Quem mais vai ganhar com o fim do pedágio na Terceira Ponte
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Quem mais vai ganhar com o fim do pedágio na Terceira Ponte
A partir da zero hora do dia 22 de dezembro, as cabines de pedágio ainda vão estar lá, mas ninguém vai pagar tarifas para atravessar a Terceira Ponte ou a Rodovia do Sol. Isso se uma decisão judicial não mudar o curso das coisas
Publicado em 12 de Dezembro de 2023 às 09:30
Públicado em
12 dez 2023 às 09:30
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Jasson Amaral, Ricardo Ferraço, Renato Casagrande e Fábio Damasceno em entrevista sobre o fim do pedágio no Sistema RodosolCrédito: Hélio Filho/Secom
É óbvio que quem transita diariamente entre Vitória e Vila Velha pela Terceira Ponte vai ser imediatamente beneficiado pelo fim da cobrança de pedágio na via. O mesmo se pode dizer dos que utilizam a Rodovia do Sol, que liga Vila Velha a Guarapari. Se a qualidade das vias e dos serviços oferecidos, como a remoção de veículos com defeito, for mantida, o benefício torna-se perene.
Mas outras pessoas têm a ganhar com a tarifa zero, anunciada na segunda-feira (11) pelo governador Renato Casagrande (PSB). Ao menos em tese. Para começar, o próprio governador.
Mas Casagrande e os deputados que votaram favoráveis ao aumento do percentual do tributo não ficaram ilesos. Foram alvos de críticas e mais críticas. Afinal, ninguém gosta de algo que tem potencial para aumentar o preço de mercadorias e serviços para toda a população.
O fim do pedágio no Sistema Rodosol, contudo, é outra história, uma pauta positiva, pois não tira dinheiro do bolso das pessoas, ao contrário — embora quem vá pagar pelo custo de manutenção e gerenciamento sejam os cofres públicos.
Não à toa, o governador fez questão de anunciar a notícia pessoalmente. Convocou uma entrevista coletiva e recebeu a imprensa no Palácio Anchieta.
"Não vamos mais sobrecarregar a população capixaba com a cobrança do pedágio", afirmou o socialista, por diversas vezes.
Em meio às críticas sobre o aumento do ICMS, uma das coisas que mais se ouvia falar era que a carga estava sendo jogada sobre os ombros da população.
Ou seja, após um peso, um alívio. É preciso observar que a elevação do imposto vale para todo mundo. O fim do pedágio, somente para quem passa pela Terceira Ponte e pela Rodovia do Sol, mas não deixa de ser uma cobrança a menos.
Claro que mesmo uma medida aparentemente positiva não deixa de ter brechas para críticas. Já tem gente imaginando que a Terceira pode virar "uma Segunda Ponte", em referência à via federal na qual não há cobrança de pedágio, mas diversos problemas estruturais.
Essa é uma análise política e quanto ao contexto da situação. Mas, sim, há questões técnicas e até jurídicas que levaram à decisão do governo.
No final de outubro, em entrevista à coluna, o próprio governador afirmou que era preciso manter a cobrança de pedágio na Terceira Ponte, mesmo sob a batuta do governo, para garantir, por exemplo, a remoção imediata de veículos, algo que não ocorre em outras vias estaduais, e a manutenção da estrutura, mais complexa.
Questionado pela coluna nesta segunda, Casagrande afirmou que um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que o que custa mais caro na operação da Terceira Ponte é justamente a cobrança do pedágio, responsável por cerca de 50% da despesa.
Assim, a gestão estadual daria conta de, sem executar a cobrança, prestar o serviço a contento, por meio de empresas terceirizadas. Isso deve custar entre R$ 30 e R$ 40 milhões por ano.
Na entrevista, Casagrande estava ladeado pelo vice, Ricardo Ferraço (MDB). O emedebista é um dos possíveis candidatos à sucessão do socialista em 2026.
O governador está no terceiro mandato à frente do Executivo estadual, o segundo consecutivo. O próprio Casagrande já disse que, embora não possa tentar a reeleição, tem o objetivo de deixar boas lembranças no eleitorado e, assim, azeitar o caminho para o candidato que apoiar como sucessor.
Ricardo estava à vontade no papel de coprotagonista de divulgador da boa nova.
"(O fim da cobrança do pedágio) está de acordo com o sentimento dos capixabas", avaliou o vice-governador. "Não fazia sentido continuar a cobrar pedágio dos capixabas", complementou.
DE OLHO NA DECISÃO
Como já mencionado, a Rodosol quer a prorrogação do contrato. Ou a quitação de uma dívida de R$ 351 milhões, valor calculado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsp).
Cabe à Justiça Estadual decidir se concede ou não uma liminar (decisão provisória).
Com o anúncio do governo estadual sobre o fim da tarifa de pedágio, contudo, muito mais está em jogo.
A Vara da Fazenda Pública de Vitória, na prática, vai definir se a partir do dia 22 de dezembro vai ou não haver cobrança de pedágio. Se a Rodosol mantiver a gestão da Terceira Ponte, certamente a tarifa vai permanecer.
E OS DEPUTADOS?
Na entrevista sobre o fim da cobrança de pedágio, os protagonistas foram Casagrande e Ricardo. Lá estavam também o procurador-geral do Estado, Jasson Hibner do Amaral, e o secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno.
Mas nenhum deputado estadual. É comum que anúncios do governo sejam usados como vitrine por parlamentares, se convidados pelo Palácio, para que colham os louros da iniciativa.
A coluna apurou que os parlamentares não fizeram parte da decisão do governo. Aliás, ficaram sabendo pela imprensa.
Após a entrevista, Casagrande almoçou com os deputados estaduais no Palácio. O encontro ocorre tradicionalmente todo final de ano, mas, desta vez, o fim do pedágio entrou no cardápio.
E os parlamentares aproveitaram para tirar uma casquinha.
Denninho Silva (União Brasil), por exemplo, gravou vídeo ao lado de Casagrande.
"Temos um estado organizado, equilibrado e poderemos bancar a operação na ponte e na Rodovia do Sol. Isso só é possível porque temos apoio da Assembleia, muito obrigado pelo apoio, deputado", afirmou o governador, ajudando o aliado.
"Uma luta da qual participamos ativamente", escreveu Denninho.
O presidente da Assembleia, Marcelo Santos (Podemos), apareceu em vídeo sentado à mesa com Casagrande e Ricardo Ferraço. Marcelo recebeu o projeto que o Executivo enviou ao Legislativo com algumas mudanças no gerenciamento do Sistema Rodosol.
As alterações são apenas burocráticas. De acordo com o governador, a aprovação do texto não é necessária para colocar em prática o fim do pedágio, medida tão somente administrativa.
Marcelo enalteceu Casagrande, "um estadista", e o vice-governador, "que sempre te apoia". E garantiu que vai pautar o projeto para que possa ocorrer "a tão sonhada abertura de cancelas" do pedágio.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.