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Eleições 2022

Rose de Freitas se consolida a cada dia como a favorita de Casagrande

Em reunião com o PT, governador abriu o jogo e disse que vaga para concorrer ao Senado na coligação dele deve ficar mesmo com a atual senadora

Publicado em 15 de Julho de 2022 às 02:10

Públicado em 

15 jul 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Senadora Rose de Freitas
Senadora Rose de Freitas Crédito: Roque de Sá/Agência Senado
A senadora Rose de Freitas (MDB) cada dia mais se consolida como a candidata a ser apoiada pelo governador Renato Casagrande (PSB) na corrida pela única vaga no Senado em disputa no Espírito Santo. A cadeira em jogo é a da própria Rose, que busca a reeleição.
Ela já ressaltou à coluna que "ele (o governador) apoia querendo apoio", ou seja, é uma via de mão dupla. Até pouco tempo atrás, desafetos de Rose, inclusive integrantes do próprio MDB, duvidavam que ela fosse conseguir selar uma parceria com o socialista.
Isso depois de a parlamentar ser alvo da Operação Corsários, que apura malfeitos na Codesa, e do sangramento público do MDB, que começou antes do retorno de Rose à sigla, mas o qual ela não conseguiu estancar.
Rose, entretanto, mostrou-se resiliente. Apareceu em pesquisa Ipec divulgada em maio bastante competitiva, embolada na dianteira com o ex-senador Magno Malta (PL) e o ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli (Republicanos).
Além disso, o tempo de propaganda de TV e rádio do MDB não é desprezível.
Em recente reunião com integrantes do PT, Casagrande abriu o jogo e disse que deve ficar mesmo com Rose.
Os petistas, então em vias de fechar uma aliança com o governador, pediram um espaço na chapa majoritária, a de candidato a vice ou a vaga para concorrer ao Senado.
Agora já sabem que, para que um petista tenha chance de se tornar senador, só se o partido lançar candidatura avulsa, ou seja, fora da coligação, indo para a briga sozinho. 
A vaga de vice também é improvável que caiba ao PT, mas a sigla pediu ao menos isonomia na discussão com outros parceiros.
Voltando a Rose de Freitas, ela é um quadro antigo do MDB, com exceção de um hiato de dois anos em que passou filiada ao Podemos.
Nesta sexta-feira (15), a pré-candidata emedebista à Presidência da República, Simone Tebet, vem ao estado a convite da senadora do Espírito Santo.
Tebet é colega de Rose no Congresso Nacional. 
Embora Casagrande já tenha dito que vai fazer campanha para o ex-presidente Lula, e apenas para Lula, em relação à disputa pela Presidência da República, o fato de Rose acompanhar a pré-candidata do MDB não é um empecilho.
O governador já exemplificou que presidenciáveis que integram partidos que compõem a ampla aliança que ele quer montar, como Ciro Gomes (PDT) e Tebet, não são inimigos. E vão ser recebidos por ele não em atos de campanha, mas de forma protocolar e institucional, se assim quiserem, sem problemas.
Além das conexões nacionais, Rose é bem relacionada com prefeitos no estado. O próprio Casagrande também o é. Alguns, inclusive, trocaram de partido para manter fidelidade ao socialista.
Rose costuma ajudar a liberar verbas federais para compra de equipamentos, como tratores e ambulâncias. 
Desde a longa jornada como deputada federal – de 1987 a 31 de janeiro de 2015 – é conhecida como uma espécie de vereadora federal (não como Carlos Bolsonaro). Essa capilaridade municipalista pode ser interessante para prospectar votos não apenas para ela.
Aos 73 anos, Rose poderia encerrar a carreira, mas demonstra querer seguir no páreo. E Casagrande endossa a jogada. A parlamentar até se licenciou do mandato para se dedicar à pré-campanha.
OS OUTROS
Outros aliados do governador querem a cadeira da veterana no Senado: o ex-secretário de Segurança Pública Alexandre Ramalho (Podemos) e o deputado federal Da Vitória (PP). Estes, no entanto, têm menor capital eleitoral que Rose, como demonstrou a pesquisa Ipec.
E, apesar de próximos ao socialista, integram partidos que, nacionalmente, estão distantes do PSB e mais afeitos ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). 
Ramalho, no entanto, obteve a garantia do Podemos de que seria candidato ao Senado. Até deixou de ir para o União Brasil, do deputado federal Felipe Rigoni, pré-candidato ao governo, por causa disso. 
Se a hipótese da aliança CasaFreitas se confirmar, para cumprir a promessa, só se o Podemos lançasse Ramalho avulsamente, sem coligação. Algo com o qual o governador não simpatiza, nem Rose.
Garantindo o MDB Casagrande também evita que o partido engrosse o palanque de um adversário ao Palácio Anchieta. 
Enquanto aparece em diversos eventos ao lado do governador, a senadora disse à coluna que já havia conversado, por exemplo, com o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) e com o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD). Assim, ela valoriza o próprio passe. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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