida paira no ar porque a mais recente parceria entre PT e PSB no Espírito Santo se consolidou a partir de 2022, quando os petistas desistiram de lançar o senador Fabiano Contarato ao governo para apoiar Casagrande. Agora, o PT poderia esperar uma contrapartida.
" Não tem nenhum acordo com o PT que impeça o PSB de ter uma candidatura "
Tyago Hoffmann (PSB) - Deputado estadual
"Eu respeito muito o João Coser. Mas é legítimo, pessoal e partidariamente, que o PSB construa um projeto alternativo à atual gestão", ponderou Hoffmann.
Isso não quer dizer, contudo, que o PSB vai ter candidato próprio haja o que houver.
"Não sou candidato a qualquer custo, não sou candidato de mim mesmo. Estou animado e convencido que posso ser uma candidatura competitiva. Só serei candidato, obviamente, se a candidatura for competitiva", admitiu o pré-candidato socialista.
Ser competitivo significa obter apoio político e, principalmente, intenções de voto.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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