Como quem não quer nada, no entanto, Guimarães acabou "dando um pito" no governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, que é secretário nacional do PSB. Casagrande ainda não disse quem pretende apoiar na corrida pelo Palácio do Planalto. Aliás, nem diz vai disputara reeleição, embora ninguém duvide que vai.
Para Guimarães, a indefinição do governador sobre os pré-candidatos à Presidência da República não ajudam na formação de uma federação com o PT, que tem como prioridade eleger o ex-presidente Lula.
"Eu já falei para o Siqueira: no Espírito Santo é só o governador Renato Casagrande apoiar o Lula. Ele não declarou apoio ainda, como vamos apoiar um cara se você não sabe se ele apoia o Moro ou o Lula? Na hora que ele se dispuser a sentar com o PT, respeitando o PT e declarando apoio ao Lula, estaremos no palanque do Casagrande no Espírito Santo", afirmou Guimarães, à Folha.
Enquanto isso, o governador mantém uma relação minimamente cordial com os petistas, mas também com defensores de outros candidatos à Presidência da República. O vice-presidente nacional do PT, José Guimarães, avaliou, como já mencionado, que Casagrande poderia até apoiar o ex-ministro da Justiça
Sergio Moro.
No primeiro escalão do governo estadual está o presidente estadual do Podemos, o secretário de Planejamento Gilson Daniel, que coordena a campanha de Moro no Espírito Santo.
Casagrande é contra a formação de uma federação, que é uma espécie de coligação turbinada, com duração de quatro anos, com o PT ou com qualquer partido.
"O PSB precisa ter um projeto próprio. Não tem candidato à Presidência da República, mas tem que ter chapa de (deputado) federal. Federação é um pedaço do passado. (O Congresso) acabou com a coligação, mas permitiu a federação, que é muito pior. Tem que ficar quatro anos aliançado com o outro partido. Não é ataque a ninguém, não é desprestígio a ninguém. Tenho direito de ser contra federação. Acho que os partidos têm que sobreviver com resultado. O partido que não tem ... O Congresso arrumou uma maneira de carregar um pedaço do passado para o futuro", afirmou o socialista à coluna.
O presidente do PSB no Espírito Santo, Alberto Gavini, votou contra a federação, mas foi voto vencido no partido. Ele admitiu que um complicador para Casagrande é garantir palanque para um candidato à Presidência da República apenas, tendo aliados em siglas que possuem outros nomes na disputa pelo Palácio do Planalto.
E levantar o braço de Lula, no Espírito Santo, pode ser um complicador maior ainda para o governador, em uma campanha à reeleição. Apesar de o petista liderar as intenções de voto no país, também tem alto índice de rejeição. No estado, há um forte sentimento antipetista, reconhecido por integrantes da legenda, como o próprio Contarato.