Preso, Armandinho quer tomar posse na presidência da Câmara por procuração
Em Vitória
Preso, Armandinho quer tomar posse na presidência da Câmara por procuração
Vereadores decidiram que, se ele não aparecer na Casa, pessoalmente, no dia 1° de janeiro, outra eleição vai ser realizada para definir a chefia do Legislativo de Vitória
Publicado em 27 de Dezembro de 2022 às 20:04
Públicado em
27 dez 2022 às 20:04
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Armandinho Fontoura (Podemos) foi eleito para presidir a Câmara de Vitória no biênio 2023-2024Crédito: Reprodução/YouTube Câmara de Vitória
Preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória de Viana, o vereador enviou, nesta terça-feira (27), um recurso administrativo, por meio de seus advogados, à Casa.
No documento, ele deixa claro que não renuncia ao cargo de presidente, para o qual foi legitimamente eleito, "não sendo aplicável, sob qualquer prisma, o instituto jurídico da 'renúncia presumida' por absoluta improcedência ao presente caso".
Também nesta terça, pela manhã, os vereadores entenderam que é imprescindível que o presidente eleito tome posse na data marcada e que, caso contrário, isso configura renúncia à função.
O entendimento, firmado por 10 votos favoráveis, três contrários e uma abstenção, formou-se a partir de uma interpretação dada ao Regimento Interno da Câmara, um Precedente Regimental.
Os vereadores também consideraram que não é possível que um membro da Mesa Diretora da Câmara tome posse por procuração. Ou seja, não tem como outra pessoa ir à Casa representando Armandinho. Ele teria que aparecer lá pessoalmente.
Mas, se o vereador não for solto até domingo (1º), isso é impossível.
No recurso administrativo endereçado ao atual presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD), Armandinho aponta a irregularidade do trâmite do Precedente aprovado pelo plenário, entre outros pontos, devido ao fato de a proposta não ter os autores identificados – não tem a assinatura de nenhum vereador – e porque a defesa do presidente eleito não pôde se pronunciar na sessão.
O documento também destaca que a prisão cautelar de Armandinho, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, não foi acompanhada da cassação do mandato do parlamentar e tampouco da suspensão dos direitos políticos dele.
E a prisão cautelar, por si só, não leva à perda ou à suspensão desses direitos. Assim, Armandinho pediu a anulação do Precedente Regimental aprovado pelo plenário.
A defesa entende que o vereador tem o direito de tomar posse do cargo de presidente do Legislativo municipal, nem que seja por procuração.
Já o texto do Precedente Regimental aprovado destaca que não há previsão legal e tampouco no Regimento Interno da Câmara de Vitória para que haja posse por procuração:
"Por ausência de expressa previsão autorizativa na Lei Orgânica e no Regimento Interno, é vedada a posse de membros da Mesa por procuração, dada a solenidade formal e personalíssima do encargo que engloba a linha sucessória do poder Executivo municipal. Tal permissão outorgada sem autorização legislativa municipal ofenderia, sobremodo, os princípios da estrita legalidade e moralidade da Administração Pública".
Nesta quarta (28), a Câmara de Vitória realiza a última sessão ordinária do ano. O recurso administrativo tem que ser encaminhado pelo presidente Davi Esmael à Comissão de Constituição e Justiça, que decide sobre a admissibilidade ou não do pedido.
Depois, se admitido, o recurso vai a votação em plenário. O documento, ao qual a coluna teve acesso, é assinado por Armandinho e pelo advogado Carlos Zaganelli.
E SE?
Se a tentativa não der certo, o vereador, por meio de seus advogados, pode recorrer ao Judiciário. Mas, se a própria Câmara ou a Justiça autorizarem a posse por procuração, o que acontece depois?
Um advogado consultado pela coluna diz que não há impedimento, no Regimento Interno da Câmara de Vitória, para que Armandinho presida a Casa mesmo de dentro do Centro de Detenção Provisória. Mas admite que, na prática, seria difícil para o parlamentar exercer o cargo nessas condições.
O ministro Alexandre de Moraes mandou prender Armandinho em meio a uma megaoperação contra atos antidemocráticos no país. O pedido de prisão partiu da procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo, Luciana Andrade.
De acordo com os autos, há indícios, que Moraes considerou um conjunto probatório robusto, de que o vereador integra uma milícia privada digital.
A apuração se dá no chamado Inquérito das Fake News, que tramita no Supremo e tem como foco ataques a ministros da Corte e às instituições da República.
Correção
27/12/2022 - 8:49
Este texto, originalmente, informava que uma procuração anexada ao recurso administrativo outorgava a três advogados o poder de tomar posse no lugar de Armandinho na presidência da Câmara de Vitória. A procuração, entretanto, dá apenas poderes para que os advogados atuem na defesa do vereador na Casa. A informação foi retirada da coluna. A pessoa que vai tomar posse, por procuração, representando o parlamentar, se isso for deferido, ainda não foi definida.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.