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Partido Novo

Secretário de Pazolini, Aridelmo Teixeira quer disputar o governo do ES

Aridelmo teve resultado tímido em 2018, quando também concorreu ao Palácio Anchieta. Agora, no entanto, ele já sinaliza que pode fechar com outro grupo

Publicado em 30 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

30 set 2021 às 02:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Aridelmo Teixeira
Aridelmo Teixeira em evento realizado na Fucape Crédito: Vitor Jubini
Em 2018, o empresário e professor Aridelmo Teixeira disputou o governo do Espírito Santo pelo PTB. Foi a escolha de 62.821 eleitores, o que representa 3,25% dos votos válidos. Aliado do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), Aridelmo é hoje secretário municipal da Fazenda de Vitória, a convite do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Apesar do resultado tímido nas últimas eleições gerais, o secretário tem planos de voltar às urnas como candidato ao Palácio Anchieta. Agora filiado ao Novo, confirmou à coluna que teve uma conversa recente com Hartung, que incentiva, segundo ele, a empreitada.
Além de Aridelmo, o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) e o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (MDB), estão no páreo como pré-candidatos. Todos são hartunguistas.
O secretário, no entanto, também tem outra inspiração, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). "Ele empreendeu e depois passou a se dedicar a causas mais coletivas, tem uma trajetória similar à minha. A estrutura de poder atual dificulta, mas ele conseguiu superar esse processo e convenceu a sociedade", afirmou Aridelmo à coluna.
Assim como Audifax e Guerino, Aridelmo percorreu diversos municípios capixabas, em pré-campanha. "Só que não estou indo atrás de político com mandato. Estou montando um projeto, estou procurando voluntários nas cidades. Já visitei 23 municípios de outubro de 2020 para cá", contou.
O secretário disse que, entre os objetivos de um eventual governo está o investimento em tecnologia.
Ele também ressaltou que avisou Pazolini, desde o início da gestão, que deixaria o cargo de secretário da Fazenda em abril de 2022, que é o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral.
O projeto que Aridelmo empreende, desta vez na esfera pública, no entanto, não necessariamente vai ser liderado por ele, ou seja, ele pode não ser candidato, afinal. O secretário já sinalizou que está fechado com o Republicanos de Pazolini.
"Se tiver um nome com o mesmo alinhamento e com mais capilaridade para liderar ... Tenho conversado muito com o Erick Musso sobre esse projeto", afirmou, em referência ao presidente da Assembleia Legislativa, que é filiado ao Republicanos.
"Pretendo conversar mais com ele até a definição do processo eleitoral. Ele está se colocando (ao Palácio)", avaliou Aridelmo.
Erick tem 34 anos, ascendeu na política com o apoio de Hartung.
Aliás, Aridelmo espera contar com a chancela do ex-governador, assim como a do prefeito de Vitória, na empreitada eleitoral.

BOLSONARO

Agora se diz descontente com o governo e espera que uma candidatura da terceira via vingue. Ele tem predileção pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), que tem que vencer uma disputa interna no próprio partido para disputar o Palácio do Planalto.
O empresário, no entanto, não se arrepende de ter votado em Bolsonaro. Disse que, se tivesse escolhido o petista Fernando Haddad, no segundo turno, "o Brasil viraria uma Venezuela".
A coluna lembrou que o próprio Bolsonaro faz coisas que evocam Nicolás Maduro. Para que alunos do interior do Piauí tenham acesso à internet gratuita fornecida pelo governo federal, por exemplo, têm que assistir, obrigatoriamente, a um vídeo promocional da gestão Bolsonaro.
Aridelmo criticou a iniciativa, mas ao mesmo tempo a minimizou, dizendo que nos governos do PT o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é estatal, realizava obras fora do Brasil.
"Eu me nego a votar em branco. O que ele (Bolsonaro) faz errado eu me manifesto contra e o que faz de certo eu concordo. Temos que olhar o que é melhor para a sociedade", retrucou.

O NOVO DEFINHA

O PTB, escolhido por Aridelmo em 2018, originalmente trabalhista, foi, depois, extremamente para a direita, com passagem acintosa pelo Centrão. É comandado, nacionalmente, pelo ex-deputado federal e mensaleiro Roberto Jefferson.
Já o Novo vive uma espécie de crise de identidade, com integrantes mais bolsonaristas e outros, menos. 
Uma série de desfiliações foi registrada em todo o país, inclusive no Espírito Santo. João Amoêdo, que disputou a Presidência da República em 2018 e é um crítico de Bolsonaro, tentou voltar ao comando da legenda, mas a iniciativa foi barrada pelo diretório nacional.
"O Novo está passando por uma turbulência, devido ao comportamento de alguns, que começaram a se achar donos do partido", analisou Aridelmo.
O secretário municipal, que quase foi secretário de Estado da Educação no último governo Hartung, atuou, sem cargo no governo, no programa Escola Viva, de escolas em tempo integral.
Agora quer reavivar a si mesmo na esfera eleitoral. A ver.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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