Vereadores de Vila Velha vão receber auxílio-alimentação de R$ 1,2 mil
Com aval de Arnaldinho
Vereadores de Vila Velha vão receber auxílio-alimentação de R$ 1,2 mil
Lei foi promulgada nesta segunda-feira (11) pelo presidente da Casa, Bruno Lorenzutti (Podemos), após o prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) não vetar nem sancionar o texto, o que configura sanção tácita
Publicado em 11 de Dezembro de 2023 às 13:32
Públicado em
11 dez 2023 às 13:32
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Câmara Municipal de Vila Velha, que, desde agosto de 2023, funciona no Centro da cidadeCrédito: Divulgação/Câmara de Vila Velha
A partir de janeiro de 2024, os vereadores de Vila Velha vão receber auxílio-alimentação. O benefício, no valor de R$ 1,2 mil mensais, vai se somar ao salário, que é de R$ 7.875,80 brutos. Já na próxima legislatura, que começa em 2025, o salário vai quase dobrar, ao passar para R$ 15.193,35. E o auxílio vai continuar valendo.
O aumento salarial foi aprovado ainda em setembro, mas a verba extra é novidade. A lei municipal que institui o auxílio-alimentação foi promulgada nesta segunda-feira (11) pelo presidente da Câmara, Bruno Lorenzutti (Podemos).
O texto, após aprovado pelos vereadores, no dia 27 de novembro, foi para a mesa do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos). Ele poderia vetar ou sancionar a proposta. Arnaldinho não fez nem uma coisa nem outra.
"Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do prefeito importará em sanção", diz a lei orgânica municipal. Assim, na prática, o prefeito deu aval ao pagamento do auxílio aos parlamentares.
Após a sanção tácita, cabe ao presidente da Câmara promulgar a lei, o que foi feito.
Lei cria auxílio-alimentação para vereadores de Vila VelhaCrédito: Reprodução
Anualmente, após o início da próxima legislatura, portanto, a nova verba a ser paga aos edis vai custar R$ 302 mil. Essas cifras levam em conta o pagamento do benefício por 12 meses.
"O que fizemos foi somente regulamentar uma verba que qualquer trabalhador tem"
Bruno Lorenzutti (Podemos) - Presidente da Cãmara de Vila Velha
O presidente da Câmara ressaltou, em conversa com a coluna nesta segunda, que o pagamento da nova verba é legal. "O Supremo Tribunal Federal pacificou que o vereador se enquadra como qualquer servidor, tanto que ele desconta pelo INSS e contribui pra aposentadoria pelo regime geral", afirmou Bruno Lorenzutti.
"Nós não temos veículos para vereadores, celular (fornecido pela Câmara), verba de gabinete", complementou.
A coluna também procurou Arnaldinho Borgo, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, que enviou uma sucinta nota: "A Câmara é um poder independente e possui autonomia para realizar planejamento e gestão financeira sobre repasse duodécimo que recebe, sem interferência do Executivo".
Lorenzutti diz que não tratou do assunto com o chefe do Executivo municipal. "Esse é um assunto interna corporis da Câmara", justificou.
Mas o fato é que, como em relação a qualquer projeto de lei, o prefeito poderia vetar ou sancionar o texto. Poderia também vetar apenas um trecho, o que instituiu o auxílio para os vereadores, por exemplo, preservando a parte que fala dos servidores do Legislativo.
De acordo com a lei orgânica municipal, o prefeito pode vetar um projeto, no todo ou em parte, se considerar que a iniciativa é "inconstitucional ou contrária ao interesse público".
REAJUSTE
A lei municipal 6.982, promulgada nesta segunda, determina que "fica instituído um auxílio financeiro denominado "auxílio-alimentação" a ser pago mensalmente aos agentes políticos da Câmara Municipal de Vila Velha, nos mesmos moldes do fixado para os servidores do quadro efetivo".
Os agentes políticos são os vereadores. A lei também fixa o valor do auxílio pago aos servidores efetivos do Legislativo em R$ 1,2 mil.
Antes, esse valor era de R$ 1 mil. Logo, houve um reajuste de 20%.
CADÊ?
Chama a atenção a falta de transparência da Câmara de Vila Velha. No site da Casa, não é possível encontrar a íntegra do projeto que deu origem ao auxílio-alimentação dos vereadores.
Lá, há só a capa da proposta, que ainda é difícil de ser localizada, uma vez que a ementa — o resumo do projeto — nem contém a palavra "auxílio" ou algo similar: "Dá nova redação aos incisos I e II do artigo 3º da lei nº 6796/2023 e dá outras providências".
"Deve ter tido algum problema, porque estamos migrando todo o nosso fluxo de processos. A partir de janeiro será tudo digital", respondeu o presidente da Casa, ao ser questionado pela coluna.
Também não foi possível achar, no site da Câmara, o resultado da votação do projeto, com os nomes dos vereadores que votaram contra ou a favor do texto. A votação foi nominal.
QUEM FOI A FAVOR
Após a publicação desta coluna, a assessoria de imprensa da Câmara enviou a lista com os nomes dos vereadores e o placar de votação do projeto que criou o auxílio.
Dos 17 vereadores, três não participaram da sessão do dia 27 de novembro: D’Orleans Sagais (PV), Fabio do Vale (Patriota) e Léo Pindoba (Agir). As ausências deles foram justificadas.
Os demais 14 vereadores de Vila Velha votaram a favor do auxílio-alimentação para eles mesmos:
Anadelso Pereira (Podemos)
Bruno Lorenzutti (Podemos)
Devanir Ferreira (Republicanos)
Devacir Rabello (PL)
Flávio Pires (Agir)
João Batista Tita (PSD)
Joel Rangel (PTB)
Jonimar Santos (PSC)
Osvaldo Maturano (PSDB)
Patrícia Crizanto (PSB)
Renzo Mendes (PP)
Rogério Cardoso (Podemos)
Rômulo Lacerda (PTB)
Welber da Segurança (PSDB)
Atualização
11/12/2023 - 3:19
Inicialmente, a coluna utilizou uma foto de arquivo da fachada da Câmara de Vila Velha, então localizada na Prainha, para ilustrar este texto. Ao menos desde agosto de 2023, contudo, a sede do Legislativo municipal funciona em novo endereço: Edifício Green Hill Tower, nº 686, Avenida Antônio Ataíde, Centro de Vila Velha. A foto, aqui, foi atualizada.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.