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Acampamento

Rastro deixado por bolsonaristas vai além do lixo na Prainha

Extremistas acampados viraram meme e alvo de deboche em vários estados do país. Mas esse é um assunto sério

Publicado em 06 de Janeiro de 2023 às 02:10

Públicado em 

06 jan 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Prefeitura de Vila Velha limpa o Parque da Prainha e avalia estragos após saída de bolsonaristas
Prefeitura de Vila Velha limpa o Parque da Prainha e avalia estragos após saída de bolsonaristas Crédito: Fernando Madeira
Não. Não é qualquer manifestação que é legítima e democrática. Se o propósito da manifestação é incitar um crime... Se um bando de pessoas começar a gritar pedindo que alguém te mate, você consideraria liberdade de expressão?
"Ah, mas falar não é fazer". Um dos "manifestantes" bolsonaristas então acampados em Brasília, incentivado por seus pares e financiado sabe-se lá por quem, colocou uma bomba em um caminhão e, por pouco, não cometeu um ato terrorista.
É disso que estamos falando quando falamos de extremistas. Eles incitam e cometem ações extremas.
Se integrantes do PT e da CUT tivessem acampado na frente do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral exigindo, sem provas e sem lógica, a anulação da eleição de Jair Bolsonaro em 2018, você acharia "normal"?
Após essa breve introdução, tratemos dos bolsonaristas postados em frente ao 38º Batalhão de Infantaria do Exército, na Prainha, em Vila Velha.
Ninguém foi lá removê-los. Nem o Exército nem a prefeitura nem a Polícia Militar.
Por cerca de dois meses, pediram golpe militar, espalharam mentiras sobre o sistema eleitoral, fizeram barulho, incomodando a vizinhança.
E deixaram um rastro de lixo e danos no sítio histórico.
Saíram por iniciativa própria, diante da constatação de que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), subiu a rampa do Palácio do Planalto, contrariando as desinformações que os bolsonaristas consomem diariamente.
A Prefeitura de Vila Velha, que não agiu antes, apesar da recomendação do Ministério Público Estadual (MPES), está limpando o local e vai contabilizar o custo dos trabalhos.
A cifra vai ser informada ao MPES, que poderá cobrar a fatura dos organizadores do ato.
Apesar de ser um prejuízo relevante, seja qual for o valor, uma vez que é dinheiro que sai dos cofres públicos, o pior não é isso.
O rastro vai além. Os extremistas mostraram que é possível incomodar todo um bairro, pedir e incentivar um golpe militar – o que é crime – e isso ser tolerado.
Mais até do que se fosse uma passeata de professores pedindo reajuste salarial – aí seriam, para alguns desses mesmos bolsonaristas, "vagabundos", "arruaceiros".
É um precendente perigoso. Quer dizer que pessoas inconformadas com o resultado de eleições legítimas, baseadas em mensagens que receberam no WhatsApp, podem incentivar e/ou cometer crimes? O que mais podem fazer?
Ameaçaram repórteres que estavam no local mostrando o trabalho de limpeza feito pela prefeitura. São "democráticos", "pacíficos"?
São "patriotas"?
Fontes da coluna relatam que um ônibus saía diariamente de Guarapari levando "manifestantes" à Prainha e os trazia de volta no início da noite. Quem pagou?
São todos remunerados? Obviamente, não. Tem gente que, seja lá por qual motivo, realmente acredita em teorias da conspiração e vai para a porta dos quartéis com ares lunáticos. De alguma forma, encontram tempo para isso.
Mas o fato é que não foram manifestações "espontâneas" e tampouco autossustentáveis.
É de suma importância que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
Não se pode esquecer.
Um dos acusados de liderar o movimento antidemocrático no estado, Fabiano Oliveira – que o MPES duvida se é mesmo pastor –, foi preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Outros, que o MP aponta serem integrantes de uma milícia digital privada, também foram alvos de mandados de prisão.
Mas tem mais gente a ser descoberta.
O próprio governo Lula diverge quanto ao que fazer. O ministro da defesa, José Múcio Monteiro, disse ter amigos entre os acampados em Brasília e no Recife e considerar tudo isso "uma manifestação da democracia".
Já o ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que não vai "fechar os olhos em relação ao que aconteceu" e ressaltou que atos terroristas e crimes contra o Estado democrático de Direito são "crimes políticos gravíssimos".
O governo federal, entretanto, é apenas um dos entes que pode atuar. Já citamos aqui o Supremo e o Ministério Público.
Que o Judiciário também não feche os olhos em relação ao que aconteceu.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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