Quem mais ganha, no ES, com a federação entre PP e União Brasil
Eleições 2026
Quem mais ganha, no ES, com a federação entre PP e União Brasil
Os dois partidos estão prestes a formalizar uma parceria que vai durar quatro anos e promete chacoalhar o cenário político nacional
Publicado em 21 de Março de 2025 às 03:00
Públicado em
21 mar 2025 às 03:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Deputado federal Da VitóriaCrédito: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados
O Progressistas (PP) e o União Brasil estão em vias de firmar uma federação, parceria que vai durar quatro anos e promete chacoalhar o cenário político nacional. As cadeiras das duas legendas, somadas, vão resultar na maior bancada da Câmara dos Deputados, com 109 integrantes. Esse número supera, portanto, o PT e o PL e estabelece a centro-direita como uma força decisiva.
A federação é nacional, tem repercussão em todos os estados, mas cada unidade da federação tem suas peculiaridades, seus caciques e seus jogos de poder. No Espírito Santo, a balança pende mais favoravelmente para o PP, que tem dois deputados federais, enquanto o União não tem nenhum.
Assim, já está pré-definido que, por aqui, o comando da federação vai ficar com o presidente estadual dos progressistas, deputado federal Da Vitória. O União vai ter voz, sim, mas a federação empodera diretamente o líder do PP.
"O PP vai ficar com nove estados, entre eles o Espírito Santo. O União, com outros nove. O restante (mais 9) vão ser dirigidos pelas executivas nacionais dos dois partidos. O critério prioritário é a quantidade de mandatários no Congresso Nacional", contou Da Vitória à coluna, na quinta-feira (20).
Isso representa um possível revés nos planos da cúpula do União, costurados a várias mãos, principalmente as do governador Renato Casagrande (PSB), do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União).
Os dois partidos vão continuar existindo de forma independente, cada um com seu próprio nome e diretório estadual, mas a atuação no parlamento e nas eleições vai ser compartilhada, o que significa que o poder vai ser dividido e não "50%/50%", já que um dos lados é mais forte.
Interlocutores de Euclério dizem que a ordem é "aguardar", já que a federação ainda não foi formalizada. Precisa ter um estatuto, ser legalmente registrada e homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por enquanto, quem está à frente do partido é o secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni. Ele não concedeu entrevista à coluna. Euclério e Marcelo também submergiram.
DA VITÓRIA COM MORAL
A federação não é ruim para o União. O partido, que teve resultados eleitorais tímidos nos últimos anos no estado, vai passar a integrar um bloco que tem representação na Câmara e uma bancada de cinco deputados estaduais (três do PP e dois do União).
O Progressistas, por sua vez, também vai aumentar o tamanho da bancada na Assembleia e contar com um parceiro estável já nas eleições de 2026, o que ajuda a montar chapas de candidatos a deputado federal e estadual.
Pelas projeções de Da Vitória, a federação PP-União (ou União-PP?), deve eleger quatro deputados federais em 2026. Isso corresponde a 40% da bancada capixaba na Câmara dos Deputados.
Mas, noves fora zero, quem mais sai ganhando é o próprio Da Vitória, futuro porta-voz e dono da caneta de maior peso dentro da federação.
Contar com uma "superfederação" para isso não seria nada mal. A bancada federal turbinada vai garantir aos candidatos mais dinheiro do fundo eleitoral para fazer campanha e mais tempo de exibição no horário eleitoral gratuito, além de mais "moral", nas negociações políticas.
Euclério Sampaio, prefeito de Cariacica, ao menos por enquanto, está filiado ao MDBCrédito: Vitor Jubini
Quanto a Euclério, bem, temos que esperar para ver como ele vai se posicionar.
A coluna apurou que Da Vitória já conversou com o prefeito de Cariacica, para explicar como vai funcionar a federação e garantir que nada o impede de assumir a presidência do União.
Euclério também é um possível candidato ao Palácio Anchieta e, ao ingressar na federação, teria acesso a fundo eleitoral e tempo de TV robustos. Mas isso se o grupo, com o aval do PP, decidisse lançá-lo na disputa.
O prefeito de Cariacica é próximo de Casagrande, Marcelo e Ricardo. Topou ir para o União após ouvi-los e deve consultar os três a respeito do novo cenário.
Mas, claro, Euclério também tem um capital político significativo, foi reeleito com 88,41% dos votos em 2024, o que lhe confere peso para se desvencilhar de algo, se avaliar que não o convém.
A coluna ouviu cinco políticos que têm trânsito com Euclério. Dois apostam que ele vai para o União. Três, que não vai embarcar nessa.
"Não o questionei sobre isso, mas não acredito que ele vá. Ele iria liderar o União Brasil, mas a federação, não. Como ele vai decidir as coisas, de verdade, com o Da Vitória lá?", confidenciou um aliado.
Já Sandro Locutor, secretário municipal de Desenvolvimento de Cariacica e presidente municipal do PP, avalia que o prefeito, provavelmente, vai para o União mesmo assim:
"Não conversei com Euclério sobre isso. Mas ele não tem vaidade de presidir (a federação). Aliás, ele é melhor na articulação partidária que na direção. Essa junção vai potencializar uma candidatura majoritária e ele pode trabalhar por isso".
A RELAÇÃO COM CASAGRANDE
Pelo menos, está tudo "em casa", já que PP e União fazem parte da base aliada ao governador Renato Casagrande.
Complicado seria se os dois partidos se unissem nacionalmente e, por aqui, estivessem em grupos políticos opostos, o que geraria um "casamento na delegacia", o que não é o caso.
Apesar da indefinição quanto à presidência do União Brasil, seja qual for o desfecho, as duas siglas e a federação vão ser comandadas por casagrandistas.
Mas há um detalhe: o União pode ser considerado mais governista que o PP, já que os progressistas estão, ao mesmo tempo, ao lado do governador e do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é adversário dos palacianos.
A chegada da União pode fincar de vez o PP no palanque do grupo de Casagrande para 2026, o que seria muito bom para o governador.
O deputado federal Evair de Melo (PP), que faz oposição ao governo estadual, curiosamente, está contentíssimo com a federação entre o União e o Progressistas, pois isso fortalece o partido na Câmara dos Deputados e nas eleições. Ele pretende permanecer na sigla e está pronto para "disputar qualquer cargo".
E diz não se preocupar com os laços do partido com a gestão estadual. "A coligação do Casagrande, de qualquer forma, vai implodir. Isso não para em pé, é muito cacique para pouco índio", previu Evair. "E o PP me dá liberdade para atuar com independência".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.