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Eleições 2024

Ramalho "parte para cima" contra a esquerda, mas esbarra em contradições

Ele surfa no "fogo amigo" do PT e mira Arnaldinho (Podemos). O candidato do PL, porém, recorre a contorcionismos verbais ao demonizar o PSB, partido de Casagrande, ao qual serviu como secretário de Segurança

Publicado em 11 de Agosto de 2024 às 03:00

Públicado em 

11 ago 2024 às 03:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Coronel Alexandre Ramalho, candidato a prefeito de Vila Velha
Coronel Alexandre Ramalho (PL), candidato a prefeito de Vila Velha Crédito: Ricardo Medeiros
Candidato a prefeito de Vila Velha pelo PL, o ex-secretário estadual de Segurança Pública Coronel Ramalho adotou como principal tática a polarização ideológica e os ataques, nesse campo, ao atual prefeito, Arnaldinho Borgo (Podemos), que disputa a reeleição. 
Ramalho já disse à coluna que o bolsonarismo não é sua "única plataforma". Mas podemos afirmar que é algo que recebe muito destaque por parte dele. O candidato do PL, por exemplo, trata quase como pecado mortal o fato de Arnaldinho ter escolhido como vice o ex-secretário municipal de Planejamento Cael Linhalis, por este ser filiado ao PSB, um partido de centro-esquerda.
E agora também surfa na onda do "fogo amigo" do Partido dos Trabalhadores que, em documento oficial publicado no site da sigla, registrou que a candidatura do ex-vereador João Batista Babá (PT) à Prefeitura de Vila Velha é uma "estratégia combinada" com Arnaldinho para enfrentar Ramalho. O caso foi revelado pela reportagem de A Gazeta.
Babá e o PT estadual negaram veementemente qualquer acordo, mas não souberam explicar o motivo da menção à tal estratégia no documento que lista as candidaturas do partido a prefeito em cidades com mais de 100 mil habitantes.
Arnaldinho também negou: “Isso não existe. É totalmente inverídico. Só posso acreditar que tenha sido um equívoco de informação (no documento)".
Fidedigna ou "trapalhada" do PT, a inserção do relatório, depois deletado do site petista, virou munição para o candidato do PL, que já estava com o dedo no gatilho, metaforicamente falando. "Vamos partir para cima", avisou Ramalho.
"O verdadeiro candidato de Lula em Vila Velha é Arnaldinho Borgo", afirmou o ex-secretário, em vídeo publicado no Instagram no sábado (10). E foi mais longe: "O plano de Lula para 2026 envolve a Prefeitura de Vila Velha".
Não creio que o presidente da República esteja apostando tanto assim nos eleitores do município canela-verde, onde, em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 60,92¨% dos votos no segundo turno.
No mesmo sábado, os candidatos do PT a prefeito em cidades com mais de 100 mil habitantes estiveram em Brasília para um encontro coletivo com o chefe do Executivo federal. Babá, inclusive, foi lá.
Dias atrás, Ramalho publicou outro vídeo, no qual, implicitamente, acusa Arnaldinho de "trair" o presidente da Câmara Municipal de Vila Velha, Bruno Lorenzutti (MDB), ao escolher Cael como vice.
"A velha política de Vila Velha mostra com muita clareza que, neste meio perverso, não existe lealdade, companheirismo, amizade, mas, principalmente, gratidão", afirmou Ramalho, no vídeo. "A manutenção do poder hoje em Vila Velha passa pela esquerda, com a indicação na cabeça de chapa do PSB como vice-prefeito da atual gestão", acrescentou.
Já no post sobre a mencionada estratégia do PT com Arnaldinho, o candidato do PL voltou a bater na tecla:  "É o PSB, é o PT, são os partidos de esquerda". 
"E o pior: partidos ditos de direita, inclusive autoridades do estado do Espirito Santo que se dizem bolsonaristas, envolvidos nessa maracutaia em Vila Velha."
Ocorre que, até o início deste ano, Coronel Ramalho era filiado ao Podemos, o mesmo partido de Arnaldinho Borgo, e integrava o primeiro escalão do governo Casagrande, ou seja, um governo do PSB, como secretário de Segurança Pública.
Em 2022, o militar da reserva da PM apoiou a reeleição de Casagrande, que concorria contra Carlos Manato (PL).
Sempre que questionado a respeito, Ramalho sustenta que foi apenas um quadro técnico, sem vinculação política, na gestão Casagrande.
O cargo de secretário estadual, entretanto, é essencialmente político, ainda que possa ser ocupado por um técnico.
Associar-se a um partido de esquerda torna a pessoa de esquerda? Ou o contrário: manter um secretário de direita em um posto-chave, como fez Casagrande, faz com que o governo seja de direita?
Demonizar o PSB e, indiretamente, o governador, que é a maior liderança do partido no Espírito Santo, pouco tempo após ter se aliado a ele também não pode soar como falta de "lealdade, companheirismo, amizade, mas, principalmente, gratidão?".
E qual é a relevância dessa discussão numa eleição municipal?
Talvez já prevendo esse questionamento, no vídeo de sábado Ramalho mencionou, lateralmente, que está "nas ruas, discutindo com a população, ouvindo propostas, construindo nosso plano de governo".
RAMALHO ABRAÇA DISCURSO DE MAGNO
Outra coisa que a coluna observou nas declarações de Ramalho foi a referência a "partidos ditos de direita" e a "autoridades do estado do Espirito Santo que se dizem bolsonaristas".
O coronel, assim, abraça o discurso do presidente estadual do PL, o senador Magno Malta, que está numa cruzada contra a "direitinha".
Magno proibiu o PL de coligar, no Espírito Santo, com partidos "de espectro político à esquerda" e incluiu nesse bolo até mesmo o PP e o Republicanos, as únicas legendas que coligaram com Bolsonaro em 2022, mas que, atualmente, têm ministérios no governo Lula (PT).
Os dois partidos, no Espírito Santo, têm lideranças que se identificam como políticos de direita e bolsonaristas, a exemplo do deputado federal Evair de Melo (PP).
Progressistas e Republicanos apoiam a reeleição de Arnaldinho Borgo em 2024.

O que diz Arnaldinho Borgo

Isso (a estratégia combinada com o candidato do PT à Prefeitura de Vila Velha) não existe. É totalmente inverídico. Só posso acreditar que tenha sido um equívoco de informação. Estamos trabalhando muito para fazer Vila Velha avançar cada vez mais. Reduzir uma eleição municipal à polarização entre direita e esquerda é um erro. 

Como tenho dito, o discurso rasteiro de direita e esquerda não asfalta rua, não constrói unidades de saúde e escolas. Não faz a cidade avançar. Precisamos debater propostas e projetos que levem melhorias de vida para as famílias

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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