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Partido de Roberto Jefferson

Pré-candidato ao governo do ES, Manato recebe convite do PTB

Ex-deputado federal só vai "casar" com o partido se houver garantia de espaço para disputar o Palácio Anchieta. Para isso, no entanto, aguarda chancela do presidente da sigla, Roberto Jefferson, que está preso

Publicado em 14 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

14 set 2021 às 02:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Ex-deputado federal Carlos Manato
Ex-deputado federal Carlos Manato Crédito: Lissa de Paula/Ales
O ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido) disputou o governo do Espírito Santo em 2018 e não chegou ao segundo turno, mas também não fez feio: ficou em segundo lugar, com 525.973 votos (27,22%). Na época, estava filiado ao PSL e se dizia um “kamikaze de Bolsonaro”, em referência ao esforço quase suicida que estava disposto a empreender para fazer palanque no estado para o então candidato à Presidência da República.
Já fora do PSL, assim como Bolsonaro, Manato procura um partido no qual ingressar para disputar o pleito do ano que vem. Ele vai, mais uma vez, em busca do comando do Executivo estadual. Nesta terça-feira (14), Manato recebe formalmente o convite para integrar o PTB do ex-deputado federal Roberto Jefferson.
Condenado e preso no escândalo do mensalão, Jefferson transmutou-se em bolsonarista raiz recentemente e caiu nas graças dos apoiadores do presidente da República ao publicar vídeos nos quais empunha armas e faz ameaças. Isso, no entanto, lhe rendeu mais uma ordem de prisão, desta vez preventiva, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-parlamentar segue preso no complexo de Bangu, no Rio de Janeiro. O convite a Manato para cerrar fileiras no PTB vai ser feito pelo presidente estadual da legenda, Bruno Lourenço. Manato já adiantou que pretende ir para o partido escolhido por Bolsonaro, mas destacou que as conversas do presidente estão mais adiantadas com o PTB mesmo.
O único senão ficaria por conta da garantia, tanto da direção estadual quanto da nacional da sigla, de espaço para disputar o Palácio Anchieta.
“Começa com namoro, noivado, até chegar ao casamento”, afirmou Manato à coluna, usando uma metáfora frequentemente citada por Bolsonaro.
“Temos que esperar porque nosso presidente do PTB, por falta de democracia, está preso”, complementou. Ou seja, a resposta ao convite não vai sair nesta terça.
Mas a proposta agrada. “É um dos poucos partidos da direita conservadora. Tem os mesmos princípios éticos e morais”, resumiu.
Lembrado pela coluna que o episódio do mensalão – que foi a compra, por parte do governo do PT, de votos de parlamentares no Congresso para apoiar projetos do Executivo federal – não é bem uma marca da ética na política, Manato contemporizou:
“Essas coisas que aconteceram em 2004 ele (Roberto Jefferson) foi protagonista da denúncia. Ele estava envolvido, mas cada um responde pelos seus crimes. Nos últimos anos a conduta dele tem sido reta, defendendo diálogo, Deus, pátria e família”.

DO PDT AO PSL

Manato foi filiado por mais de uma década ao PDT, um partido de esquerda, trabalhista. “Eu não digo que sempre fui de direita, mas sempre fui conservador”, afirmou Manato.
Então deputado federal Carlos Manato, filiado ao PDT, discursa no plenário da Câmara dos Deputados
Então deputado federal Carlos Manato, filiado ao PDT, discursa no plenário da Câmara dos Deputados, em 2011 Crédito: Luiz Alves/Câmara dos Deputados
“Fui eleito em 2002 (como deputado federal) e 50% dos votos vieram da igreja Maranata. Eles me cobravam ser cristão, a família tradicional, ser contra aborto, drogas. Eu já tinha isso dentro de mim. Essas coisas foram afloradas depois que li mais Olavo de Carvalho e vi que isso era o conservadorismo”, explicou.
Ele ainda afirmou que a filiação ao PDT deu-se mais por proximidade com o hoje prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (presidente estadual do PDT), do que por questões ideológicas.
Manato também teve passagem pelo Solidariedade, um partido do Centrão. Em 2018, seguindo os passos de Bolsonaro, foi para o PSL. Saiu da legenda quando o presidente se desfiliou, em 2019.

“COMO NÃO VOU DEFENDER EMPRESÁRIO?”

Na pauta econômica, Manato diz que também sempre se perfilou mais à direita, ainda que estivesse no PDT.
“Eu sempre fui empresário. Como não vou defender empresário? Minha profissão é médico. Fui um dos maiores empresários da área da saúde no estado, era o acionista majoritário de um hospital que chegou a ser o maior do estado. Sempre fui a favor de os empresários gerarem emprego e renda ao trabalhador e pagar os direitos que estão na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)”, argumentou.
Bruno Lourenço, presidente do PTB estadual, diz que o objetivo do partido é, sim, dar legenda para Manato disputar o governo do estado. “Esse é o nosso interesse e a nacional tem acatado o que a gente tem decidido, estamos alinhados com a nacional”, afirmou.
Em seguida, Lourenço citou algo que contou ter ouvido de Bete Rodrigues, que atuou em diversas campanhas eleitorais no Espírito Santo e faleceu no domingo (12): “A Bete me falou um dia: política muda a cada hora. Estou fazendo o convite formal, é do nosso interesse, agora vamos ver como vai caminhar”.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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