O ex-deputado federal Carlos Manato, que disputou o governo do Espírito Santo em 2022, alega que o PL prometeu e não repassou R$ 1,5 milhão para pagar despesas da campanha. A promessa, de acordo com ele, foi feita pelo senador Magno Malta, presidente estadual do partido, após o primeiro turno das eleições daquele ano. Manato enfrentou Renato Casagrande (PSB) na segunda etapa do pleito e o socialista foi reeleito.
O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, gravou um vídeo rebatendo o ex-parlamentar. A peça foi enviada à coluna pela assessoria de Magno (veja o vídeo aí em cima).
"Nós não temos dívida nenhuma, não podemos pagar dívida depois da eleição. Você pode pagar dívida quando ela é declarada e nunca ele (Manato) declarou nada", afirmou Costa Neto. "Não sei onde ele arrumou essa dívida, sei que o PL não tem conhecimento", complementou.
"O PL é um partido sério, viu, Carlos, nunca deixou de pagar uma conta, não pagamos contas que não existem", provocou o presidente nacional do PL.
"Essa gritaria que você (Manato) está fazendo é inútil"
Valdemar Costa Neto - Presidente nacional do PL
Em 8 de novembro de 2022, Manato enviou um ofício a Costa Neto informando ter acumulado dívidas de R$ 1.375.424,50 no primeiro turno das eleições e R$ 2.384.274,50 no segundo, ou seja, R$ 3,7 milhões.
No documento, ao qual a coluna teve acesso, o ex-deputado solicita a "viabilidade da confissão da divida da campanha, informando-me o parcelamento para o ano que vem dentro do organograma financeiro do partido. Todos os fornecedores aceitaram o parcelamento a partir de março do ano que vem conforme for a determinação do partido".
Nesta terça (9), Costa Neto emitiu um comunicado, no qual afirma que a dívida de campanha é de R$ 4,2 milhões, que o pedido de Manato foi "intempestivo", ou seja, fora do prazo, e que o processo de prestação de contas dele à Justiça Eleitoral tem "inconsistências graves".
Por isso, ainda de acordo com o presidente nacional do PL, o partido não autorizou o reconhecimento da dívida.
"Diante da recomendação do Ministério Público Eleitoral e da área técnica do TRE-ES pela desaprovação das contas devido às inconsistências graves que comprometeram a transparência e o controle da Justiça Eleitoral, o Partido Liberal manteve seu posicionamento de não autorizar a assunção de dívida de campanha do Sr. Carlos Mannato", diz o comunicado.
Embalado pela polarização e pela nacionalização da eleição estadual de 2022, Manato realizou um feito histórico ao forçar um segundo turno contra Casagrande e acumulou certo capital político.
Depois do pleito, entretanto, "mergulhou", passou a se dedicar à iniciativa privada. Ele tem uma pousada e um cerimonial em Pedra Azul.
Faltando menos de três meses para as eleições de 2024, o ex-deputado está se movimentando. Ele apoia pré-candidatos a prefeito, como Audifax Barcelos (PP), na Serra, embora o PL tenha lançado o vereador Igor Elson à prefeitura.
De qualquer forma, Manato afirmou, na segunda-feira (8), pretende se licenciar do PL, para não incorrer em infidelidade partidária ao endossar pré-candidatos que não são seus correligionários.
Quanto a isso, o Partido Liberal informou que "a direção nacional do partido está analisando a situação para determinar quais medidas serão tomadas".
Após a publicação da coluna desta quarta-feira (10), o ex-deputado federal adotou outra postura: "Para não cometer infidelidade, estou conversando com o advogado para não participar de nenhuma campanha este ano".
Quanto à questão da dívida de campanha, Manato sustentou que fez a solicitação dentro do prazo e que o PL poderia, sim, arcar com as despesas. "Desafio eles para uma acareação, com a máquina da verdade, para dizer quem está equivocado".
Como o "sumiço" de Carlos Manato após as eleições de 2022 já denotava, a relação dele com o PL não é das melhores. O ex-deputado se filiou à legenda em fevereiro de 2022, justamente para disputar o governo do Espírito Santo. O desempenho do ex-parlamentar, ancorado na onda bolsonarista, superou as expectativas.
Seguindo a cartilha dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, Manato, na campanha, atacou a esquerda e o PT, por exemplo ao criticar o fato de que petistas de alto escalão foram presos.
Manato, na entrevista, minimizou o episódio: "Foi um equívoco dele..."
"Sabe qual a minha relação com ele (Valdemar)?", retrucou o ex-deputado, na ocasião.
"Homem pra caramba! Macho!", respondeu o próprio Manato. Com essas palavras, explicou, ele quis dizer que Valdemar Costa Neto "tem palavra".
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