O que foi a Scuderie Le Cocq
A coluna não tem aqui o intuito de reforçar ou endossar as críticas de Rigoni a Manato. Mas alguns leitores mais jovens, ou que foram criados fora do Espírito Santo, indagaram o que seria exatamente a Scuderie Le Cocq.
A entidade surgiu no Rio de Janeiro e ganhou adeptos em terras capixabas, principalmente nos anos 1990. Basicamente, era uma organização para matar pessoas, teoricamente, "delinquentes", mas que expandiu sua atuação.
Vitimou agentes políticos. E também se organizou para eleger, por exemplo, prefeitos e vereadores.
Em 1996, o Ministério Público Federal ajuizou ação pedindo a extinção da entidade. Na ação, o MPF registrou o seguinte:
"A Le Cocq assumia abertamente uma origem policial e intervinha na apuração dos crimes cometidos por seus membros, que se chamavam uns aos outros de irmãozinhos, para assegurar a eles a impunidade.
Além de policiais civis e militares, integravam a entidade até mesmo alguns membros do Ministério Público, do Poder Judiciário e outras autoridades públicas, que se mobilizavam sempre que qualquer de seus componentes era acusado ou simplesmente considerado suspeito de algum crime.
O símbolo da Scuderie era formado por um crânio humano, sobre duas tíbias cruzadas em x, e pelas letras E e M, abreviatura de Esquadrão da Morte".
Era uma coisa bem organizada, tinha até ficha de filiação.
A 8ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região confirmou, em 2006, por unanimidade, a decisão da 12ª Vara Federal do Espírito Santo que determinou a dissolução da pessoa jurídica Scuderie Detetive Le Cocq e a suspensão imediata de todas as suas atividades.