O PL, partido do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, lançou 50 candidatos a prefeito no Espírito Santo em 2024. Desses, 29 estão isolados (sem coligação), contam apenas com o próprio PL, e 21 têm parcerias com outras siglas. Em quatro cidades, a legenda integra coalizões em apoio a candidatos que não são do Partido Liberal.
Ao todo, o PL participa de 25 coligações em municípios capixabas e, em 14 delas, o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) está junto. Aliás, em nove casos, é o único a ficar ao lado da sigla.
Como a coluna mostrou, o senador Magno Malta, presidente estadual do PL,
proibiu o partido de se coligar com quase todo mundo. Em 40% das coligações registradas na Justiça Eleitoral, entretanto,
a regra foi ignorada e o Partido Liberal subiu em palanques com agremiações vetadas, como PP, Republicanos, União Brasil, Podemos, PRD, PDT...
Mas o "casca de bala" mesmo é o PRTB.
Criado nos anos 1990, o PRTB é um partido nanico, não tem representantes na Câmara dos Deputados nem no Senado e nunca teve muita expressão no cenário nacional.
Entre os políticos filiados à sigla que ganharam algum destaque está o fundador da legenda, Levy Fidelix, famoso pelo projeto do Aerotrem, que seria um trem-bala para ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Levy Fidelix morreu em 2021.
Em 2018, o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro atingiu o auge ao emplacar Hamilton Mourão como vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República.
Curiosamente, lá, PL e PRTB não são parceiros. O partido de Bolsonaro está coligado com o MDB do prefeito Ricardo Nunes e tem até o vice na chapa, o coronel Mello Araújo.
No Espírito Santo, é graças ao PRTB que o PL não está ainda mais isolado.
As nove cidades em que um candidato a prefeito do Partido Liberal conseguiu atrair apenas esse aliado são: Cachoeiro de Itapemirim; Cariacica; Vargem Alta; Santa Maria de Jetibá; Aracruz; Colatina; Anchieta; Nova Venécia; Vila Velha e Linhares.
Mas, devido à falta de musculatura política, como o fato de não ter nem um representante no Congresso Nacional, o PRTB não agrega muito, na prática.
Não soma tempo de rádio e TV no horário eleitoral e não tem uma fatia relevante do Fundo Eleitoral para aportar recursos na campanha.
Ok, são milhões, é um dinheirão, mas a cifra é módica se comparada aos R$ 887 milhões que vão ser destinados ao PL.
Uma notória exceção à parceria é o fato de que PL e PRTB não estão coligados na capital do Espírito Santo.