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Sobe e desce

Quem ganhou e quem perdeu espaço no novo governo Casagrande

Governador reeleito do ES toma posse neste domingo (1°). Além do PSB, um bloco de centro-direita vai ter destaque na composição da gestão

Publicado em 31 de Dezembro de 2022 às 09:48

Públicado em 

31 dez 2022 às 09:48
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Renato Casagrande
Governador reeleito do Espírito Santo, Renato Casagrande discursa, em dezembro de 2022, após ser diplomado pelo TRE Crédito: Carlos Alberto Silva
Na sexta-feira (30), a dois dias da posse, o governador reeleito Renato Casagrande (PSB) terminou de anunciar os nomes que vão compor o secretariado a partir de janeiro, quando inicia o terceiro mandato – não consecutivo – à frente do Poder Executivo do Espírito Santo.
O partido de Casagrande tem, entre os 26 integrantes do primeiro escalão, ao menos seis integrantes. Mas, desses, apenas dois entram na conta de indicações partidárias: Bruno Lamas (na Secretaria de Ciência e Tecnologia) e Jacqueline Moraes (na Secretaria de Políticas para Mulheres).
No Detran, que é segundo escalão, tem mais socialista. O ex-vice-governador Gilvaldo Vieira, que é o atual chefe da autarquia, vai seguir no cargo. Ele tentou, em outubro, uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleito.
No pós-eleição, o deputado estadual Marcelo Santos (PDT), que é aliado de Casagrande, reclamou publicamente do apetite do PSB no atual governo.
Nem todos os filiados ao partido que têm cargo na gestão estadual, entretanto, foram indicados pelo partido.
Alguns, como Nara Borgo, que vai seguir como titular da pasta de Direitos Humanos, e Fábio Damasceno, secretário de Mobilidade Urbana, também reconduzido ao cargo, filiaram-se depois de já nomeados.
O mesmo vale para Cyntia Grillo, que vai permanecer à frente da Secretaria de Assistência Social.
Casagrande havia dito que os partidos aliados teriam, cada um, apenas uma secretaria.
O PSB é exceção nesse governo liderado pela sigla de centro-esquerda, mas formado graças a uma frente partidária ampla que batalhou por votos.
Pode parecer que a balança está desequilibrada, mas, em comparação o secretariado de 2019, primeiro ano da atual gestão, ou mesmo em relação à atual configuração, vai haver algo diferente a partir de 2023: um núcleo de centro-direita.
O PP e o Podemos, partidos desse espectro político, já estavam, estão e vão continuar lá – Marcus Vicente (PP) na Secretaria de Saneamento e Habitação, e Coronel Ramalho (Podemos) na de Segurança Pública.
A atual secretária de Planejamento, Maria Emanuela Pedroso, que vai passar a comandar a pasta de Governo, também é do Podemos, mas não foi uma escolha da direção do partido para tal.
Escrevo aqui, porém, sobre outros representantes da centro-direita, que ganharam força na campanha de Casagrande à reeleição e vão ter certo protagonismo na administração.
O principal nome desse novo setor, digamos assim, é o de Ricardo Ferraço (PSDB). Ele vai acumular a vice-governadoria com o comando da Secretaria de Desenvolvimento e ainda coordenar as áreas de Agricultura e Meio Ambiente.
Na Agricultura, o ex-secretário Enio Bergoli, que não tem filiação partidária, mas já esteve no PSDB, vai voltar à gestão. Ele é próximo de Ricardo e atuou nos governos Casagrande e Paulo Hartung (ex-MDB).
O secretário de Meio Ambiente vai ser o deputado federal não reeleito Felipe Rigoni, que é presidente estadual do União Brasil, outra legenda de centro-direita.
Ricardo ganhou destaque no segundo turno da disputa pelo Palácio Anchieta e mais ainda após as eleições, firmando-se como conselheiro do governador e peça influente na formação do secretariado.
Assim, além do núcleo duro do governo, integrado, entre outros, pela superintendente de Comunicação, Flávia Mignoni, e pela chefe de gabinete, Valézia Perozini (PSB), outro polo de poder se estabelece no Poder Executivo.
OS PETISTAS E OS BOLSONARISTAS
Outra novidade é a chegada do PT ao primeiro escalão. Os petistas estiveram ao lado de Casagrande desde o primeiro turno, retiraram o senador Fabiano Contarato da corrida pelo Palácio Anchieta e se aliaram aos socialistas.
