O filho de Vidigal, porém, abriu mão da função. Ele já havia declarado discordar do rumo que as coisas estavam tomando. Primeiro, rechaçou uma eventual aproximação do PDT com Audifax Barcelos (PP), pré-candidato e arquirrival do prefeito.
Depois, defendeu publicamente que o pai mudasse de ideia e disputasse a reeleição. Não por considerar o jovem pré-candidato inapto ao cargo, mas por entender que Sérgio Vidigal teria mais chances de vitória que Meireles. E teria mesmo.
O site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra que, desde o último dia 14, o prefeito da Serra passou a presidir o PDT estadual. Seja quem for o homem, ou a mulher, oficialmente à frente da sigla, quem dá as cartas no partido é Sérgio Vidigal, filiado há 34 anos à legenda e o principal nome do PDT do Espírito Santo.
Nesta terça-feira (18), ele garantiu à coluna: apesar dos apelos do próprio filho e de outros aliados, não vai em busca de mais um mandato em 2024.
"Não tem a mínima chance de eu rever minha posição
"
Sérgio Vidigal (PDT) - Prefeito da Serra
Em março, Sérgio Vidigal explicou que decidiu sair do jogo devido ao estado de saúde da esposa, Sueli Vidigal. O prefeito apresentou Weverson Meireles como uma alternativa para oxigenar a política serrana. O atual prefeito e Audifax revezam-se no comando do Executivo municipal desde 1997.
No dia do lançamento de Meireles, Vidigal afirmou que não assumiria o lugar do pré-candidato, mas não descartou retirar o pupilo da jogada para apoiar outro nome, dentre os aliados do PDT da Serra: "Não teremos nenhuma vaidade".
Nesta terça, entretanto, além de reforçar que não vai concorrer, o prefeito também descartou apoiar qualquer outro pré-candidato que não Weverson Meireles:
"Não tem a mínima chance de o PDT apoiar outro, porque não tem nenhum que defenda o que a gente acredita. Entre os pré-candidatos postos, do PT, do Republicanos, do PL, do PP... (que são grupos adversários) nenhum contempla o nosso projeto".
Mas não rolou papo algum. "Não teve conversa política nenhuma. É importante ressaltar que estou aberto a conversar, mas não vamos buscar candidatura fora do nosso grupo, isso nunca passou pela nossa cabeça", contou Vidigal. "Agora, a eleição tem dois turnos", complementou o prefeito.
Na segunda-feira (17), Vidigal e Meireles protagonizaram um evento que contou com representantes de outros partidos, como MDB, PSB, Podemos, Rede e União Brasil. O PDT dialoga com essas siglas para que possam compor uma coligação na Serra.
O presidente estadual dos pedetistas e o pré-candidato a prefeito estão em busca de mais um aliado, o PSDB do deputado estadual Vandinho Leite. "Gostaríamos muito que o PSDB participasse desse processo", afirmou Vidigal.
GRANDE VITÓRIA
Em Vila Velha, o PDT caminha para formar uma aliança com o prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos), que vai tentar a reeleição. Em Cariacica, está com Euclério Sampaio (MDB) e, em Vitória, após a desistência e a desfiliação de Sergio Majeski, está entre Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e João Coser (PT).
Em todo o estado, o PDT, de acordo com Sérgio Vidigal, deve lançar até 13 candidatos a prefeito. Em 2020, o partido elegeu cinco, mas após a saída de três mandatários, restaram as prefeituras da Serra e de Atílio Vivacqua (com o prefeito Josemar Basto).
Na Serra, a previsão é eleger ao menos cinco dos 23 vereadores. O grupo aliado ao prefeito, incluindo outros partidos, projeta ficar com a maioria das cadeiras na Câmara.
O RISCO
Mas se o PDT perder a Prefeitura da Serra, vai sofrer um grande revés.
"Tudo na vida tem um risco. Até com uma candidatura minha haveria risco (de perder a eleição). O eleitor não se pronunciou ainda. Aliás, a eleição não entrou na cabeça do eleitor. Em 2018, por exemplo, até a reta final, Ricardo Ferraço e Magno Malta eram imbatíveis na disputa pelo Senado (Fabiano Contarato e Marcos do Val venceram os dois). Tenho fé que chegaremos ao segundo turno", previu Sérgio Vidigal.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.