Sai Ramalho, entra Ricas: o que muda na secretaria de Segurança do ES
Novo secretário
Sai Ramalho, entra Ricas: o que muda na secretaria de Segurança do ES
Delegado da Polícia Federal, Eugênio Ricas tem um estilo diferente do antecessor. Discurso do governo Casagrande, entretanto, é de continuidade da política de segurança
Publicado em 07 de Fevereiro de 2024 às 10:06
Públicado em
07 fev 2024 às 10:06
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O delegado da Polícia Federal Eugênio Ricas será o novo secretário estadual de Segurança Pública do Espírito SantoCrédito: Carlos Alberto Silva
Se a entrevista coletiva na qual o novo secretário estadual de Segurança Pública, Eugênio Ricas, foi apresentado à imprensa na terça-feira (6) pudesse ser resumida em uma palavra, seria "continuidade".
O governador Renato Casagrande (PSB), o coordenador do programa Estado Presente, Álvaro Duboc, e o próprio Ricas, por diversas vezes, fizeram questão de frisar que, na Sesp, "já há uma equipe" e que a atual política de segurança pública vai ser mantida.
"O secretário Eugênio chega num governo que já tem uma política, que já tem o programa Estado Presente, que já tem resultados apresentados à sociedade capixaba", afirmou Casagrande.
Casagrande respondeu à coluna que o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus, vai permanecer na função, assim como o delegado-chefe da Polícia Civil, José Darcy Santos Arruda. Os ocupantes desses cargos são definidos pelo próprio chefe do Executivo.
Já os nomes dos que vão trabalhar mais diretamente com Ricas, os subsecretários, por exemplo, podem sofrer alterações. O novo secretário ainda avalia essa questão, mas não descartou chamar colegas da Polícia Federal para auxiliá-lo.
Eugênio Ricas é superintendente da PF no Espírito Santo e vai assumir a Secretaria Estadual de Segurança Pública assim que superada a burocracia em Brasília para a cessão dele ao governo capixaba, o que deve ocorrer logo após o carnaval.
Apesar do discurso de "em time que está ganhando não se mexe", o "capitão" do time da Sesp foi alterado. Ricas vai suceder o coronel da reserva da Polícia Militar Alexandre Ramalho.
O coronel deixou o cargo para definir qual rumo político-eleitoral vai tomar. Filiado ao Podemos, Ramalho foi candidato a deputado federal em 2022 e pode, em 2024, disputar a Prefeitura de Vitória, ou, mais provavelmente, a de Vila Velha. Para isso, teria que trocar de partido, uma vez que o atual prefeito canela-verde, Arnaldinho Borgo, é justamente do Podemos.
Se, institucionalmente, a política de segurança deve permanecer a mesma, o estilo de Eugênio Ricas é diferente do de Ramalho.
O militar, enquanto titular da Sesp, aparecia frequentemente nas redes sociais protagonizando anúncios dos feitos das polícias Civil e Militar e, mais que isso, surgia de colete à prova de balas em operações e até chutava portas nas incursões.
A quase onipresença de Ramalho nas redes sociais e no noticiário certamente foi impulsionada pela possibilidade de ele ser candidato nas eleições de 2024. Comandar uma secretaria de visibilidade ajuda.
A coluna questionou Casagrande a respeito do estilo que espera que seja adotado pelo novo secretário.
"Estilo é estilo, cada um tem o seu. O que eu sempre pedi ao Ramalho e pedi ao Eugênio é que responda, que fale com a imprensa, não responda por nota, que a gente mostre que o governo está agindo. A forma de ele responder, se vai ou não participar de operações, aí é do estilo dele. Mas a comunicação é importante na área de segurança, a população tem que ver o secretário se expressando", avaliou o governador.
ELEIÇÕES 2026
Ricas também já se aventurou na política, mas deu menos passos nesse sentido que Ramalho. Em 2022, o delegado da Polícia Federal ensaiou disputar o governo do Espírito Santo pelo PSD. O partido, contudo, ao mesmo tempo em que tentava atraí-lo, trabalhava para lançar o então prefeito de Linhares, Guerino Zanon, na corrida, o que se concretizou.
Desiludido, Ricas nem chegou a se filiar ao partido e, a interlocutores, diz que a experiência foi "um livramento". Nesta terça, o novo secretário de Segurança Pública afirmou não ter pretensões políticas para 2026.
O próprio Casagrande, entretanto, afirmou que isso não seria, necessariamente, um problema. "Não tem problema nenhum, desde que isso não atrapalhe o trabalho na Secretaria de Segurança".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.