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Disputa interna

Rigoni garante que União Brasil "não vai tirar" partido das mãos dele no ES

Secretário estadual de Meio Ambiente preside o União estadual, mas tem posição ameaçada após a filiação de Marcelo Santos. Eventual mudança pode afetar as eleições de 2024

Publicado em 12 de Julho de 2024 às 10:49

Públicado em 

12 jul 2024 às 10:49
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Marcelo Santos e Felipe Rigoni
Marcelo Santos e Felipe Rigoni Crédito: Mara Lima/Ales e Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O ex-deputado federal e atual secretário de Meio Ambiente do governo Renato Casagrande (PSB), Felipe Rigoni, preside o União Brasil no Espírito Santo desde março de 2022 . O comando dele, entretanto, está ameaçado após a chegada do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, à legenda. O deputado estadual se filiou no último dia 3, numa costura feita diretamente com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, ou seja, passando por cima de Rigoni.
A expectativa do mercado político local é que Marcelo suceda o atual presidente estadual. A reportagem de A Gazeta apurou que, de acordo com integrantes da direção nacional do partido, isso deve ocorrer na próxima semana.
Mas há diversas pedras no meio do caminho. Para começar, o União Brasil no Espírito Santo tem um diretório estadual eleito. O mandato de Rigoni, de acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral, vai até 27 de abril de 2027. Se fosse um órgão provisório, uma eventual intervenção do diretório nacional seria bem mais fácil.
Para desfazer um diretório eleito, é preciso 3/5 dos votos dos 35 membros da Executiva nacional, ou seja, 27. "E isso ainda pode ser judicializado", ressaltou Rigoni, em entrevista à coluna nesta sexta-feira (12).
Ele relatou que conversou com Rueda e com ACM Neto, outra figura de poder no partido, na última quarta-feira (10), e ambos o garantiram que não há intenção de fazer intervenção no diretório capixaba.
"Os dois me reafirmaram que isso não vai acontecer. (O União Brasil) não vai tirar (o comando do atual diretório estadual), porque é muito difícil, mesmo se quisessem", cravou o atual presidente estadual.
Marcelo, porém, também esteve com os caciques do União, em Brasília, na quarta e na quinta-feira (11). Ele retornou ao Espírito Santo na manhã desta sexta.
Aliados do presidente da Assembleia Legislativa dizem que ele tenta ascender amigavelmente no União Brasil, num acordo com Rigoni. A ideia é Marcelo assumir a presidência estadual do União e Rigoni tornar-se o vice.
O ex-deputado federal, contudo, não parece nada inclinado a aceitar isso. Segundo ele, aliás, Marcelo nem fez tal proposta.
"Estive com Marcelo, foi uma conversa boa, na quarta-feira, a pedido do Rueda. Falei com o Marcelo que a entrada dele no partido poderia ter sido melhor, já que não fui informado nem por ele nem pelo Rueda. Marcelo não disse ter intenção de assumir o partido, ele disse que vamos construir juntos", contou Rigoni.
"Marcelo veio para agregar, mas o comando continua com o diretório eleito", ressaltou o presidente estadual do União.
PREFEITURA DE VITÓRIA
Além dos óbvios impactos na carreira política de Felipe Rigoni e Marcelo Santos, uma eventual mudança de comando no União Brasil do Espírito Santo teria consequências sobre as eleições de 2024.
A questão mais premente é a disputa pela Prefeitura de Vitória. Sob Rigoni, o União tornou-se um dos primeiros aliados do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) na corrida. O vice na chapa do tucano, aliás, é o presidente municipal do União Brasil, Victor Ricciardi.
Marcelo, por sua vez, apoia, declaradamente, a reeleição do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Um aliado do presidente da Assembleia lembrou que o União Brasil nacional tem uma regra que pode pôr fim à aliança entre o partido e Luiz Paulo.
É que, mesmo antes do imbróglio envolvendo Marcelo e Rigoni, o diretório nacional definiu que, nas capitais, quem decide o posicionamento do partido nas eleições de 2024 é, justamente, a direção nacional e não a estadual. 
O PARTIDO
O União Brasil surgiu da fusão entre DEM e PSL. Inicialmente, no Espírito Santo, seria presidido por Ricardo Ferraço. Com a ascensão de Rigoni, Ferraço migrou para o PSDB. Depois de eleito vice-governador, passou a presidir o MDB estadual.
Rigoni, em 2022, chegou a lançar pré-candidatura ao Palácio Anchieta, mas recuou e disputou a Câmara dos Deputados, sem sucesso. No segundo turno,  apoiou Renato Casagrande contra Carlos Manato (PL) e acabou virando secretário estadual de Meio Ambiente, a partir de 2023.
O partido perdeu o único deputado federal que tinha na bancada capixaba. Na Assembleia, elegeu dois deputados, Bruno Resende e Denninho Silva. Só que este já está de saída da legenda.
O União rigonista é casagrandista, assim como Marcelo Santos. O presidente da Assembleia, porém, tem planos que, por vezes, podem conflitar com os do governador, como no caso da eleição para prefeito de Vitória. Casagrande apoia, simultaneamente, os pré-candidatos Luiz Paulo e João Coser (PT) e "desapoia", principalmente, Pazolini.
O fato é que, seja qual for o desfecho da disputa entre Marcelo e Rigoni, o União Brasil deve ser cenário de fortes emoções na política capixaba, ao menos nos bastidores.
Como detentor de mandato, Marcelo Santos é membro nato do diretório estadual. Além disso, ele se movimenta em todo o estado por meio de outros partidos, após ter emplacado aliados nas presidências estaduais do Solidariedade e do PRD.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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