Shows em Vitória: "Só é questionada a política que dá resultado", rebate secretário
Convocado a ir à Câmara
Shows em Vitória: "Só é questionada a política que dá resultado", rebate secretário
Luciano Gagno foi convocado a ir à Comissão de Cultura e Turismo da Câmara Municipal para explicar contratações. Ele diz que faz questão de ir lá e criticou alguns vereadores, que "agem por interesses pessoais ou partidários"
Publicado em 23 de Junho de 2023 às 14:32
Públicado em
23 jun 2023 às 14:32
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Luciano Gagno, secretário de Cultura de VitóriaCrédito: Instagram/@lucianogagno
Convocado a ir à Câmara de Vitória explicar a contratação de shows e o fato de um mesmo empresário ser responsável pela realização da maioria dos eventos, o secretário municipal de Cultura, Luciano Gagno, concedeu entrevista à coluna na quinta-feira (22) e rebateu as suspeitas levantadas pelo vereador André Moreira (PSOL). Ele também apontou interesses "pessoais e partidários" por parte do parlamentar e de Anderson Goggi (PP), autor do pedido de convocação.
Ainda não há data definida para a ida de Gagno à Comissão de Cultura e Turismo, mas ele adiantou que faz questão de comparecer: "Para mim, vai ser uma honra ir lá e mostrar à cidade que temos economizado nas contratações. Tenho uma planilha desde 2014. Os cachês que pagamos hoje são iguais ou inferiores aos de dez anos atrás".
André Moreira denuncia que, "de março de 2021 até metade de 2022, 157 contratações foram só de empresas relacionadas a um empresário. Estamos falando de R$ 785 mil".
O vereador do PSOL conta ainda com o depoimento de um ex-servidor da Secretaria de Cultura que forneceu prints de conversas de WhatsApp que mostram, em tese, a influência do empresário na pasta.
"Muitos artistas são representados por um mesmo empresário. Quem ele representa ou deixa de representar é uma questão dele com os artistas", rebateu Gagno.
"Ele já era contratado pela prefeitura na gestão passada (de Luciano Rezende) e também em Vila Velha e na Serra, por exemplo. Só que em Vitória pagamos os menores valores", complementou o secretário.
O que está em questão são shows de até R$ 5 mil, que podem ser realizados sem licitação.
Quanto ao ex-servidor comissionado que entregou a André Moreira registros de conversas com o próprio Gagno, o secretário lamentou ter "abrigado essa cobra peçonhenta". "Ele (o ex-servidor) vendeu os prints do celular dele em troca de cargo", atacou.
O ex-servidor, desde o início de junho, ocupa um cargo comissionado no governo do Espírito Santo.
A CONVOCAÇÃO
A convocação do secretário de Cultura foi aprovada na Comissão de Cultura e Turismo da Câmara na quarta-feira (21). A denúncia foi apresentada por André Moreira, que não integra o colegiado, há cerca de um mês.
Coube a Anderson Goggi propor a convocação, em vez de um convite, que poderia ser recusado, para ouvir Luciano Gagno. Goggi, Leonardo Monjardim (Patriota) e Chico Hosken (Podemos) votaram "sim" ao requerimento. Duda Brasil (União Brasil), líder do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) na Casa, registrou abstenção.
"São interesses pessoais ou partidários, infelizmente", avaliou o secretário de Cultura, ao lembrar que André Moreira faz oposição à gestão Pazolini.
"A gente está dando oportunidade para mais gente e com economia de recursos públicos. Só é questionada a política que dá resultado"
Luciano Gagno - Secretário de Cultura de Vitória
"O vereador Goggi queria ser secretário de Cultura, não conseguiu e passa a atacar quem está no cargo", alfinetou Gagno.
O vereador do PP contou, no final de maio, ter recebido convite de Pazolini para assumir uma secretaria. A de Cultura era uma possibilidade. Dias depois, relatou ter rejeitado a proposta, por motivos pessoais, entre eles o pouco tempo que teria para ficar à frente da pasta, uma vez que, pré-candidato à reeleição, teria que se desincompatibilizar da função em abril de 2024.
Nesta sexta (23), após a publicação da coluna, Goggi reforçou que foi convidado pelo prefeito: "Não foi que eu 'não consegui'. Nem interesse eu tenho em ser secretário (...) E um dos motivos pelos quais eu não aceitei foi essa suposta denúncia que tinha aí".
Hoje, ele permanece como vereador independente, sem fazer parte da base do prefeito oficialmente, mas diz dar "governabilidade" à gestão. Na prática, vota a favor dos projetos enviados pelo Executivo.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.