A senadora
Rose de Freitas (MDB) cada dia mais se consolida como a candidata a ser apoiada pelo governador
Renato Casagrande (PSB) na corrida pela única vaga no Senado em disputa no Espírito Santo. A cadeira em jogo é a da própria Rose, que busca a reeleição.
Ela já ressaltou à coluna que "ele (o governador) apoia querendo apoio", ou seja, é uma via de mão dupla. Até pouco tempo atrás, desafetos de Rose, inclusive integrantes do próprio MDB, duvidavam que ela fosse conseguir selar uma parceria com o socialista.
Além disso, o tempo de propaganda de TV e rádio do MDB não é desprezível.
Em recente reunião com integrantes do PT, Casagrande abriu o jogo e disse que deve ficar mesmo com Rose.
Os petistas, então em vias de fechar uma aliança com o governador, pediram um espaço na chapa majoritária, a de candidato a vice ou a vaga para concorrer ao Senado.
Agora já sabem que, para que um petista tenha chance de se tornar senador, só se o partido lançar candidatura avulsa, ou seja, fora da coligação, indo para a briga sozinho.
A vaga de vice também é improvável que caiba ao PT, mas a sigla pediu ao menos isonomia na discussão com outros parceiros.
Voltando a Rose de Freitas, ela é um quadro antigo do MDB, com exceção de um hiato de dois anos em que passou filiada ao Podemos.
Tebet é colega de Rose no Congresso Nacional.
O governador já exemplificou que presidenciáveis que integram partidos que compõem a ampla aliança que ele quer montar, como Ciro Gomes (PDT) e Tebet, não são inimigos. E vão ser recebidos por ele não em atos de campanha, mas de forma protocolar e institucional, se assim quiserem, sem problemas.
Além das conexões nacionais, Rose é bem relacionada com prefeitos no estado. O próprio Casagrande também o é. Alguns, inclusive, trocaram de partido para manter fidelidade ao socialista.
Rose costuma ajudar a liberar verbas federais para compra de equipamentos, como tratores e ambulâncias.
Desde a longa jornada como deputada federal – de 1987 a 31 de janeiro de 2015 – é conhecida como uma espécie de vereadora federal (não como Carlos Bolsonaro). Essa capilaridade municipalista pode ser interessante para prospectar votos não apenas para ela.
Outros aliados do governador querem a cadeira da veterana no Senado: o ex-secretário de Segurança Pública Alexandre Ramalho (Podemos) e o deputado federal Da Vitória (PP). Estes, no entanto, têm menor capital eleitoral que Rose, como demonstrou a pesquisa Ipec.
E, apesar de próximos ao socialista, integram partidos que, nacionalmente, estão distantes do PSB e mais afeitos ao presidente da República,
Jair Bolsonaro (PL).
Se a hipótese da aliança CasaFreitas se confirmar, para cumprir a promessa, só se o Podemos lançasse Ramalho avulsamente, sem coligação. Algo com o qual o governador não simpatiza,
nem Rose.
Garantindo o MDB Casagrande também evita que o partido engrosse o palanque de um adversário ao Palácio Anchieta.
Enquanto aparece em diversos eventos ao lado do governador, a senadora disse à coluna que já havia conversado, por exemplo, com o ex-prefeito da Serra
Audifax Barcelos (Rede) e com o ex-prefeito de Linhares
Guerino Zanon (PSD). Assim, ela valoriza o próprio passe.