O resultado daquela pesquisa, entretanto, mostrou chances de Pazolini ser reeleito em primeiro turno, mas com uma margem muito apertada. Ele apareceu, na ocasião, com 51% das intenções estimuladas de voto.
Isso quer dizer que passaria "raspando" no teste das urnas. E apenas talvez, já que a margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Em setembro, Pazolini marcou 53%, o que foi uma oscilação, não uma mudança significativa. Agora, a Quaest mostra, nos votos totais, os mesmos 51% de agosto.
Já considerando os votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), metodologia mais próxima do resultado a ser divulgado pela Justiça Eleitoral no domingo, Pazolini tem 50%.
Para ser eleito no primeiro turno um candidato precisa de, ao menos, 50% mais um voto.
Com a margem de erro, o prefeito tem, hoje, entre 47% e 53%. Ou seja, está com um pé na vitória no primeiro turno e outro pé caminhando para disputar o segundo.
LUIZ PAULO CRESCEU
Outra coisa que chama a atenção na pesquisa deste sábado é o crescimento de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Ele está tecnicamente empatado com João Coser (PT) em segundo lugar, mas numericamente à frente do petista.
Na projeção dos votos válidos, o tucano tem 23% e o petista, 22%.
Considerando os votos totais (intenções estimuladas), para compararmos com as pesquisas anteriores, Luiz Paulo partiu com 8% em agosto, manteve o mesmo percentual em setembro, mas de lá pra cá, cresceu dez pontos, chegando a 18%. Coser, nesse recorte, tem 16%.
Ou seja, a eleição em Vitória pode ser decidida amanhã, com uma vitória apertada de Pazolini no primeiro turno; pode ir para o segundo turno; e este segundo turno pode se dar entre o atual prefeito e Coser, repetindo o cenário de 2020, ou entre Pazolini e Luiz Paulo.
Como a coluna já havia analisado, o desempenho no debate não haveria de ser o fator decisivo, pela falta de inovação e de uma retórica mais incisiva nos discursos dos candidatos. E não foi.
Mas o crescimento de Luiz Paulo ocorre em um cenário em que a campanha dele focou, nas últimas semanas, não apenas em propostas e em relembrar os feitos da gestão tucana (que se encerrou em 2004), mas em ressaltar o que considera falhas e contradições da atual gestão, mas sem descambar para ataques mais rasteiros.
Luiz Paulo também passou a "alertar" os eleitores sobre o suposto plano de Pazolini de usar a prefeitura como vitrine para disputar o governo estadual em 2026, algo que o próprio chefe do Executivo municipal não descarta.
Tudo isso foi reiterado por Luiz Paulo no debate da TV Gazeta.
Para completar, embora o governador Renato Casagrande (PSB) não esteja, diretamente, no palanque do tucano, o secretariado em peso está, assim como o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB).
Os integrantes da cúpula do governo estadual reforçaram esses laços recentemente.
Se vai ser suficiente para provocar um segundo turno em Vitória, bem, somente as urnas dirão, no domingo.
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral em Vitória, contratada pela TV Gazeta, realizou 1.000 entrevistas domiciliares presenciais com eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 4 e 5 de outubro. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número ES-00977/2024.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.