Sérgio Vidigal: "Arnaldinho deveria estar no projeto do Ricardo"
Eleições 2026
Sérgio Vidigal: "Arnaldinho deveria estar no projeto do Ricardo"
Ex-prefeito da Serra chegou a ser citado por Casagrande como possível candidato ao Palácio Anchieta, mas endossa o nome do vice-governador
Publicado em 11 de Julho de 2025 às 03:20
Públicado em
11 jul 2025 às 03:20
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, em 2024Crédito: Samuel Chahoud/Divulgação
Desde janeiro, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT) comanda a Secretaria de Desenvolvimento (Sedes) do governo Renato Casagrande (PSB). A ida do pedetista para a secretaria teve um quê de estratégia eleitoral, já que ele substituiu Ricardo Ferraço (MDB) na pasta. Além de vice-governador, o emedebista é pré-candidato ao Palácio Anchieta em 2026.
Vidigal, de acordo com o governador Renato Casagrande (PSB), também estava no páreo, como alternativa. Ao comandar a Sedes, o ex-prefeito ficou mais perto do núcleo de poder casagrandista e, até pouco tempo atrás, não descartava a ideia de disputar o comando do Executivo estadual, embora sempre tenha ressaltado a preferência de Ricardo para a empreitada.
Só que o secretário atua discretamente, não se movimenta nem como "possível talvez candidato plano B", ao contrário do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), também aliado de Casagrande, que se articula abertamente para disputar o Palácio, a despeito de Ricardo e do esforço do governador em prol do emedebista.
Em entrevista à coluna na quinta-feira (10), Vidigal não só cravou apoio a Ricardo e se excluiu de eventuais candidaturas em 2026 como defendeu que Arnaldinho também endosse a pré-candidatura do vice-governador.
"Não tenho muita relação próxima com o Arnaldinho. Acho que ele foi uma surpresa importante para a política, mas não podemos negar que o governador Renato Casagrande foi extremamente importante nas entregas e nos resultados da gestão, tanto dele quanto do Euclério (prefeito de Cariacica)", afirmou o ex-prefeito da Serra, após ser indagado sobre as movimentações do prefeito de Vila Velha.
"Vila Velha e Cariacica têm baixa capacidade de investimento. Aliás, Vila Velha foi muito penalizada no período do Max (Filho) devido ao isolamento político entre ele e o governador da época (Paulo Hartung)", recordou Vidigal.
A coluna quis saber, então, se o ex-prefeito da Serra defende o alinhamento eleitoral de Arnaldinho com Ricardo como um gesto de gratidão (de Arnaldinho) para com Casagrande. A resposta:
"Gratidão na política é uma coisa difícil, né? Eu acho que o Arnaldinho deveria estar no projeto do Ricardo"
Sérgio Vidigal (PDT) - Secretário estadual de Desenvolvimento
"Ricardo é o nosso projeto de governo, até porque acho muito antecipado esse debate de discutir mais nomes. Só surgirá um novo nome se o Ricardo decidir que não não quer (disputar o governo)", afirmou.
A coluna lembrou que foi o próprio Casagrande, ainda em dezembro de 2024, que citou "mais nomes" como opções a Ricardo, caso este não se viabilizasse, entre eles Arnaldinho e Vidigal.
"É uma questão de interpretação. Nós (Casagrande e Vidigal) não combinamos de ele citar meu nome", pontuou o ex-prefeito da Serra.
Embora tenha listado publicamente, em janeiro, seis aliados como possíveis candidatos ao Palácio Anchieta (Ricardo, Vidigal, Arnaldinho, Euclério, Da Vitória e Gilson Daniel), nos bastidores Casagrande agora só cita Ricardo, ao falar com prefeitos sobre as eleições do ano que vem, por exemplo.
Mas se não pretende disputar o governo, quais são os planos de Vidigal para 2026?
"Meu plano é fortalecer o PDT, preparar chapas proporcionais (de candidatos a deputado estadual e federal) e manter o legado do projeto do governador. O Ricardo faz parte desse projeto", respondeu o ex-prefeito da Serra.
Ele não se inclui entre os possíveis candidatos do PDT à Câmara dos Deputados.
Alguns aliados consideram que Vidigal pode tentar o Senado no ano que vem. Duas vagas vão ser disputadas, uma delas, muito provavelmente, por Casagrande. Há espaço para mais um, mas não deve ser Vidigal.
"Meu plano é ajudar nesse projeto (Ricardo). Não tem nada de 'ah, vou ser candidato a senador', nada"
Sérgio Vidigal (PDT) - Secretário estadual de Desenvolvimento
"O campo que eu transito é o mesmo do Renato. Para a outra vaga do Senado, entendo que temos que buscar um perfil um pouco diferente do governador. O Renato vai ser o segundo voto da esquerda e pode ser o segundo voto da direita. Um eleitor de esquerda pode votar no Contarato (senador do PT, pré-candidato à reeleição) e no Renato. Um eleitor de direita pode votar num nome do PL e no Renato. Mas temos os eleitores de centro. Poderíamos pegar por aí."
A coluna perguntou se o deputado federal Da Vitória (PP), político de centro-direita que apoia Casagrande, mas tem perfil diferente do do governador, seria uma opção para o Senado. Vidigal respondeu o seguinte: "Não sei, se Da Vitória for competitivo..."
Ricardo Ferraço, Renato Casagrande e Sérgio Vidigal durante coletiva de imprensa no Palácio Anchieta na quinta-feira (10), para falar sobre o tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileirosCrédito: Rodrigo Zaca/Governo ES
SERGINHO VIDIGAL PARA FEDERAL
Vidigal não parece disposto a disputar as eleições do ano que vem, o que não quer dizer que não vai participar do pleito de outras formas.
Alguns parágrafos acima o ex-prefeito contou que vai atuar na montagem de chapas de candidatos a deputado do PDT. O ex-prefeito não preside mais a sigla no estado, mas segue como o principal nome do partido.
Entre os possíveis candidatos a deputado federal está Serginho Vidigal, filho mais novo do político da Serra. O PSB de Casagrande chegou a se movimentar para filiar Serginho, mas a ideia de Vidigal é manter as movimentações eleitorais da família em casa, ou seja, no PDT.
"O meu filho... é uma decisão que tem que ser dele. A única justificativa para ser candidato é cumprir uma missão, de um legado que foi construído ao longo do tempo na cidade. Se ele decidir isso, lógico que terá o meu apoio. E o nosso projeto é PDT"
Sérgio Vidigal (PDT) - Secretário estadual de Desenvolvimento
PDT e PSB negociam, nacionalmente, a formação de uma federação que pode incluir o Cidadania. Se isso se concretizar, Serginho, filiado ao PDT, estaria numa chapa formada por candidatos do PSB também, de qualquer forma.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.