O futuro secretário de Esportes é o ex-deputado estadual José Carlos Nunes da Silva, egresso da CUT e pai do lutador de artes marciais Erick Silva. Nunes, como é conhecido, foi o coordenador da campanha vitoriosa da presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, à Câmara dos Deputados.
O PP, que esteve ao lado do presidente da República derrotado, Jair Bolsonaro (PL), mas sempre fiel a Casagrande, manteve o comando da Sedurb, mas não expandiu seus domínios.
FICARAM DE FORA
O Cidadania, uma sigla de centro, formou uma federação com o PSDB de Ricardo Ferraço, mas, a rigor, não emplacou ninguém no primeiro escalão.
Em 2019, quando assumiu o atual mandato, Casagrande levou para a gestão Lenise Loureiro, filiada ao Cidadania e aliada do ex-prefeito de Vitória Luciano Rezende (Cidadania).
Ela foi secretária estadual de Gestão e Recursos Humanos até 2021, quando foi realocada para o comando do Turismo, cargo que ocupou de 2021 a 2022.
Desta vez, ficou de fora. Lenise tentou, sem sucesso, eleger-se deputada estadual. Ela é cotada para assumir alguma subsecretaria.
Uma das principais mudanças do governo Casagrande 2 para o governo Casagrande 3 ocorre na Secretaria de Saúde, com a saída de Nésio Fernandes (PCdoB) e a entrada de Miguel Duarte (sem partido).
Nésio, apesar de ter militância política, não foi um representante do PCdoB local. Ele é de fora do estado e um médico sanitarista com atuação técnica. Miguel Duarte, outro "forasteiro", também é técnico, mas sem filiação partidária.
Já o PDT, partido de esquerda e aliado de Casagrande há tempos, perdeu a pasta de Esportes para o PT, mas foi alocado no Turismo. Isso depois de o deputado estadual Renzo Vasconcelos (PSC) recusar o cargo.
Assim, Renzo, que recebeu uma expressiva votação para a Câmara dos Deputados, mas não foi eleito, também é outro que fica fora do primeiro escalão.
O parlamentar teria mais afinidade com algo voltado à Educação ou à Saúde – a família dele é dona de um hospital e de uma faculdade em Colatina. Poderia, por exemplo, ter sido alocado em Ciência e Tecnologia.
Mas Bruno Lamas, este do PSB, é presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa e acabou levando a titularidade da pasta.
E teve socialista que não conseguiu cargo no primeiro escalão também, embora tenha tentado. Um exemplo é o deputado estadual Freitas.
Muito próximo a Casagrande, ele foi candidato a deputado federal e não eleito. Confidenciou à coluna que gostaria de comandar alguma secretaria que fizesse entregas à população e não ser abrigado como assessor especial da Casa Civil, como ocorreu no passado. Ficou sem nada, até agora.
FRENTE AMPLA
Em resumo, Casagrande formou um governo com uma frente tão ampla quanto possível depois do duro embate que travou com o bolsonarista Manato (PL) no segundo turno.
Mas não se pode agradar a todos. Se as acomodações políticas vão resultar em resultados efetivos para a população, aí é outra história.
O NOVO SECRETARIADO DE CASAGRANDE
  • Secretaria de Agricultura: Enio Bergoli
  • Secretaria da Casa Militar: Coronel Jocarly Aguiar 
  • Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional: Bruno Lamas 
  • Secretaria de Controle e Transparência: Edmar Camata 
  • Secretaria de Cultura: Fabrício Noronha
  • Secretaria de Desenvolvimento: Ricardo Ferraço
  • Secretaria de Direitos Humanos: Nara Borgo
  • Secretaria de Economia e Planejamento: Álvaro Duboc
  • Secretaria de Educação: Vitor de Ângelo
  • Secretaria de Esporte e Lazer: José Carlos Nunes da Silva
  • Secretaria da Fazenda: Marcelo Altoé
  • Secretaria de Gestão e Recursos Humanos: Marcelo Calmon
  • Secretaria de Governo: Maria Emanuela Pedroso
  • Secretaria de Justiça: André Garcia
  • Secretaria de Meio Ambiente: Felipe Rigoni
  • Secretaria de Mobilidade Urbana: Fábio Damasceno
  • Secretaria de Políticas para as Mulheres: Jacqueline Moraes
  • Secretaria de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano: Marcus Vicente
  • Secretaria de Saúde: Miguel Paulo Duarte Neto
  • Secretaria de Segurança Pública: Coronel Alexandre Ramalho
  • Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social: Cyntia Grillo
  • Secretaria de Turismo: Weverson Meirelles
  • Chefe da Casa Civil: Davi Diniz
  • Chefe de Gabinete: Valésia Perozini
  • Superintendência de Comunicação: Flavia Mignoni
  • Procuradoria-Geral do Estado: Jasson Amaral

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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