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Governo Lula

Secretário de Saúde do ES, Nésio Fernandes "caiu para cima"

A partir de janeiro, outro gestor vai tocar a Saúde estadual, mas o atual titular da pasta vai assumir uma das principais secretarias do Ministério da Saúde

Publicado em 26 de Dezembro de 2022 às 09:14

Públicado em 

26 dez 2022 às 09:14
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Nésio Fernandes
Nésio Fernandes Crédito: Roberto Pratti
O médico Nésio Fernandes, ex-secretário de Saúde de Palmas (TO), tornou-se titular da mesma pasta, no governo do Espírito Santo, em 2019, a convite de Renato Casagrande (PSB).
Em Palmas, a gestão também era do PSB, com Carlos Amastha. Mas o secretário é filiado ao PCdoB. Aliás, em 2018, ele tentou uma vaga na Assembleia Legislativa do Tocantins, sem sucesso.
O maior desafio do Dr. Nésio Fernandes (seu nome de urna), entretanto, estava por vir. Em 2020, a pandemia de Covid-19 tornou-se o maior problema para a administração pública em todo o mundo.
Em 20 meses, até outubro de 2021, 26 secretários estaduais de Saúde foram derrubados, de acordo com levantamento do jornal O Globo.
Nésio permanece no cargo até hoje. E saiu-se bem na luta contra o coronavírus. 
Mas não vai estar na cadeira a partir de janeiro. 
O economista e administrador Miguel Duarte Neto já foi anunciado por Casagrande para chefiar a Saúde no próximo mandato do socialista, que começa no dia 1º.
O atual secretário, por sua vez, já tem destino certo. Ele não confirma nem nega.
Mas a coluna apurou que ele vai, sim, comandar a Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde.
O nome da futura ministra, Nísia Trindade, foi divulgado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula Silva (PT). Presidente da Fiocruz, a socióloga tem longa carreira na área da saúde.
A Secretaria de Atenção Primária é um dos principais braços da pasta e tem um orçamento de cerca de R$ 34 bilhões. 
É a estrutura administrativa responsável, por exemplo, pela Estratégia de Saúde da Família (ESF), tem relação com todos os municípios brasileiros.
Outro exemplo: as vacinas são compradas pela Secretaria de Vigilância em Saúde, mas a aplicação fica sob responsabilidade da Atenção Primária.
NÉSIO NO ES
Antes do convite feito pelo novo governo federal, a coluna apurou que, se Casagrande quisesse, Nésio teria disposição de permanecer como secretário estadual de Saúde.
O governador, entretanto, decidiu trocar a chefia da secretaria, mesmo antes de definir o nome de Miguel Duarte.
Nésio, de acordo com fontes da coluna, perdeu a cadeira devido a problemas de relacionamento com alguns prefeitos e com gestores privados da área de saúde.
Além de filiado ao PCdoB, ele tem militância política ativa. O fato de ter feito Medicina em Cuba foi frequentemente lembrado por adversários do socialista na campanha eleitoral, embora isso não seja nenhum demérito para a formação do secretário.
Alguns apontam a queda de Nésio como um efeito da onda ideológica que tomou conta das eleições, opondo esquerda e direita, com conceitos deturpados. Parte da centro-direita esteve no palanque de Casagrande.
Outros dizem que a militância de Nésio, realmente, atrapalhava o relacionamento com atores importantes na administração da Saúde.
O fato é que Nésio "caiu para cima".
A Secretaria de Atenção Primária é uma das de maior visibilidade no ministério. 
E, ao contrário dos ministros do governo Bolsonaro, Nísia é alguém com quem um técnico, que também é o perfil de Nésio, gostaria de trabalhar.
O secretário do Espírito Santo é o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e, na pandemia, certamente teve contato com Nísia Trindade, uma vez que a Fiocruz teve participação ativa na guerra contra o coronavírus.
O médico já fazia parte da equipe de transição de Lula e é próximo de petistas influentes, como o senador e ex-ministro da Saúde Humberto Costa. Também é amigo de Flávio Dino, futuro ministro da Justiça. Dino hoje está no PSB, mas já integrou o PCdoB.
NOVO SECRETÁRIO
Nésio está em férias desde meados do segundo turno. Quem comanda a Sesa é o subsecretário Tadeu Marino.
O secretário manteve contato com Casagrande sobre a decisão de quem vai assumir a pasta em janeiro, até sugeriu alguns nomes, mas não participou da escolha de Miguel Duarte.
Entretanto, e Nésio fez questão de frisar isso, apoia fortemente a opção do governador.
"Ele (o futuro secretário) é muito respeitado no Brasil como gestor hospitalar e na gestão da Saúde. A Pró-Saúde, Organização Social na qual ele trabalhou, é a maior do Brasil, com orçamento de mais de R$ 1 bilhão", ressaltou.
É curioso observar que pessoas ligadas a trabalhadores da Saúde, ou, ideologicamente, à esquerda não perderam tempo e acusaram Miguel Duarte de ser "privatista", muito ligado às OS, organizações privadas que atuam na saúde pública.
Coube a Nésio, que foi acusado de ser ideologicamente vinculado "demais", a defesa do sucessor:
"(Dizer que Miguel Duarte é "privatista") é uma  lógica mecanicista. Reduz a pessoa e a experiência pregressa dela à natureza jurídica do vínculo. Há gestores públicos que se tornaram grandes gestores na iniciativa privada e vice-versa. Quem atua em OS atua no serviço público, apenas não dentro do marco jurídico público".
Miguel Duarte também foi diretor do Hospital Estadual Central, aí não por meio de uma OS, e sim da Fundação Inova, que é um órgão público criado pela gestão Casagrande para gerir parte dos hospitais.
"Criamos uma nova legislação de OS, dando maior segurança jurídica. A opção do governador é de governança híbrida: Hospitais geridos diretamente; hospitais geridos por OS; pela Inova e convivendo com entidades filantrópicas.  Não existe hegemonia de um modelo sobre outro, para o estado não ficar refém de nenhum modelo", explicou o atual secretário.
"(Miguel Duarte) foi uma escolha totalmente autônoma do governador e foi uma escolha muito positiva", pontuou.
A Pró-Saúde é uma OS gigante, da qual Miguel Duarte foi CEO por cerca de nove anos, mas passou por percalços em alguns estados, sofrendo acusações e cobranças de pagamento de funcionários. 
"Ele foi chamado justamente para corrigir problemas que aquela organização teve", destacou Nésio. 
Miguel Duarte é natural do Rio Grande do Sul e, hoje, trabalha em Santa Catarina. Por meio de uma fundação pública, similar à Inova, ele comanda o Samu de lá.
O gestor atuou no Espírito Santo por um ano e sete meses, a partir de 2020, quando esteve à frente do Hospital Central.
"Quando nós o chamamos para cá ele já sinalizava querer migrar para a gestão pública. O hospital teve redução de mortalidade, aumento de ciclo de leito ... foi um período muito positivo no Hospital Central. No entanto, ele recebeu uma proposta com valores mais vantajosos e acabou migrando para outro estado", contou o atual secretário.
"Mas tivemos sempre a perspectiva de manter ele", lembrou.
"Ele não tem militância partidária, mas tem a habilidade política típica de gestores de grandes negócios. Tem um trato institucional bem acurado", elogiou Nésio.
De acordo com uma fonte da coluna, Miguel Duarte atende ao perfil que Casagrande buscava para a pasta: "Um técnico, gestor de saúde, que tenha visão de controle e equilíbrio, de fazer mais com menos, ter cuidado com o orçamento".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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