Apesar da dobradinha, a federação entre os dois partidos não se confirmou. Se essa hipótese prosperasse as duas siglas estariam "amarradas" por quatro anos e nem haveria como disputarem entre si por aqui. Mas a união vai se dar apenas entre PT, PCdoB e PV.
O PSB ficou solto por temer tornar-se um coadjuvante do PT. E, como defendeu Casagrande, por ser um partido de porte médio, poderia sobreviver e ainda galgar mais espaços. Sem a federação, no entanto, não há barreiras legais ao lançamento de Contarato.
Já está costurado um acordo para que os petistas apoiem as candidaturas do PSB no Rio de Janeiro, em Pernambuco e no Maranhão. O principal entrave é São Paulo, onde o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) lidera a corrida pelo governo do estado, seguido pelo socialista Márcio França. E ninguém quer deixar de disputar.
No Espírito Santo, embora a situação seja menos crucial para a aliança, a pré-candidatura de Contarato segue posta. Em março, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o lançamento ou não do senador ao Palácio Anchieta
estava "em discussão".
Sobre a bancada federal, o presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, diz que o partido não foi pego de surpresa pela saída de alguns parlamentares. "Por não termos feito a federação, já sabíamos que alguns iriam sair. E estamos trabalhando para recuperar a bancada, trouxemos nomes novos. Isso não reduz o poder de negociação do PSB", avalia.
Gavini prega que as siglas de centro-esquerda se unam no estado e no país para derrotar Bolsonaro. Reeleger Casagrande faria parte desse plano. "A reeleição de Casagrande aqui é para não dar espaço a outros grupos que pensam como Bolsonaro pensa", alerta.
A discussão sobre lançar ou não Contarato ao governo não se dá apenas na instância estadual, mas, principalmente, nos meandros de Brasília e São Paulo. O senador
já se disse disposto a fazer o que for melhor para o partido. Ou seja, não vai se insurgir se a decisão for a de retirar a pré-candidatura.
Se disputar e perder, Contarato não fica na planície, tem mais quatro anos de mandato como senador. Pode, no máximo, ter o capital político reduzido. Em 2018 ele foi eleito com 1.117.036 votos, um pouco mais do que os 1.072.224 alcançados por Casagrande.
Já o governador pode ver os votos a serem destinados à centro-esquerda divididos entre os dois nomes, o que enfraquece o palanque socialista. Do outro lado, também há diversos pré-candidatos, é verdade. Mas nem todos devem aparecer nas urnas.
Por enquanto, há o ex-prefeito de Linhares
Guerino Zanon, pelo PSD, uma pré-candidatura de centro-direita; o presidente da Assembleia Legislativa,
Erick Musso, pelo Republicanos, um partido do Centrão, mas que tem se apresentado como "o único realmente conservador"; o ex-secretário da Fazenda de Vitória
Aridelmo Teixeira pelo Novo, um partido liberal, também de centro-direita; o deputado
Felipe Rigoni, pelo União Brasil, do mesmo espectro político.
Há ainda o ex-deputado federal
Carlos Manato, pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, de extrema direita. Também está no páreo o ex-prefeito da Serra
Audifax Barcelos, pela Rede. O ex-prefeito se diz de esquerda, de centro e de direita, então fica difícil definir.
O fato é que, até pela viabilidade, ou falta de viabilidade eleitoral, alguns vão ficar pelo caminho. O ex-vice-governador César Colnago, por exemplo,
saiu do PSDB para conseguir um lugar ao sol no PSD, que passou a presidir no estado, mas lá a pré-candidatura posta, inclusive citada pelo presidente nacional, Gilberto Kassab, é a de Guerino.
As intenções de voto esperadas para Contarato, que ganhou projeção no mandato de senador, não são desprezíveis. Logo, não devem ser as pesquisas a derrubá-lo do posto de pré-candidato.