Ricardo Ferraço se consolida, por enquanto, como candidato palaciano ao governo do ES
Eleições 2026
Ricardo Ferraço se consolida, por enquanto, como candidato palaciano ao governo do ES
A coluna apurou que, nos bastidores, o vice não é mais tratado pelo governador Renato Casagrande como "plano A" e sim como "o" candidato a ser lançado em 2026
Publicado em 25 de Junho de 2025 às 03:25
Públicado em
25 jun 2025 às 03:25
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Ricardo Ferraço fala ao microfone, em Cariacica, no último dia 9. O prefeito da cidade, Euclério Sampaio (de camisa preta e olhando para baixo, na foto), realizou evento de apoio à pré-candidatura do aliado ao governo do estadoCrédito: Divulgação
O governador Renato Casagrande (PSB), publicamente, descreve o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como nome prioritário a ser lançado como candidato ao Palácio Anchieta em 2026. O socialista também cita outros aliados, como o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), e o deputado federal Da Vitória (PP), como alternativas.
Nos bastidores, de acordo com o que a coluna apurou, entretanto, Casagrande atua em prol de apenas um: Ricardo. Ao conversar com prefeitos sobre as eleições de 2026, por exemplo, o governador menciona o vice como "o" candidato, não como "plano A", ao contrário do tom que adotava nos primeiros meses do ano.
E são notórios os sinais pró-Ricardo na gestão estadual, como o fato de o vice estar presente em diversas solenidades e anúncios e ter sido designado, recentemente, para coordenar o programa Estado Presente, voltado à Segurança Pública.
Não é coincidência que a maioria dos chefes de Executivos municipais faz questão de declarar apoio a Ricardo, para "ficar bem" politicamente com o governo.
No início de junho, o deputado federal Gilson Daniel, presidente estadual do Podemos, verbalizou o que parece ser consenso na cúpula casagrandista:
“Ricardo Ferraço não é o plano A. Ele é o plano único. É o único preparado, com experiência e com a confiança do povo capixaba para dar continuidade a esse projeto vitorioso que começou com o governador Renato Casagrande”.
Institucionalmente falando, o vice está fortalecido. A dúvida é se vai ser possível dizer o mesmo em relação às pesquisas de intenção de voto, como já analisei mais de uma vez na coluna.
"Hoje, as pesquisas mostram ele (Ricardo) competitivo. Não é possível prever como vai estar no futuro, mas, hoje, Ricardo só não é candidato se não quiser e não acredito que ele vá recuar", afirmou um palaciano à coluna.
"Ele tem feito a parte dele, tem andado o estado todo. Ricardo é um pré-candidato consolidado", garantiu outro aliado de Casagrande.
Desses, apenas o prefeito de Vila Velha movimenta-se abertamente para concorrer ao Palácio, embora Da Vitória também tenha a ambição de disputar "um cargo majoritário", que poderia ser o governo ou o Senado.
"Arnaldinho é a única ponta solta no grupo em relação ao apoio ao Ricardo", cravou um aliado de Casagrande.
Pessoas próximas ao prefeito de Vila Velha esperam que, num futuro próximo, Arnaldinho mostre-se mais competitivo que Ricardo nas pesquisas e seja endossado como candidato pelo governador e seu séquito.
Se os casagrandistas não cederem, porém, não está descartada a possibilidade de Arnaldinho entrar no páreo mesmo assim e concorrer contra Ricardo.
Isso vai de encontro à estratégia do governador, que pretende lançar apenas um aliado na disputa.
"Se a gente dividir, a gente fragiliza o movimento que tem dado certo para o Espírito Santo", afirmou o chefe do Executivo estadual à coluna, no mês passado.
Não só Ricardo tem percorrido municípios do interior numa espécie de pré-pré-campanha eleitoral. Arnaldinho começou a fazer o mesmo e, às vezes, os dois até se esbarram nos mesmos eventos.
Arnaldinho Borgo em Muqui no último dia 7Crédito: Instagram/@arnaldinhoborgo
Casagrande e aliados dizem considerar os movimentos do prefeito de Vila Velha como "naturais", mas, na prática, muitos esperam que ele não seja bem sucedido.
É que também é "natural" o pleito de Ricardo. Por ser vice, o emedebista deve assumir o governo em abril de 2026, se o socialista renunciar ao mandato para disputar o Senado. Dessa forma, Ricardo seria candidato à reeleição e, tradicionalmente, quem está no cargo tem a preferência para concorrer.
Outra preocupação é: como Casagrande teria tranquilidade para concorrer ao Senado enquanto dois de seus principais aliados, Ricardo e Arnaldinho, se digladiam?
Assim, a "melhor solução", de acordo com a análise de pessoas próximas ao governador, é a consolidação de Ricardo. Agora e depois.
Falta apenas combinar com os eleitores.
RENOVAÇÃO, EIS A QUESTÃO
Arnaldinho e aliados acreditam que a eleição de 2026 vai ser "geracional" e que a população quer "renovação" na política.
De acordo com essa tese, apenas dois potenciais candidatos ao Palácio poderiam representar tal desejo: o prefeito de Vila Velha e o de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Ricardo levaria a pior, por ser associado à política tradicional.
Pazolini é adversário dos casagrandistas, logo, apostar no vice-governador seria facilitar as coisas para o prefeito da Capital e desperdiçar o potencial do canela verde.
Defensores da candidatura de Ricardo avaliam, porém, que Arnaldinho e companhia "fazem uma leitura errada" de pesquisas qualitativas.
"Nossas pesquisas mostram a população reticente com mudanças a qualquer custo, por causa de candidatos que se apresentaram como renovação e, depois de eleitos, decepcionaram", pontuou um casagrandista.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.