Presidente da Câmara da Serra avisou que "muita coisa boa" estava por vir. E veio
Boa para alguns
Presidente da Câmara da Serra avisou que "muita coisa boa" estava por vir. E veio
Legislativo municipal aumentou, de surpresa, os salários dos vereadores de R$ 9,2 mil para R$ 17,6 mil. Isso horas depois de a Casa exortar "transparência e participação social" na gestão pública. O Ministério Público já está de olho
O projeto de lei, por si só, teve um trâmite questionável. O texto foi protocolado às 17h50 de quarta e votado em plenário pouco depois. A sessão se encerraria às 19h.
Ironicamente, horas antes, naquele mesmo plenário, foi lançado o Fórum Municipal Legislativo, que tem como principais eixos integridade, transparência, sustentabilidade, participação social e qualidade legislativa.
"A iniciativa do Fórum Legislativo Municipal é resultado de uma parceria estabelecida entre a Promotoria de Justiça Cível da Serra (MPES), a Câmara Municipal da Serra, a Prefeitura Municipal da Serra, a Transparência Capixaba, o ES em Ação, a Associação dos Empresários da Serra, a Federação dos Moradores da Serra (FAMS), o movimento social Monitora Serra e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Serra)", anunciou o mestre de cerimônias.
O presidente da Câmara, Saulinho da Academia (Patriota), estava lá. "É uma honra, como presidente desta Casa de Leis, ser a primeira Casa capixaba a implementar o Fórum Legislativo Municipal", discursou.
E defendeu uma gestão pública "mais transparente, eficiente e com participação social".
Ao listar os feitos dos primeiros 100 dias da própria gestão, Saulinho citou a criação da Comissão de Transparência, o Câmara Sem Papel, "que tem o acesso à íntegra dos processos, com acompanhamento público da tramitação". Ele foi além: "Disponibilizamos em tempo real o resultado das votações dos vereadores".
"Tem muita coisa boa para vir daqui para frente"
Saulinho da Academia (Patriota) - Presidente da Câmara da Serra, no lançamento do Fórum Legislativo Municipal
A promotora de Justiça Maria Clara Mendonça Perim, uma das idealizadoras do Fórum, ouviu atentamente.
À noite, o presidente da Câmara da Serra fez tudo ao contrário do que havia apregoado pela manhã.
Ele convocou e comandou a sessão extraordinária em que os salários dos vereadores foram reajustados, sem que a população soubesse o que estaria em pauta e sem ao menos poder acompanhar, pela internet, o que estava ocorrendo.
O resultado da votação, como a coluna já mencionou, tampouco foi disponibilizado em tempo real.
Veio coisa boa por aí? Para os vereadores eleitos ou reeleitos em 2024, sim. Um salário maior.
MINISTÉRIO PÚBLICO VAI INVESTIGAR
Nesta quinta-feira (11), a coluna apurou que o Ministério Público Estadual, por meio da 13ª Promotoria de Justiça Cível, decidiu abrir um procedimento para investigar possíveis irregularidades na forma como o projeto de reajuste salarial tramitou e foi votado.
A titular da promotoria é Maria Clara Mendonça Perim, que testemunhou o discurso de Saulinho da Academia no lançamento do Fórum Legislativo Municipal.
A promotora de Justiça Maria Clara Mendonça Perim, o prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, o conselheiro da ONG Transparência Capixaba, Rodrigo Rossoni, e o presidente da Câmara da Serra, Saulinho da AcademiaCrédito: Reprodução/Câmara da Serra
Não é a primeira vez que o MPES tem que entrar em cena. Historicamente, a Câmara da Serra deixa a desejar em transparência.
Mas para saber como cada um votou em relação aos projetos, a Câmara exigiu um protocolo presencial, na sede do Legislativo, que fica em Serra Sede. A TV Gazeta foi lá e fez a petição.
A 5ª Promotoria de Justiça Cível apontou "omissão de informações no Portal da Transparência do referido órgão, (i) quanto a divulgação dos dados dos servidores que ocupam os cargos administrativos; (ii) quanto a divulgação do objeto dos contratos celebrados pelo órgão; e (iii) quanto a informação veiculada pela mídia relatando a devolução de R$ 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil reais), com o fim de proporcionar recursos para pagamento do abono de servidores públicos municipais".
O Ministério Público quer a divulgação de dados dos servidores da Câmara, como nome, cargo, lotação, situação, matrícula, ficha funcional, remuneração, vantagens, diárias e passagens.
Até agora, nada.
O OUTRO LADO
A coluna tentou contato com o presidente da Câmara da Serra na tarde desta quinta-feira, mas não obteve retorno.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.