O deputado federal
Felipe Rigoni elegeu-se pelo
PSB, um partido de centro-esquerda, em 2018. Sendo um político de centro e liberal, como ele mesmo se define, não chega a ser surpresa o fato de ter votado, na Câmara, de forma contrária à orientação partidária em momentos-chave, como na apreciação da
Reforma da Previdência. Rigoni foi a favor. O PSB, contra.
O parlamentar pediu para sair e obteve o aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para buscar outra legenda, sem risco de perder o mandato. Ele já chama o PSB de "meu ex-partido", embora ainda esteja, formalmente, filiado à sigla.
Rigoni é próximo ao governador
Renato Casagrande, maior liderança do PSB no Espírito Santo. Amigos, amigos. Negócios à parte.
Em entrevista ao Papo de Colunista, de
A Gazeta (leia-se
Rafael Braz e eu, enquanto
Leonel Ximenes está de férias), nesta quarta-feira (15), o deputado afirmou que há pontos positivos e negativos na gestão estadual.
Instado a listar os pontos negativos, não se fez de rogado: "Falta uma gestão mais incisiva e faltam projetos".
"Vejo muito anúncio de investimentos, e tem mesmo, está fazendo isso semanalmente, mas não se sabe para qual direção estamos levando o nosso estado", complementou.
"Para mim, o Espírito Santo, por ser um estado pequeno, não vai ser nunca uma grande massa consumidora, tem que fazer coisas que não são exatamente as que nós estamos fazendo agora. Temos que investir muito mais na formação tecnológica da nossa população, a gente tem que ser um centro de startups. Vitória tinha que ser um local de turismo tecnológico", afirmou o parlamentar.
E teve mais: "O governo do Espírito Santo é organizado, financeiramente equilibrado, você tem excelentes servidores aqui. O próximo passo é a gente digitalizar completamente o serviço público no estado. Óbvio, tendo a parte humana para quem precisa. Isso não evoluiu nada nesta gestão. Tem é o e-docs, que é um negócio interno que eu tenho as minhas críticas".
O parlamentar tem conversado com lideranças políticas do Espírito Santo, não apenas em busca de um novo partido. Não esconde o desejo de disputar a cadeira hoje ocupada por Casagrande.
Ele afirmou que está mais próximo de PSDB, DEM e PSD. Se vai conseguir viabilizar a candidatura ao Palácio Anchieta já em 2022 é outra história, mas já se prepara para percorrer os 78 municípios do Espírito Santo, frise-se, em ano pré-eleitoral.
Esteve recentemente, como a coluna apurou, com Neucimar Fraga, também deputado federal e presidente estadual do PSD, e com o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (MDB), outro pré-candidato ao Executivo estadual.
A coluna perguntou, dias atrás, ao governador Casagrande, como ele avalia as movimentações de Rigoni e como está a relação entre os dois. Para o socialista, "a relação é muito boa".
"Somos amigos. Ele é amigo da família. Mas isso não significa que ele não possa ter o projeto dele. Não é uma relação boa que vai impedir que ele possa seguir o que ele deseja. Ele tem total liberdade", destacou.
Por enquanto, além de ter dito que tem, sim, o desejo de concorrer ao governo, Rigoni contou que pretende formar um grupo para tratar do futuro do estado, uma vez que a era de Renato Casagrande e
Paulo Hartung vai passar em breve, previu.