"Por que Vandinho e aliados estão desesperados para comandar a Assembleia?", provoca Denninho
Mesa Diretora
"Por que Vandinho e aliados estão desesperados para comandar a Assembleia?", provoca Denninho
Deputado estadual eleito critica Hudson Leal (Republicanos) e Theodorico Ferraço (PP), fiéis escudeiros de deputado do PSDB. Denninho está ao lado de Marcelo Santos
Publicado em 26 de Janeiro de 2023 às 14:26
Públicado em
26 jan 2023 às 14:26
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Denninho Silva, vereador de Vitória e deputado estadual eleitoCrédito: Câmara de Vitória
Os deputados estaduais Theodorico Ferraço (PP) e Hudson Leal (Republicanos) são os mais próximos a Vandinho Leite (PSDB) na tentativa do tucano de se eleger presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
Tanto Ferraço quanto o deputado do Republicanos apelaram, nas entrevistas para a coluna, à "consciência" dos colegas de plenário que, segundo eles, já haviam declarado apoio a Vandinho e estariam sendo pressionados pelo governo a mudar para o lado de Marcelo.
"Estou muito chateado com as declarações do Hudson, do Ferraço e do Vandinho, que desrespeitaram os deputados escolhidos pelo povo", afirmou o deputado estadual eleito Denninho Silva (União Brasil), nesta quinta-feira (26). Ele é do time de Marcelo Santos.
"Não é por que o governador botou a mão, não (que decidiu apoiar Marcelo). É questão de confiança e de diálogo", complementou.
"Não enganamos ninguém. Foram eles que tentaram nos enganar. Pegaram assinatura (dos deputados eleitos e reeleitos) dizendo que era para formar um blocão que dividiria os espaços nas comissões (as comissões temáticas da Assembleia, como Saúde, Educação e Justiça). E que o grupo não tinha candidato à presidência da Assembleia", contou Denninho, que está entre os integrantes do blocão.
"Por trás, estavam fazendo esse movimento para entubar o Vandinho para cima da gente, sem nem dialogar"
"Acho truculentas as declarações de Vandinho, Hudson e Ferraço. Estão querendo desmoralizar pessoas como eu, dizendo que não temos honra, não temos compromisso", ressaltou Denninho.
O deputado estadual eleito, vereador de Vitória até o próximo dia 31, é primo do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (União Brasil). Este, por sua vez, é aliado de Marcelo Santos. Denninho também integra a base casagrandista.
"Vandinho se transformou. Antes, falava manso. Agora está arrogante aí. Por que o desespero de tomar a presidência?", provocou o deputado do União Brasil.
"Por que Hudson, Ferraço e Vandinho estão desesperados para tomar a presidência de qualquer jeito?", prosseguiu.
A coluna tenta, há dias, falar com Vandinho, sem sucesso. Theodorico Ferraço mantém-se distante politicamente de Marcelo Santos há tempos. Logo, é natural que abrace um palanque diverso do dele.
Já Hudson transformou-se numa espécie de braço direito de Vandinho e não vai abandoná-lo no meio do caminho.
Os dois garantem que o tucano tem condições de lançar uma chapa para a Mesa Diretora da Assembleia e concorrer contra Marcelo, quebrando a tradição de chapa única.
Denninho duvida. "Acho que eles não têm quórum para lançar (a chapa tem que ter sete membros). E, se lançarem, vão ficar desmoralizados. Marcelo já tem 18 assinaturas de apoio e vai ter mais", ressaltou.
Para que uma chapa seja eleita, bastam 16 dos 30 votos possíveis.
O fato é que, antes da interferência do Palácio Anchieta, Vandinho congregava mais apoios entre os colegas do que Marcelo. Esses apoios, entretanto, sempre estiveram condicionados a uma orientação do governador.
Se Casagrande apontasse na direção contrária, os deputados não escondiam que mudariam de posição. E foi o que boa parte deles fez.
A eleição vai ser realizada no dia 1º de fevereiro, mesma data da posse dos eleitos e reeleitos. O voto é aberto e nominal. Assim, parlamentares teriam que, publicamente, contrariar o governo.
A maioria integra a base de apoio a Casagrande. Logo, é improvável que se exponham dessa forma. Via de regra, deputados querem ter um bom relacionamento com a gestão estadual.
É assim que conseguem o pagamento célere de emendas parlamentares, visibilidade em eventos organizados pelo Palácio e, às vezes, até indicação de cargos comissionados na administração.
Tudo isso apesar de que uma das funções dos deputados é fiscalizar o poder Executivo.
Sem contar que 2024 vai ser ano de eleição municipal. Para quem quiser disputar uma prefeitura, não seria bom negócio ter o governo jogando contra.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.