O atual secretário, Weverson Meireles, por sua vez, vai para o primeiro escalão do prefeito Sérgio Vidigal (PDT), não para o mesmo lugar de Lemos e sim como secretário-chefe de gabinete do pedetista.
Meireles é presidente estadual do partido de Vidigal.
Chamou a atenção o motivo da mudança. De acordo com o governador Renato Casagrande (PSB), a secretaria estadual de Turismo vai mudar de titular apenas para atender a um pedido do prefeito da Serra.
Não que Vidigal tivesse algo a pontuar sobre a política a ser adotada na área. Ele queria apenas, ainda segundo Casagrande, contar com Meireles como seu braço direito na administração municipal.
Philipe Lemos também é filiado ao PDT. Com a entrada dele no lugar de Weverson Meireles, Vidigal é contemplado no quesito prático e político da coisa, pois o partido não perde a "cota" no governo. Continua comandando uma secretaria.
Isso quer dizer que Lemos vai passar a comandar a secretaria de Turismo do Espírito Santo, em 1º de dezembro, não devido a alguma mudança que a gestão estadual queira implementar, mas apenas graças a um arranjo costurado com um aliado do governador.
Isso mostra, na avaliação da coluna, que o Turismo está longe de ser prioridade.
Não que o governo não esteja fazendo nada nesse âmbito.
Mas se as mudanças na secretaria forem tocadas da atual forma, meio aleatória, digamos assim, como esse plano vai ser executado?
E o que dizer da alteração na Prefeitura da Serra? Em pleno início de dezembro, vai trocar o comando da pasta que deve cuidar da programação de Natal, ano-novo, carnaval...
As secretarias municipais é que colocam mais a "mão na massa", a estadual deve estabelecer objetivos e projetos de forma "macro".
Entre a missão, a visão e os valores da Setur está "ser referência nacional em gestão do turismo".
No Orçamento 2023, a verba disponibilizada à secretaria estadual é de R$ 34,2 milhões. Para 2024, foram destinados R$ 16,8 milhões, uma queda de 50%.
Na entrevista coletiva em que o projeto da lei orçamentária do ano que vem foi apresentada, o secretário estadual de Economia e Planejamento justificou a redução devido ao fato de a secretaria não ter conseguido executar, em 2023, várias coisas que estavam orçadas, notadamente as estradas do “Caminhos do Turismo”, no interior.
“No orçamento deste ano, tínhamos a previsão de fazer várias rotas do turismo, que seriam o ‘Caminhos do Campo’, só que na verdade eles chamam de ‘Caminhos do Turismo’. Só que a Setur acabou não conseguindo executar isso neste ano de 2023. Então a nossa equipe, analisando a capacidade de execução, reduziu esse valor de investimento. Para o próximo ano, temos a previsão de fazer dois trechos, que estão contemplados na proposta orçamentária”, afirmou o secretário.
A Prefeitura da Serra, por sua vez, orçou R$ 59,2 milhões para a Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer em 2023.
Ou seja, o Orçamento da pasta municipal é maior que o da que Philipe Lemos vai assuimir no governo estadual.
Não é possível, entretanto, dizer que a Serra, sozinha, investe mais em turismo que a gerstão de Casagrande, afinal a secretaria lá cuida também de cultura e esporte, que têm estruturas independentes no governo do estado.
Mais um sinal de que na Casa também o tema não está entre os preferidos.
Somente depois que a coluna foi publicada é que foram eleitos o presidente e o vice-presidente do colegiado e estabelecida a periodicidade das reuniões para se debater os projetos afeitos ao turismo.
É uma pena, pois o Espírito Santo tem potencial para fazer mais.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.