O empresário de Vila Velha Valfrido Chieppe Dias foi preso preventivamente, na última sexta-feira (27), em meio à Operação Lesa Pátria, da Polícia Federal.
Como a repórter Vilmara Fernandes revelou, ele foi o responsável por alugar o ônibus da empresa capixaba Squad Viagens e Turismo, do grupo Águia Branca, que levou golpistas do Espírito Santo a Brasília no fatídico dia 8 de janeiro.
A coluna reparou que, em comentários deixados nas redes sociais de A Gazeta (sim, li os comentários, de novo, embora isso não seja bom para a saúde mental de ninguém), várias pessoas consideraram a prisão injusta.
Afinal, qual o crime em se alugar um ônibus? "Ele não quebrou nada, não mandou ninguém invadir prédios", escreveu um leitor no Instagram.
Como já registrado aqui em outra ocasião, as pessoas parecem se incomodar mais com pichações e objetos quebrados nas sedes dos Três Poderes – o que também é grave – do que com a democracia, um bem intangível.
A Operação Lesa Pátria, que se tornou permanente, tem o objetivo de identificar pessoas que participaram, financiaram ou fomentaram os atos de 8 de janeiro.
A real responsabilidade de Valfrido Dias tem que ser apurada, com direito ao contraditório, à defesa dele. O empresário não foi condenado.
A prisão preventiva, via de regra, serve, por exemplo, para impedir eventual fuga ou embaraços à investigação. Além de dificultar que a pessoa cometa o suposto crime de novo.
Para além deste caso concreto, é importante refletir sobre os que financiaram ou fomentaram o que se viu na Praça dos Três Poderes naquele dia de janeiro.
Não há que se imaginar, ingenuamente, que nada foi planejado. Aliás, há indícios de sobra para se afirmar que tudo saiu quase exatamente de acordo com o plano.
Mensagens em grupos no Telegram, aplicativo de conversas por meio do qual os ataques foram organizados, mostram que, desde sempre, os objetivos eram: tomar as sedes do Congresso, do STF e o Palácio do Planalto e bloquear estradas e inviabilizar a infraestrutura crítica do país, como refinarias e aeroportos.
Essa última parte até foi tentada, em alguns locais, mas a polícia impediu.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) queriam derrubar o governo Lula (PT), eleito em outubro de 2022. Não conseguiram.
Ou seja, quem bancou o aluguel de um ônibus para ir aos atos financiou, em tese, a realização desses objetivos. Não é pouca coisa.
A Squad e o grupo Águia Branca negam qualquer financiamento e afirmam terem sido apenas contratadas para prestar um serviço de transporte, atividade finalística das empresas.
A contratação foi feita por Valfrido. Apesar do sobrenome Chieppe, o mesmo dos fundadores e donos da Águia Branca, a reportagem de A Gazeta apurou que ele não tem proximidade com a família.