Ricardo Ferraço: "O MDB está mais vivo do que nunca"
Eleições 2024
Ricardo Ferraço: "O MDB está mais vivo do que nunca"
Mas qual é o MDB que ressuscita no Espírito Santo? Veja a análise da coluna
Publicado em 15 de Junho de 2024 às 14:49
Públicado em
15 jun 2024 às 14:49
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O vice-governador do Espírito Santo e presidente estadual do MDB, Ricardo Ferraço, discursa em encontro do partido em CariacicaCrédito: Letícia Gonçalves
Desde 2018, quando o então governador Paulo Hartung saiu do partido, o MDB encolheu no Espírito Santo. A sigla entrou em uma série de disputas internas e, como resultado, desorganizou-se e sofreu uma debandada de mandatários.
Hoje, já são 13 os prefeitos emedebistas no Espírito Santo. A mais recente aquisição foi a de Alessandro Broedel, de Sooretama.
"O MDB está mais vivo do que nunca", bradou Ferraço, neste sábado (15), no primeiro grande evento da sigla desde que ele foi alçado ao comando.
O encontro foi realizado em Cariacica e teve como anfitrião o prefeito da cidade, Euclério Sampaio, que ingressou nas fileiras do partido junto com o presidente estadual.
O líder nacional, deputado federal Baleia Rossi (SP), mandou uma mensagem aos correligionários em vídeo: "O MDB sairá gigante destas eleições no Espírito Santo".
Ressuscitar o MDB não é tarefa fácil.
Um dado sintomático é que a legenda não tem vereador em Vitória.
No pleito de 2022, viveu outro fiasco. A agremiação, que já teve sete deputados estaduais, ficou sem nenhum, sem representante na Câmara dos Deputados e ainda perdeu o cargo mais relevante que ostentava no estado: a então senadora Rose de Freitas não conseguiu se reeleger.
Mas, agora, as coisas, realmente, melhoraram. O partido não tinha diretório, nem órgão provisório, na capital capixaba. Isso mudou em março. O ex-deputado estadual e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas Sérgio Borges assumiu a presidência da comissão provisória.
Neste sábado, ele contou à coluna que o MDB já montou chapa completa com 22 de pré-candidatos a vereador em Vitória, sendo sete mulheres e 15 homens.
Em todo o estado, de acordo com Ricardo Ferraço, a sigla vai lançar 23 candidatos a prefeito, 30 a vice e cerca de 70 ao cargo de vereador.
Mas qual é o MDB que está "mais vivo do que nunca?".
Para começar, o partido que já foi de Hartung está absolutamente casagrandista.
"Vamos crescer, mas o projeto de crescimento é pautado na humildade e no respeito aos partidos aliados ao governador Renato Casagrande (PSB)", afirmou Ferraço, ao discursar.
Outra coisa que chamou a atenção da coluna foi que o clima do evento realizado em Cariacica assemelhou-se, diversas vezes, a um culto evangélico, com direito a oração, louvores e a um pastor que elogiou Euclério, Ferraço e Casagrande.
O presidente estadual, por sua vez, citou "Deus em primeiro lugar", "verde e amarelo" e "valores".
Ferraço até usou, por duas vezes, a expressão "quatro linhas", como sinônimo de regras e leis. O termo ficou famoso na voz do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), "dentro das quatro linhas da Constituição".
Por mais que o discurso se assemelhe ao dos aliados radicais de Bolsonaro, em seguida o prefeito fez questão de frisar: "Como gestores, temos que cuidar de todos, não podemos entrar em briga".
O chefe do Executivo municipal diz que já tem o apoio de 16 partidos na busca pela reeleição.
Apenas PT e PL se opõem a ele, justamente as siglas que protagonizam e polarizam a política nacional.
Encontro do MDB em CariacicaCrédito: Tiago Alencar
O MDB integra o governo do presidente Lula (PT), mas a ideia é deixar as questões nacionais de lado.
"O MDB trabalha pela defesa do municipalismo. Vamos debater nossas cidades, a eleição é municipal", pontuou Ferraço.
Quando o assunto é o governo do estado, aí a coisa muda de figura. Euclério é aliado de primeira hora de Casagrande e colhe os frutos de investimentos feitos pela administração estadual em Cariacica.
"Casagrande é o maior estadista que o Espírito Santo já teve", concluiu o prefeito.
O governador apoia Euclério Sampaio na corrida eleitoral.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.