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Nova plataforma

Projeto de plataforma da Petrobras no Sul do ES empaca, de novo

Integrado Parque das Baleias está nos planos da estatal para 2024, mas cancelamento de licitação para contratar plataforma é mais um entrave

Publicado em 13 de Setembro de 2021 às 17:37

Públicado em 

13 set 2021 às 17:37
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

FPSO Capixaba, da Petrobras, que produz e armazena petróleo no campo de Cachalote, no Parque das Baleias
FPSO Capixaba, da Petrobras, que produz e armazena petróleo no campo de Cachalote, no Parque das Baleias Crédito: Agência Petrobras
A contratação de uma plataforma da Petrobras do tipo FPSO no litoral Sul do Espírito Santo segue a passos lentos, ou empacada. A estatal do petróleo já abriu procedimento para cancelar a licitação que garantiria o afretamento, espécie de aluguel, de uma plataforma para realizar a operação do Integrado Parque das Baleias (IPB). Apenas uma empresa interessada se manifestou, mas o valor a ser negociado foi considerado muito alto.
A coluna apurou que o destino da licitação é o cancelamento mesmo, embora ainda não tenha havido a formalização do ato. O investimento está previsto no plano de negócios da Petrobras há tempos, mas passou por uma série de adiamentos. Originalmente, a ideia era que o início da operação ocorresse em 2021. Mas essa previsão passou para 2023 e depois para 2024.
E é bem capaz que o estado fique mais um tempo a ver navios (perdoem o trocadilho). O tema não diz respeito apenas à produção de petróleo da estatal ou ao interesse imediato de empresas ligadas ao setor no Espírito Santo.
A produção de petróleo gera o pagamento de royalties e participações especiais, dinheiro que, se bem empregado pelo poder público, pode ser revertido em investimentos sociais relevantes para a população.
Além disso, uma plataforma precisa de funcionários, gerando empregos, e movimenta a indústria de logística e serviços atrelados, gerando mais empregos.
Mas os campos localizados no Parque das Baleias já são maduros, ou seja, com o passar do tempo produzem menos, não mais.
O leitor pode se perguntar a razão de se querer investir em um combustível fóssil, que está com os dias contados, uma vez que a matriz energética caminha a passos largos, ao menos no mundo desenvolvido, para mudar. A colunista fez o mesmo questionamento.
Quem respondeu foi Cícero Grams, gerente executivo de Negócios da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás. Ele destacou que, sim, há cada vez mais investimentos em fontes renováveis de energia, como a eólica e a de geração solar, de forma irreversível. E ainda tem os veículos elétricos.
Por isso mesmo deveria haver uma corrida contra o relógio. “Existe a expectativa de reversão da matriz energética. Mas isso deve ocorrer em 2030, 2040. Até lá, a demanda (por petróleo) é crescente. O objetivo é que se tenha a extração enquanto ainda há valor agregado. Se esperarmos, ele pode ter um valor muito menor e a exploração ser inviável economicamente”, afirmou.
"Sozinho, o Parque das Baleias representa 70% de todo o óleo produzido no Espírito Santo, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, e esses são dados recentes, de julho de 2021. É o maior campo produtor. A Petrobras tem um plano de revitalização. Podemos produzir mais óleo, mais cedo", complementou.
Ao menos em relação a outros estados, a Petrobras não tem perdido tempo. “A gente está vendo uma parcela muito significativa de investimentos feita pela Petrobras em outros estados. O Rio de Janeiro vai ter 12 plataformas (numa mistura de afretamento e plataformas próprias da Petrobras). O Espírito Santo, que teria apenas uma nova plataforma, ainda teve esse cancelamento”, destacou Grams.
Ele avaliou que uma das opções para fazer o empreendimento deslanchar seria a mudança na contratação. Em vez de a Petrobras tentar afretar, alugar, uma plataforma, a estatal poderia realizar a operação com uma plataforma própria.
Isso poderia demorar mais? Bem, demorando já está, não é mesmo?
Uma curiosidade: as plataformas que têm nomes começados com FPSO são afretadas. As que começam apenas com P, como P75, são próprias. As do tipo FPSO são usadas para produção, armazenamento e transferência de petróleo e alcançam mais de dois mil metros de profundidade.

O QUE DIZ A PETROBRAS

A Petrobras informou à coluna que não desistiu de instalar a plataforma no Espírito Santo, mas não informou como pretende proceder para que isso se materialize o mais rápido possível.
”Não há alteração no projeto de revitalização do campo de Jubarte. O Projeto Integrado Parque das Baleias permanece no portfólio dos projetos que compõem o Plano Estratégico 2021-2025 da Petrobras. Em relação à licitação para contratação do FPSO a ser instalado no campo, a companhia esclarece que o processo ainda está em curso, não sendo possível, no momento, informar sobre seu andamento”, informou a estatal, em nota.
Em tempo: se você assistiu à série Ilha de Ferro, da Globoplay e que também é exibida na TV Globo, pode ter reparado que a plataforma fictícia em que se passa a trama se chama PLT-137, ou seja, não começa apenas com P e nem com FPSO. Licença poética. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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