O acordo para chancelar o nome de Erick passou por algumas contrapartidas. Entre elas estava a restituição dos poderes dos demais membros da Mesa Diretora,
o que foi feito. Desde 2019, o primeiro e o segundo secretários eram apenas figurantes. Agora, é preciso que ao menos um deles assine os atos da Mesa junto com Erick para que tenham validade. E o presidente é ladeado por dois aliados de primeira hora de Casagrande:
Dary Pagung (PSB) e
Coronel Alexandre Quintino (PSL).
Só que isso nunca foi a votação. E nesta segunda-feira (27), discretamente, lááááá no item 83 do "expediente para simples despacho", constou:
"Requerimento nº 029/2021, da Mesa Diretora, de retirada do Projeto de Resolução nº 02/2021, de sua autoria, que altera o § 4º do art. 59 da Resolução nº 2.700, de 15 de julho de 2009, que dispõe sobre criação de Comissão Parlamentar de Inquérito."
Isso significa que a Mesa Diretora (liderada por Erick) "desapresentou" o projeto de resolução que acabaria com o superpoder do presidente do Legislativo de criar CPIs. A proposta foi para o arquivo.
O governo Casagrande, conforme a coluna apurou, foi pego de surpresa.
O leitor pode pensar: "ah, mas quando haveria cinco CPIs ao mesmo tempo para o presidente da Assembleia ter que, sozinho, criar mais uma?". Pois já há cinco em andamento na Assembleia Legislativa do Espírito Santo: CPI da Sonegação; CPI das Licenças; CPI das Obras Públicas e Privadas; CPI dos Crimes Cibernéticos e CPI dos Maus-tratos Contra Animais.
A depender do tema, a criação de uma sexta, sétima, oitava, enfim, de mais CPIs pode não ser de interesse do governo estadual. E agora Erick Musso continua podendo criar quantas CPIs quiser.
O agravante, além do acordo descumprido, é que Erick Musso e o Palácio Anchieta vivem, possivelmente, o pior momento na relação. O presidente da Assembleia tem pautado os projetos do governo na Casa, não virou, ao menos ainda, um engavetador. Mas dia sim, dia também,
faz críticas à administração estadual.
Isso até desagradou a alguns prefeitos filiados ao Republicanos que são casagrandistas. O de Sooretama, Alessandro Broedel,
pediu desfiliação. Erick Musso tem 34 anos e reduto eleitoral em Aracruz, pode estar se movimentado para ganhar projeção, ficar mais conhecido e tentar, com mais chances de sucesso, uma cadeira na Câmara dos Deputados no ano que vem.
Broedel, no entanto, vê o ex-correligionário como pré-candidato ao governo do estado. O próprio Erick gosta de deixar a possibilidade no ar. Dia desses, questionado pelo deputado
Doutor Hércules (MDB), em plenário, se iria para Brasília ou para o Palácio Anchieta, o presidente da Assembleia respondeu: "O futuro a Deus pertence".
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, já disse à coluna que a direção estadual da legenda tem autonomia para bater o martelo sobre os rumos eleitorais a serem tomados.