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Análise

Tudo embolado na disputa pelo Senado no ES

Pela margem de erro da pesquisa Ipec, diversos pré-candidatos estão empatados tecnicamente. E apenas uma vaga está em disputa

Publicado em 03 de Maio de 2022 às 10:11

Públicado em 

03 mai 2022 às 10:11
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Eleições 2022: Pesquisa Rede Gazeta/Ipec mostra como está a disputa eleitoral para o Senado pelo ES
Eleições 2022: Pesquisa Rede Gazeta/Ipec mostra como está a disputa eleitoral para o Senado pelo ES Crédito: Arte A Gazeta
O ex-senador Magno Malta (PL) aparece com 23% das intenções estimuladas de voto, seguido pelo ex-prefeito de Colatina Sergio Meneguelli (Republicanos), com 17% e a senadora Rose de Freitas (MDB), com 15%.
Considerando a margem de erro da pesquisa, que é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos, os três estão tecnicamente empatados, no limite da margem. Por exemplo, se Magno, em vez de 23, tivesse quatro pontos a menos, ficaria com 19. Rose, com quatro pontos acima, também.
Não bastassem os percentuais pouco reveladores sobre o favorito, ou favorita, o fator tempo pode pesar muito. Magno também liderava as intenções de voto no início dos levantamentos realizados em 2018. No fim das contas, não foi reeleito. Além disso, desta vez apenas uma vaga está em disputa.
Agora, ele dobra a aposta no bolsonarismo, filiou-se ao partido do presidente da República e está na cruzada para aumentar o número de apoiadores de Jair Bolsonaro no Senado, uma meta do governo federal.
Meneguelli, que está na planície desde que decidiu não disputar a reeleição em Colatina, segue de perto o ex-senador, impulsionado pela popularidade nas redes sociais.
O ex-prefeito, que chegou a disputar espaço com o deputado Amaro Neto no Republicanos pelo posto de pré-candidato ao Senado, ganha força para se manter na posição.
Já Rose, depois de ter sofrido danos à imagem devido à Operação Corsários, que devassou a Codesa, mostra certa resiliência.
O calcanhar de Aquiles da senadora é o próprio partido. O MDB, apesar de ter um bom tempo de TV e um fundo eleitoral considerável, está esfacelado no Espírito Santo.
Por fora, corre o coronel Ramalho (Podemos), com 9%. Voltando ao extremo da margem de erro, ele está tecnicamente empatado com Meneguelli e Rose.
Esta vai ser a estreia do ex-secretário de Segurança Pública do governo Renato Casagrande (PSB) nas urnas. Larga com um bom percentual.
O desafio de Ramalho é conseguir ser o candidato da chapa do socialista. O Podemos garantiu a ele o espaço para concorrer, mas falta combinar com o governador, que deve tentar a reeleição. Rose também quer a vaga.
O deputado federal Da Vitória (PP), que não verbaliza a intenção de disputar o Senado, mas a tem, aparece com 8%, no mesmo patamar que Ramalho e Rose, considerando a margem de erro.
Para viabilizar a candidatura, ele também precisa do endosso de Casagrande.
Dificilmente apareceriam nas urnas Ramalho e Da Vitória concorrendo ao mesmo cargo, a não ser que o Podemos ou o Progressistas não figurem formalmente na coligação de Casagrande.
O deputado estadual Sergio Majeski compõe a chapa do PSDB como pré-candidato a deputado federal, na federação com o Cidadania. O nome dele chegou a ser ventilado como possível candidato ao Senado.
O presidente estadual do PSDB, Vandinho Leite, avalia que ele teria condições de disputar um cargo majoritário, mas a chapa já está azeitada. O sucesso dos tucanos na Câmara, pelo Espírito Santo, inclusive, depende do desempenho de Majeski.
O Ipec projetou como seria se ele tentasse o Senado: tem 6% das intenções de voto, empatando com Ramalho e Da Vitória.
Apesar do cenário indefinido, numericamente os dois nomes mais próximos ao governador aparecem em desvantagem na pesquisa Ipec.
Todos os percentuais aqui mencionados tratam do cenário estimulado, quando os nomes dos pré-candidatos são informados aos entrevistados.
78% NÃO SABEM EM QUEM VOTAR
Quando o recorte é pela intenção de voto espontânea, em que cada um fala o nome que vier à cabeça, a coisa fica ainda mais degringolada.
Magno Malta aparece com 4%, seguido pelo senador Fabiano Contarato (PT), com 2%. O parlamentar, no entanto, não é pré-candidato ao Senado, já tem assento na Casa garantido até 2026.
Da Vitória, Rose e Meneguelli foram lembrados, cada um, por 1% dos entrevistados. O ex-senador Ricardo Ferraço, outro nome do PSDB posto, com mais ênfase, para concorrer a um cargo majoritário, também tem 1%
O que mais chama a atenção nesse recorte é que 78% dos eleitores responderam que "não sabem ou preferem não opinar" sobre a eleição ao Senado.
Ou seja, quase 80% não estão empolgados com os pré-candidatos postos ou nem sabem da existência deles. É um jogo, além de embolado, aberto.

Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral

A pesquisa eleitoral Rede Gazeta/Ipec foi realizada entre os dias 28 de abril e 1º de maio, com 608 entrevistas em 26 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-07066/2022, e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob protocolo BR-03442/2022.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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