Projeto exige uso de terno e gravata por deputados na Assembleia do ES
Pedido de urgência
Projeto exige uso de terno e gravata por deputados na Assembleia do ES
Texto, de autoria do presidente Marcelo Santos, permite "fardamento de gala" e não proíbe chapéu. Um parlamentar, em especial, vai ser afetado se proposta for aprovada. Veja o que importa nesta história
Publicado em 15 de Maio de 2023 às 14:00
Públicado em
15 mai 2023 às 14:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O deputado estadual Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, em plenárioCrédito: Ana Salles/Ales
Sérgio Meneguelli (Republicanos), com o perdão do trocadilho, viu nisso um ultraje, uma vez que a sinalização era de exigência de uso de terno e gravata.
O parlamentar, por sua vez, insiste em vestir camisetas com frases estampadas e, quando muito, jaqueta jeans.
Pois nesta segunda-feira (15) foi protocolado o Projeto de Resolução 17/2023, de autoria de Marcelo. A proposta, entre outras questões, altera o Regimento Interno da Assembleia e insere a seguinte obrigação para os deputados estaduais:
"Os Deputados do sexo masculino ou homem transgênero deverão vestir paletó, camisa social, gravata, calça e calçado adequado".
Isso em "Sessões Ordinárias, Extraordinárias e Solenes, bem como as reuniões das Comissões Permanentes e Temporárias da Assembleia Legislativa".
O regimento, hoje, é omisso quanto à forma com que os parlamentares devem se vestir.
O projeto de resolução libera os que "por motivo de doença, comorbidades ou qualquer limitação física" não possam usar terno e gravata, mas estes vão ter que apresentar laudo médico para que fiquem desobrigados de seguir a regra.
Na última terça, Meneguelli reclamou que tem deputado que usa "roupa de polícia" ou chapéu e ninguém fala nada.
Quem vai fardado às sessões é o deputado Capitão Assumção (PL). Já o chapéu é o adereço permanente de Pablo Muribeca (Patriota).
A proposta de Marcelo Santos prevê autorização expressa no regimento interno para a "roupa de polícia".
"Os Deputados egressos da Policia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar ou das Forças Armadas – Exército, Marinha ou Aeronáutica – poderão fazer uso do traje elencado no caput deste artigo ou se apresentarem com fardamento de gala conforme uso de sua instituição de origem", diz o texto.
Quanto ao uso de chapéu, não há nenhuma proibição.
O QUE ACONTECE COM QUEM NÃO USAR?
Pelo projeto, o deputado estadual que não "vestir paletó, camisa social, gravata, calça e calçado adequado" não vai ser barrado na porta, mas não vai ter a presença registrada na sessão a que comparecer, "nem poderá se manifestar ou votar".
Ou seja, vai ser como se não estivesse lá.
"Além de se subsumir ao art. 293 deste Regimento". O artigo 293 é o que trata do decoro parlamentar.
O deputado que não se vestir de acordo com as regras, portanto, se o projeto for aprovado como está, vai incorrer em "ato que afete a sua dignidade ou a de seus pares" e ficar sujeito a responder a processo na Corregedoria da própria Assembleia.
E DAÍ?
Concordo com Meneguelli que a forma como um deputado se veste pouco diz sobre seu caráter ou a qualidade do mandato que exerce.
Exageros, porém, devem ser podados, para que os deputados não façam justamente o contrário: usem roupas e adereços como protagonistas, para chamar a atenção, em detrimento de suas palavras e votos.
Nesse sentido, seria mais útil proibir "roupas de polícia" e coberturas, como chapéus e bonés, e ainda camisetas com frases em letras garrafais em plenário.
O paletó e a gravata são o de menos.
Também é preciso que o leitor/eleitor tenha em mente que o fato de um deputado se vestir de forma "simples", como um "homem do povo", tampouco diz sobre o quão bom legislador ou fiscalizador do Poder Executivo ele é.
O Projeto de Resolução foi protocolado às 11h16 desta segunda-feira (15) e já começou a tramitar.
A Mesa Diretora da Assembleia, presidida por Marcelo Santos, pediu que a proposta tramite em regime de urgência.
Arquivos & Anexos
Projeto de Resolução 17/2023, de autoria de Marcelo Santos, na Assembleia Legislativa do ES
Veja a íntegra do projeto, que trata de outros assuntos, além da vestimenta dos parlamentares
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.